Foto: ilustrativa
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“Quem não tem medo?” Com certeza meu caro leitor, você deve sentir medo de alguma coisa, ser ou situação. É universal, todos sentimos medo! Porém, em algumas situações o medo pode evoluir para um transtorno mais grave. Para entender melhor esse tema, vamos verificar alguns conceitos.

Embora o medo seja uma emoção (evento privado) comum a todos, não é possível compartilhar o “sentir medo” com ninguém, pois é um sentimento que só pode ser sentido pela própria pessoa. Além disso, é difícil compreender uma pessoa amedrontada por alguma coisa que não consideramos aversiva ou punitiva. Exemplo: algumas pessoas têm medo de sapo, outras não.

Vamos verificar a explicação de Skinner (1974) sobre como o nosso corpo responde quando estimulado a sentir uma emoção (evento privado), aqui didaticamente dividido em três sistemas nervosos: 1 – Interoceptivo – transmite estimulação de órgãos como bexiga, aparelho digestivo, glândulas e vasos sanguíneos; 2 – Proprioceptivo – transmite a estimulação dos músculos, articulações e tendões envolvidos na postura e na execução de movimentos; 3 – Exteroceptivo – ver, ouvir, degustar, cheirar e sentir coisas do mundo que nos cerca, mas desempenha também um papel importante na observação de nosso próprio corpo.

Assim, as interações desse complexo sistema, são estimuladas a partir de como percebemos o ambiente (interno ou externo). Cada sujeito reage de uma forma diante do medo, isso se deve ao desenvolvimento de sua interação com o ambiente. Ele também descreve suas emoções a partir do repertório de sua comunidade verbal. Uma solução encontrada pela humanidade para tal ocorrência foi utilizar metáforas para descrever o que a pessoa está sentindo.

Conforme a pessoa é exposta a situações de violência como sequestros, assaltos e/ou acidentes, de forma presencial ou assistida, ela reage e aprende a sentir medo de algo ou de uma circunstância.

Um exemplo hipotético é ter medo de pessoa que usa capacete: O sujeito que assistiu várias vezes nos noticiários, assaltos realizados por pessoas que usam capacete e andam de moto (histórico de aprendizagem). Daí ela está em uma loja, ao ver (Exteroceptivo) uma pessoa com capacete (Estimulo Discriminativo) sente um frio na barriga (Interoceptivo) e corre (Exteroceptivo). A reação correr foi desencadeada pelas várias vezes que viu “alguém com capacete fazendo assalto” (na TV ou presenciou) e em interação com o sistema nervoso reagiu. Entretanto, a resposta medo foi eliciada só de ver uma pessoa com capacete entrando na loja. Para descrever o que sentiu, a pessoa se utiliza de metáforas: “meu coração queria sair pela boca”, “comecei a tremer mais que vara verde” e “saí correndo como um jato”.

Vejam, essas descrições são bem comuns para descrever um conjunto de reações do sistema nervoso descrito por Skinner (1974), pois embora ela seja relatada separadamente, elas ocorrem ao mesmo tempo.
Em formas mais graves o medo pode evoluir para Estresse Pós-Traumático, Fobia ou Pânico, três transtornos diferentes que serão nossos próximos temas na série “Reféns do Medo”.

Até lá!

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