Foto: reprodução
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Estamos vivendo dias nada fáceis: corrupção, economia em baixa, dólar lá no alto, desemprego, falta de credibilidade nos políticos em geral, enfim, a coisa tá feia.

Dentre outras coisas, um ponto tem me chamado atenção além de tudo isto que citei logo acima, é ver como a população brasileira tem se portado frente a todos estes escândalos que dia após dia são estampados nas capas de jornais e revistas de nosso país.

Percebo que estamos vivendo um verdadeiro clássico de futebol e segundo parte da população, existem dois lados: aqueles que apoiam a corrupção e aqueles que são contra a corrupção; aqueles que pertencem ao time do Lula, e aqueles que pertencem ao time do Juiz Sérgio Moro.

Comparo a um Corinthians X Palmeiras ou Flamengo X Vasco.

Ai de você se resolver dizer que acha que o Lula não deve ser preso. A torcida do Moro se prepara e em coro grita: “ladrão”, “farinha do mesmo saco”, “Petralha”.

Do outro lado, se defende a renúncia da Dilma, a torcida do Lula vem abaixo, e entoa: “coxinha”, “elite branca”, “filhinho de papai”.

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E assim, segue o jogo.

O ministro do Superior Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, concede liminar para impedir a posse do Lula na Casa Civil e indica que as investigações a respeito do Lula devem tramitar na primeira instância. Gol para o time do Moro, a torcida vibra e diz que agora se fez Justiça, ora, isto sim que é ministro, mostrou que está do lado do povo.

Outro ministro do STF, Teori Zavascki, defere liminar para determinar que as interceptações de conversas telefônicas do Lula sejam remetidas para o STF, e de pronto, leva uma sonora vaia (uuuuuuuuuuuuuuuhhh), recebendo até mesmo ameaças de morte por parte da torcida adversária.

Seria como dizer que se o juiz apita um pênalti inexistente contra o seu time, ele é ladrão e merece cadeia. Mas se um jogador do seu time faz um gol estando impedido, aí sim vale tudo já que o importante é a vitória.

Depois vem as manifestações, os encontros das torcidas. Quem será que consegue aglutinar mais gente? Qual torcida é maior? Qual tem os gritos de guerra mais bonitos?

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E os técnicos? Do time do Sérgio Moro, temos o Ministério Público Federal. Já no time do Lula, os advogados.

Meus amigos quanta bobeira! Suplico para que um dia possamos entender que não se trata de estar de um lado ou do outro ou de torcer para alguém ser preso ou ser solto. Estamos todos no mesmo time, na mesma barca e a cada gol contra ou pênalti não marcado, quem sofre somos nós.

É preciso ter calma e entender que deve ser respeitada a ampla defesa e o contraditório considerando o devido processo legal, até mesmo para os corruptos que amamos odiar.

Ora, alguns podem dizer: as provas dos desvios de dinheiro são evidentes, não restam dúvidas de que todos são culpados.

Ai eu pergunto: quem aqui, conhece as ações penais que se desdobraram da operação Lava-jato?

Por certo que ninguém. Então como alguém pode pré-julgar os réus, e até mesmo os indiciados, com tanta facilidade?

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Devemos pensar que até mesmo um homicida confesso, que matou os seus filhos com requintes de crueldade, tem direito a um julgamento justo. Porque não garantir o mesmo aos réus da operação Lava-jato?

Não se trata de ser a lei penal frágil ou de proteger bandidos, mas sim de se garantir o mínimo direito a quem está sendo julgado e de receber a sua pena na forma mais adequada. É o preço que se paga por viver num Estado Democrático de Direito.

Por isso, peço a aqueles que dedicaram parte do seu tempo para ler o artigo de hoje, que tenham mais temperança, que tenham paciência e que não trate a situação do país como se fosse um jogo de futebol ou um filme com bandido e mocinhos, pois enquanto estamos aqui, brigando, esperneando, uns contra os outros, estão Lula, Moro, Dilma, Aécio, Cunha, todos juntos, comendo pipoca e dando risada, esperando as cenas dos próximos capítulos.

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