O ex-prefeito de Chapada dos Guimarães e presidente municipal do PSD, Flávio Daltro Filho, juntamente com a cúpula do partido, avaliam que uma nova divisão do município, conforme estudo que vem sendo analisado pela Comissão de Revisão Territorial dos Municípios e das Cidades da Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso (ALMT), é equivocada, causando uma injustiça contra a tradição e a população.

Segundo o resultado final do levantamento, apresentado nesta terça-feira (19) pela engenheira cartógrafa da Secretaria de Estado de Planejamento (Seplan-MT), Lígia Camargo, durante audiência pública na ALMT, Chapada dos Guimarães pode sofrer uma redução de 5,97% da sua dimensão territorial, algo em torno de 370 km².

As comunidades de Serrinha, Mata Grande, Ponte Alta e as fazendas no entorno dessas áreas passariam a pertencer ao município de Campo Verde. Isso porque, pela pesquisa técnica, foi apontado que a prefeitura de Campo Verde destina recursos aos moradores dessas comunidades, que hoje pertencem a Chapada dos Guimarães.

“Além disso, 90% dos moradores entrevistados disseram que recorrem aos serviços públicos de Campo Verde, ao invés de Chapada”, explicou Lígia Camargo. A área envolvendo as comunidades Serrinha, Mata Grande, Ponte Alta representa 3,96% do território de Chapada.

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Outra grande desvinculação do município poderá ser das fazendas instaladas no norte e extremo norte de Chapada dos Guimarães que passariam a integrar a cidade de Nova Brasilândia, por estarem distantes do perímetro urbano de Chapada e mais próximas da sede urbana do outro município.

Flávio Daltro lembra que o município de Campo Verde, há mais de 10 anos, vem manifestando interesse em fracionar o município de Chapada dos Guimarães. “Enquanto prefeito, nós manifestamos contra, por uma questão histórica e cultural. O PSD se posiciona contrário a essa investida de Campo Verde, e mais uma vez, fazemos um apelo aos parlamentares estaduais para que não aprove essa injustiça”, disse o ex-prefeito.

O empresário Reinaldo dos Anjos (PSD) também participou da segunda audiência pública e afirma que solicitou do presidente da Comissão, deputado Ondanir Bortolini, Nininho (PSD), uma analise mais profunda sobre o assunto.

“O deputado Nininho é do nosso partido, eu fiz um pedido pessoal a ele para que essa discussão não seja encerrada dessa forma, antes que o município de Chapada dos Guimarães faça sua defesa em prol da sua história e o seu povo”, disse.

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Reinaldo destaca que os munícipes de Chapada devem ser tratados com mais respeito e dignidade. “O nosso povo, que vivem nessas comunidades rurais, não são gados, dos quais se podem mudar de curral quando for conveniente”, enfatizou.

Conforme o estudo, com as alterações nos limites territoriais de cada município, Chapada também poderá perder parte de sua área para o município de Acorizal.

Chapada dos Guimarães só irá anexar aos seus limites as comunidades Jatobá, Bravo e Braz, que ficam em média 100 quilômetros da sede de Chapada, próximas a Escola Municipal J.J. e Fazenda Nova.

O deputado Nininho afirma que o debate é importante porque o Estado sofre dificuldades administrativas devido sua extensão. “A audiência é para podermos tornar público o que foi dito nas oficinas, ampliar essas discussões com os representantes dos municípios envolvidos e assim definir o melhor a se fazer para atender as necessidades da população”, disse o presidente.

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De acordo com a bióloga do Núcleo Ambiental e Desenvolvimento Econômico da ALMT, Cidirlene Cunha, os municípios que tiverem contestações em relação ao que foi apresentando na audiência pública têm 15 dias para se manifestarem por meio de documento protocolado junto à Comissão da ALMT. “A equipe da comissão irá se reunir para analisar as manifestações e verificar se há necessidade de marcar uma nova reunião entre os municípios envolvidos, caso seja necessário a equipe técnica retorna in loco na região”, explicou Cidirlene.

Os municípios que compõem o 2º bloco são: Chapada dos Guimarães, Nobres, Nova Brasilândia, Planalto da Serra, Poconé e Rosário Oeste. Já os municípios limítrofes são: Diamantino, Cáceres, Barra do Bugres, Alto Paraguai, Paranatinga, Primavera do Leste, Campo Verde, Nova Mutum, Porto Estrela e Santa Rita do Trivelato.

O resultado das análises será transformado em minuta de Lei e apresentado durante audiência pública na Assembleia Legislativa.

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