Foto: arquivo pessoal
Foto: arquivo pessoal

Apesar dos percalços de uma infância que exigiu dela e da família muitos cuidados médicos, a jovem sempre se aplicou nos estudos e é o tipo de pessoa que não desiste. “Tanto é que uma das minhas frases preferidas é essa, do Charles Chaplin. Vivencio a persistência desde que nasci”, comemora entusiasmada.

O irmão dela, que trabalha no jornal, levou o TCC para a redação e nasceu assim a primeira reportagem sobre essa história de superação.

Depois vieram as demais mídias locais e de lá para o G1, TV Globo e, por fim, a BBC, que se incumbiu de propagar a história de Ana Carolina mundialmente.
“Eu era estudante de Direito, mas acompanhando a trajetória do Marcelo Tás, fui me encantando com o Jornalismo”, lembra Ana Carolina.

“A vocação já tinha se refletido na minha nota do ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio), no qual conquistei 970 pontos em redação.

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O tema era ‘Maioridade Penal’ e eu encerrei com uma citação de Pitágoras – ‘Educai as crianças para que não preciseis punir os homens’”, relembra ela.

História

Ana Carolina nasceu com um bem e um grande desafio. O bem é a família, que se empenhou em todos os sentidos para que seu crescimento pudesse se dar com o mínimo possível de problemas.

Seu desafio foi o diagnóstico de microcefalia, que exigiu inúmeras intervenções cirúrgicas, sendo a primeira aos nove dias de nascimento.

Era necessário extrair uma parte frontal do osso craniano, para liberar o desenvolvimento da massa encefálica. A ausência da proteção óssea demandou zelo redobrado na infância, para evitar quedas.
Não aprendi a andar de bicicleta e até hoje tomo cuidado quando estou em grande concentração de pessoas”, observa.

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“A microcefalia não tem uma causa exata, e no meu caso pode ser genética. Ninguém pode prever como será o desenvolvimento de uma criança. Aqui em Campo Grande conheço as irmãs Patrícia e Adriana, de 20 e 14 anos, ambas com microcefalia, que são atletas. Jogam tênis de mesa adaptado e disputam corrida. No quarto delas há inúmeras medalhas, conquistadas em competições”, conta Ana.

Nenhum exame pré-natal identificou a má formação durante a gestação. O diagnóstico se deu no terceiro dia de nascimento. Foram mais cinco cirurgias na infância.

“Quase todo ano eu fazia uma nova, para conter a calcificação da caixa craniana e deixar o desenvolvimento do cérebro”, explica.

“Houve muitas sessões de fisioterapia até os dois anos. Tive convulsões que me exigiram medicação apropriada até os 14”.

Mas Ana ressalta que nunca perdeu

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ano letivo, porque as cirurgias eram sempre realizadas em período de férias.

Futuro

A recém-formada é entusiasmada ao contar sua história e depois de um período intenso de entrevistas, agora ela está de olho no que vem pela frente.O TCC virou livro graças ao apoio da Universidade Católica Dom Bosco.

“Depois de publicar meu livro, quero colocar em prática tudo que aprendi na faculdade. Quero me especializar no Jornalismo, mas quero fazer Letras e Fisioterapia Ocupacional, como plano B para a profissão”.

Ana Carolina está segura de que tem todas as condições para enfrentar o mercado de trabalho. Na faculdade, o curso coloca o aluno para praticar o que a teoria ensina.

“Lá a gente tem uma estrutura boa, os professores são prestativos e a dinâmica do curso coloca a gente em contato direto com o mercado de trabalho”, ressalta.

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