Uma pessoa morreu e outra foi contaminada – ambas por bactérias – após receberem transfusão de sangue. Os casos foram notificados para a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e as causas da contaminação estão sendo investigados.

Nas transfusões foram utilizadas bolsas de sangue fornecidas pelo Hemocentro do Espírito Santo (Hemoes) e os dois pacientes foram atendidos no Hospital das Clínicas (Hucam). Havia a suspeição de que teria ocorrido uma terceira contaminação, de uma criança internada no Hospital Infantil, o que não foi confirmado.

Foto: Ricardo Medeiros
Foto: Ricardo Medeiros

A situação é considerada grave pelo superintendente substituto do Hucam, Márcio Martins. “E está sendo investigada para que não ocorra novamente”, destacou.
Para o diretor geral do Hemoes, Clio Ventorim, foram casos pontuais, mas que merecem atenção. “Foram contaminações por bactérias diferentes. Mas nos preocupa porque a qualidade deste serviço é fundamental para salvar vidas”.

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A primeira paciente a apresentar problemas foi uma mulher de 54 anos que fazia transfusões regulares no Hemoes e morreu no dia seguinte ao procedimento. Ela era portadora de anemia falciforme – doença que afeta os glóbulos vermelhos – e cardiopata.

No dia 10 de maio, quando a transfusão era realizada, ela apresentou reações, que variam de tremores e calafrios a febre e coceira. “Foi avaliada na hora por um hematologista e foi feito um hemograma, que não indicou contaminação. Após três horas de observação, ela foi liberada”, explicou Ventorim.
Posteriormente, a família informou ao Hemoes que na noite daquele mesmo dia ela voltou a sentir os mesmos sintomas e foi levada a uma unidade de saúde, de onde também foi liberada e retornou para casa.

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De acordo com Ventorim, logo que após o problema, o hemocentro iniciou os procedimentos para averiguar o que tinha ocorrido: “É praxe nos casos em que um paciente apresenta reação à transfusão”.
A bolsa utilizada foi levada para exames e, na manhã seguinte já se tinha a confirmação de que o sangue estava contaminado pela bactéria Serratia marcescens.

A paciente foi chamada novamente ao Hemoes, onde foi informada sobre a situação. De lá foi levada para o Hucam, utilizando os serviços de urgência do Samu. “Ela chegou ao hospital em estado grave, que piorou ao longo do dia e faleceu durante a madrugada”, explicou Márcio Martins

Reprodução
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Um mês depois, já em junho, ocorreu outro caso, desta vez com um paciente do Hucam. Um homem com mais de 70 anos, que apresenta uma doença hematológica grave e que precisou de uma transfusão de hemácias – um dos componentes do sangue.

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Assim como a mulher, ele apresentou reação, com tremores e calafrios. “A transfusão foi interrompida logo no início, o paciente foi tratado e já recebeu alta hospitalar”, explicou Martins.
A contaminação, neste caso, ocorreu por uma bactéria de nome Bacilus sp. “Uma nova cultura foi feita para saber a categoria da bactéria”, relatou o superintendente. Ele avalia que a virulência dela é menor, já que o quadro do paciente evoluiu bem.

Durante a apuração do caso, o Hemoes descobriu que um terceiro paciente poderia ter sido contaminado. Uma criança internada no Hospital Infantil de Vitória e que recebeu uma transfusão de plaquetas. Um componente do mesmo sangue recebido pelo homem de 70 anos.

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