Pode parecer bobagem, mas quantas vezes seu filho determinou uma compra de um produto novo na internet porque você não sabia qual levar? Sabia que essa facilidade aparente pode transformar o que é habito em compulsão infantil.

O acesso à internet alterou as experiências de consumo dos adultos e das crianças. Antes era preciso sair de casa para ir às compras, e se fosse com os filhos havia toda uma logística para isso acontecer. Mas hoje ela é feita com um click nao importando a idade de quem esteja realizando a compra, já que temos a mania de deixar nosso cartões de credito plugados a empresa que mais utilizamos.

Segundo estudos, cerca de 10% da população consumidora sofre de compulsão por compras, transformando a atividade de consumo em alerta social. Somente 2% são causados por distúrbios de ordem médica. Os 8% restantes são consumidores levados ao consumo desenfreado por propagandas abusivas, produtos estimulados por impulso, ou indicados por influenciadores digitais.

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Se nos adultos já é condição preocupante, imagine nas crianças?  Se tem crianças em casa é bom saber que elas são responsáveis por 83% das decisões de compra de tudo o que consome no seu lar.

E por que o hábito de comprar é tão prazeroso, inclusive para os pequenos? Existe um prazer genuíno em adquirir, seja para satisfazer nossas necessidades ou relacionado a um sonho de consumo ou mesmo uma carência.

Estamos tão digitalizados, que hoje redes sociais identificam nossos hábitos, nossos telefones se conectam entre si e interagindo 24 horas por dia.  Assim, não é incomum que compras sejam realizadas em ambiente digital, apenas porque estão sendo estampados em nossas telas o tempo todo.

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Da blogueira de moda ao bebe numa creche, todos estamos sendo levados ao consumo. Porém, este estímulo pode mascarar doenças e induzir à “vontade de comprar” desde cedo, sem necessidade. E especialistas afirmam que 90% das crianças entre 7 e 10 anos não sabe diferenciar o que é propaganda do que é entretenimento.

Das propagandas com super-herói no detergente a mascotes no post da operadora de telefonia, tudo é estratégia para chamar a atenção das crianças e fazê-las consumir, e posteriormente, induzir os adultos também.

Os problemas gerados pelo estimulo ao consumo desde cedo são devastadores e vão desde a compensação com brinquedos pela falta de tempo que os pais tem aos filhos, até o estimulo da puberdade precoce, obesidade e problemas ligados a tireoide.

Especialistas afirmam que crianças estão aptas a consumir desde os 9 meses de nascimento quando começam a diferenciar as formas e que uma criança de 3 anos que consome apenas o que deseja tem 90 % de chances de ser um adulto despreparado psicologicamente.

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A ideia de ter crianças de 3 anos sabendo diferenciar marcas de sabão em pó ou grifes de roupa é assustador, a dica é barganhar. Substitua uma parte do tempo que seu filho fica no tablet por leitura de livros e atividades em conjunto tipo “pais e filhos”.

Em ambiente controlado, as escolas podem fomentar grupos, competições e debates online sobre o consumismo e temas relevantes, monitorando essas atividades.

Redes sociais, práticas de gamification e aprendizado colaborativo podem gerar debate e informar os pequenos, estabelecer regras para os jovens e ajudar os mais maduros a entender a gravidade da compulsão pelas compras que vai do ambiente físico ao virtual.

*Por Maria Augusta Ribeiro. Especialista em Netnografia, escreve para o Belicosa.com.br, e é Coordenadora de Comunicação da BPW Brasil.

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