Você sabia que uma marca de bebidas pagou R$ 50 mil para o cantor Cristiano Araújo postar em seu Instagram uma foto comendo pão de queijo? E que o cantor voltava para casa toda segunda-feira só para jogar futebol com os amigos? Ou ainda, que Cristiano sonhava em voltar a se apresentar no Faustão porque achava que o programa era referência para a música sertaneja?

Essas e outras curiosidades e bastidores da vida de Cristiano Araújo, que morreu há um ano, no dia 24 de junho de 2015, são reveladas no livro “Onze Mil Horas”, do fotógrafo Flaney Gonzallez, lançado recentemente. Ele acompanhou durante um ano e quatro meses a intensa turnê do cantor pelo Brasil, Europa e Estados Unidos. “As melhores histórias certamente foram vividas com a câmera desligada, quando ele agia da forma mais natural possível”, escreveu Flaney na introdução do livro.

Selecionamos no livro cinco histórias curiosas presenciadas por Flaney enquanto esteve com Cristiano Araújo. A maioria delas são desconhecidas dos fãs e revelam um pouco da correria que o artista viveu em seu último ano de vida.

Divulgação/TV Globo
Foto: Divulgação/TV Globo

Sonho de voltar ao Faustão
“Vi demitir e contratar pelo menos quatro assessores de imprensa em menos de um ano (…). Correto ou não, na cabeça do Cristiano, o Faustão era o programa referência para a música sertaneja e fundamental para o status de ‘estourado’ para um artista (…). A única explicação plausível para não conseguir entrar no programa seria um boicote ou alguma influência do então empresário do Gusttavo Lima, Marcos, que era o principal concorrente na época e com quem tinha um relação que, na minha interpretação, parecia uma guerra fria, que terminaria com uma paz duvidosa (…). Se o motivo era esse, talvez eu nunca saiba, mas essas tentativas continuaram a fracassar”

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Reprodução/@cristianoaraujo
Foto: Reprodução/@cristianoaraujo

Futebol é melhor do que programas de auditório
“Ele reclamava muito de fazer TV. Embora quisesse muito fazer o programa do Fausto, por ter muito pouco tempo em casa com os filhos. Sempre que o Rafa [Vannucci, empresário] apresentava datas para ele gravar, reclamava. Fazia de tudo para não ir, especialmente nas segundas-feiras, dia do futebolzinho. Quando aprendeu o poder de locomoção do jato então, fazia umas loucuras como sair da gravação direto para o aeroporto para chegar a tempo de pegar a sagrada pelada de segunda. Tudo isso para, no dia seguinte, ter que voltar a São Paulo e seguir com os compromissos”.

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Foto: Reprodução/@cristianoaraujo

Ganhou R$50 mil para postar foto de pão de queijo
“Vannucci tinha fechado um contrato com a Smirnoff para dois posts no Instagram, e eu teria a missão de fazer essa foto. Seria uma ação tão simples que seria o primeiro choque que eu teria com os números do mercado publicitário, tão milionário quanto do showbusinnes. Seriam R$ 50 mil por duas postagens, e esse primeiro sequer teria uma citação ou marcação para a marca. Eu tirei uma foto do Cristiano onde em uma mão segurava um montinho de pães de queijo e na outra segurava a minha lente, para parecer uma selfie tirada no celular, mas com qualidade melhor do que em um estúdio com pouca luz. Editei rapidinho, e eu mesmo postei com a legenda: ‘Cinco minutos para engolir um pão de queijo e não desmaiar de fome #umbrindeavidareal’. Pronto, 25 mil já estariam garantidos, e a outra parte viria em um banner que nos mandaria no dia seguinte (…). No dia seguinte essa foto estava nos principais veículos de notícia do País, sem crédito, claro, o que não me incomodou porque tinha ganhado dois cachês por essa foto que seria vendida como uma selfie pela campanha”.

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“Para meu amor, Wesley Safadão”
“Na verdade, a foto não tinha nada de mais, pois os dois se davam muito bem (…) mas a legenda dizia o seguinte: ‘Foto com meu parceiro Wesley Safadão nos bastidores do São João da Capitá em Recife-PE. Sempre bom encontrar você meu amor! Sucesso!’ Fui direto ver quem tinha publicado, e estava lá o nome do Jymmy (…). Milhares de comentários que diziam coisas como ‘Esses dois nunca me enganaram’, ‘Eu já desconfiava desse cabelo comprido’, ‘Que casal lindo’, ou um simples ‘uiuiui meu amor’ (…). Já imaginei na hora estampado em tudo que era site a notícia de um suposto e absurdo romance entre os dois, ou da gafe cometida pela produção do Cris. Sem perguntar nada para ninguém, nem editei a legenda. Apaguei na hora e fui no grupo avisar o que tinha feito, além de tentar avisar o Jymmy (…). Ele [Cristiano Araújo] mandou uma mensagem do Wesley, que eu tenho guardada até hoje, carregada de sotaque nordestino e dizendo em tom sarcástico: ‘Que viadage é essa hein, macho? Que porra foi essa aí de meu amor, baitola?'”.

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Sexto sentido para o sucesso
“Cris acreditava que tinha um sexto sentido para saber o que era ou não sucesso. Lá no começo da nossa relação, em um dos meus diálogos com a câmera na mão, eu perguntei se ele sabia que a música ?Efeitos? seria um sucesso antes de tê-la lançado. Ele afirmava que sim e contava a história da qual não me lembro, de como a escreveu junto com seus amigos e depois sócios. Como quase todo compositor que também interpreta, a estrada diminui o ócio criativo e o ritmo de criação cai, mas já estava provado que ele era um sucesso também nessa função, e hoje me arrependo de não ter aprendido um pouco com ele. Enfim, o tempo não volta, e essa foi uma das inúmeras lições que ele me deixou.”

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