Quem viu a leveza, a alegria sem igual estampada no rosto de Alison Cerutti após a vitória sobre a Itália ao lado de seu parceiro Bruno Schmidt e a conquista da medalha de ouro na Rio 2016, não imagina o que o jogador de 30 anos precisou superar para estar nas areias da Praia de Copacabana na Olimpíada. Não é à toa que o atleta é chamado de Mamute. Do alto de seus 2,03m, ele tem como principal característica a força. E, nos últimos dois anos, mostrou que possui o atributo não só dentro, mas fora de quadra. No fim de 2014, passou por uma delicada cirurgia no joelho direito. Em março do ano passado, em plena corrida olímpica, foi pego de surpresa com uma apendicite e precisou ir às pressas para o hospital. O processo de recuperação só fortaleceu a dupla. Quatro meses depois, Alison e Bruno sagraram-se campeões mundiais e ainda venceram quatro etapas do Circuito Mundial, culminando no título do World Tour Finals, em outubro, que reúne os melhores da temporada.

Alison suou, ralou nos treinamentos, se desdobrou nas etapas. Ao seu lado, contava com a ajuda especial do melhor jogador do mundo na atualidade, seu companheiro Bruno Schmidt, que recebeu essa alcunha da Federação Internacional (FIVB) em 2015 em uma votação entre os atletas. Dessa forma, o Mamute deu a volta por cima. Quatro anos depois de conquistar a medalha de prata em Londres 2012, ao lado de Emanuel, foi ao topo do pódio na Rio 2016 com o amigo de longa data, com quem deu os primeiros passos no esporte.

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– Realmente, não se ganha uma Olimpíada saindo de casa, entrando nela e conquistando uma vaga. No ano de 2014, compramos um terreno. Em 2015, subimos uma casa e, em 2016, pintamos ela. A classificação foi muito forte, com grandes times, tive de parar para operar o joelho. Quando ia voltar, tive apendicite. Tivemos quatro resultados ruins. Mas em nenhum momento, o Bruno parou de acreditar no Alison, e o Alison deixou de crer no Bruno. No Campeonato Mundial, passamos por várias fases, encontramos os melhores do time do mundo, batemos recordes, fomos o melhor time do mundo e nunca, nunca deixamos de acreditar. Se vocês forem recapitular o campeonato, no primeiro jogo, começamos atrás, ganhamos de 2 a 0. No segundo, perdemos, mesmo nunca duvidando um do outro. No terceiro, torci o meu pé, mas tive que me desdobrar para jogar. E quando saiu a chave no sorteio, só vieram times fortes. É trabalho, é sempre acreditar um no outro, essa é a característica do nosso time – disse Alison.

Alison foi submetido à uma cirurgia no dia 3 de novembro de 2014 para tratar de uma lesão no joelho direito. O capixaba vinha reclamando de dores por meses e foi diagnosticado com uma microrruptura no tendão patelar. O Mamute só voltou às quadras no ano seguinte.

Estava tudo certo para que o retorno acontecesse no Desafio Melhores do Mundo, entre Brasil e Estados Unidos, disputado no fim de fevereiro e início de março de 2015, em Copacabana. Mas Alison precisou deixar Bruno sozinho novamente. De emergência, foi para o hospital para a retirada do apêndice e foi cortado do torneio. Todas as reviravoltas da vida e os caminhos da dupla, segundo Bruno, estavam traçadas no destino de ambos.

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– Estava escrito, toda a dificuldade que passamos. O Alison veio de um time extremamente campeão. Quando ele me chamou, no momento que iniciamos e a coisa começou a andar, ele teve de operar o joelho. No período da corrida olímpica, ele teve apendicite, muita dificuldade veio, mas estava escrito e quando está escrito a gente supera qualquer dificuldade.

Schmidt já estava atuando com o capixaba Luciano “Cristiano Ronaldo” por conta da recuperação de Alison. Os dois vinham bem. Em quatro etapas, conseguiram um título, um vice-campeonato e caíram duas vezes nas quartas do Circuito Brasileiro. No Desafio Melhores do Mundo, o “Mágico” chamou Thiago Barbosa. O Mamute só foi voltar a jogar no fim do mês de março de 2015 na etapa de Salvador do Circuito Brasileiro.

De lá para cá, a dupla se desenvolveu absurdamente. A consagração veio no Campeonato Mundial, disputado na Holanda, quando os dois saíram campeões ao vencer Nummerdor e Varenhorst, donos da casa, por 2 sets a 1, parciais de 12/21, 21/14 e 22/20, em um dos melhores duelos de suas carreiras. Dessa forma, se classificaram para a Olimpíada.

Na corrida olímpica, eles ainda venceram em 2015 os Majors de Gstaad (SUI) e Olsztyn (POL); os Grand Slams de Yokohama (JPN) e Long Beach (EUA); o World Tour Finals, em Fort Lauderdale (EUA); e, em 2016, o Open de Vitória (BRA); Major de Porec (CRO); e ficaram em segundo no Grand Slam de Moscou (RUS) e Olsztyn (POL).

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A TRAJETÓRIA DE BRUNO/ALISON NO RIO

Alison e Bruno estrearam nos Jogos Olímpicos em jogo válido pelo Grupo A contra os canadenses Josh Binstock e Sam Schachter. Lidaram com o forte vento e quebraram o gelo da estreia para vencer por 2 a 0 (21/19 e 22/20). O segundo jogo foi o pior dos brasileiros e marcou a única derrota da parceria na campanha. Usando uma tática de sacar somente em Schmidt, Doppler e Horst, da Áustria, venceram por 2 a 1, parciais de 21/23, 21/16 e 13/15. A terceira partida da primeira fase foi contra Alex Ranghieri e Adrian Carambula. O Brasil não caiu na provocação do segundo, que apontou para genitália e se virou na direção do público, e ainda superou uma lesão do Mamute para vencer por 2 a 0 (21/19 e 21/16).

Na fase de mata-mata, duelo contra os espanhois Herrera e Gavira nas oitavas de final. Alison voou, fez 31 pontos, e os brasileiros marcaram 2 a 0 (24/22 e 21/13). Nas quartas, uma “final antecipada” no embate diante do campeão olímpico Phil Dalhausser (Pequim 2008) e seu parceiro Nick Lucena, dos Estados Unidos. Vitória do Brasil por 2 a 1 (21/14, 12/21 e 15/9). Na semi, um dos melhores jogos de todo o campeonato. Os dois atletas do Brasil jogaram fácil, sofreram com uma reação rival no segundo set, puxada pelo gigante Meeuwsen, de 2,07m, mas ganharam por 2 a 1 (21/17, 21/23 e 16/14). Na final, venceram por 2 a 0 (21/19, 21/17) os italiasno Nicolai e Lupo, atuais campeões europeus.

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