O pedido foi feito pelo telefone e prontamente atendido. Fernando Guimarães, irmão caçula de José Roberto Guimarães e comandante da seleção masculina de vôlei sentado, queria surpreender seus jogadores na véspera da estreia nos Jogos Paralímpicos. Nesta quinta-feira, enquanto comandava o treinamento, Bernardinho apareceu no ginásio do Marina Barra Clube. O som das pancadas na bola foi trocado pelo dos aplausos. E imediatamente veio o pedido do técnico bicampeão olímpico: “Não parem o treino, porque o treino é que manda na história”. Tomou seu lugar na lateral da quadra e ficou atento a tudo o que viu.
Antes de ir visitá-los, resolveu estudar um pouquinho. Viu um pequeno vídeo, tomou conhecimento de que a Bósnia é um grande time, que a Rússia não veio e que o Irã tem um gigante de 2,44m. Ao lado de Amauri Ribeiro, companheiro dos tempos de Geração de Prata, e atualmente presidente da Confederação Brasileira de Voleibol para Deficientes, fez perguntas e ficou impressionado com a movimentação do time.

– Seria presunção demais dar algumas dicas. Para sugerir algo tem que ter conhecimento. Vi um pequeno vídeo ontem e fiquei sabendo de algumas informações. Fernando e Amauri têm uma experiência muito grande no voleibol e no voleibol sentado, que tem algumas particularidades. Estava impressionado com coisas que eles fazem. É cada bomba… Fiquei impressionado como se infiltram para um levantar, com o bloqueio duplo… Enfrentar um gigante de 2,44m eu nunca vi (risos). Fiquei impressionado com movimentação. Filmei um pouco para levar e tentar entender e, quem sabe, não trazer alguma coisa de lá para cá e levar coisas daqui para lá. A cobertura dos caras é impressionante – disse.

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Bernardinho dedicou alguns minutos também para falar com a equipe, que sonha com um lugar no pódio. Diante de uma plateia atenta, admitiu que havia pensado em como falaria de superação com eles, que já passaram por situações tão difíceis na vida.

Na minha vida, eu não passei necessidade. Optei por isso, pelo sacrifício, por querer vencer. Meus amigos falavam para que eu ficasse com o meu pai. Mas eu tive êxito por essa paixão que me alimentava e me alimenta até hoje. Isso para mim, vir aqui, é me alimentar. “O que esses caras estão fazendo, como eles estão ali?”. A vida é uma constante superação. Vocês vão ter pressão, são vice-campeões mundiais, como nós chegamos na Olimpíada. Mas Jogos aqui no Brasil têm uma dimensão diferente. Existem adversários e vocês são um dos favoritos. As pessoas falavam de jogar em casa, de pressão. A gente estava na lama lá depois de duas derrotas na primeira fase, com as costas na parede, e o público não deixou de acreditar. E isso vai estar com vocês de uma forma que vocês nunca viram. Façam com que o público jogue com vocês. Muita gente ligada a mim vai assistir e vou tentar arrumar uma data para ver uma partida legal. Espero que a tensão de estreia passe e que possam jogar o seu melhor.

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Da conquista do ouro no Maracanãzinho lembrou ainda das palavras usadas por Serginho, que mexeram com o grupo. Lembrou da lição que vai guardar daquela campanha e também das conversas que teve com Diego Hypolito e Martine Grael na Vila.

– A maior lição que tive dessa Olimpíada é que o grupo demonstrou ser a verdadeira razão. Perdemos peças importantes, não tínhamos os maiores talentos, mas um time. Sim, com alguns destaques individuais, mas um time. Quando um parecia menos importante, foi fundamental num dado momento. Todos foram importantes. O que nunca se pode fazer é desistir. Então, boa sorte, façam o melhor de vocês.

Depois de participar do grito de guerra da seleção e de atender a pedidos de fotos dos jogadores, Bernardinho riu ao dizer que só teve seis dias de férias, passados em Portugal, e que já está firme e forte dando treino para as meninas do Rio de Janeiro. Bem-humorado, tentou se desvencilhar de perguntas sobre seu futuro até deixar escapar que ainda não decidiu se irá seguir à frente do time nacional.

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– Ninguém falou (CBV), nem colocou limite de tempo para dar a resposta. Nem eu. Estou pensando as coisas com calma. Estou conversando com pessoas, sentindo questões em casa e fazendo isso com calma. Estou extremamente ligado a isso. Não sei viver sem isso, mas ao mesmo tempo será que sou a pessoa ideal para continuar? Isso é um dilema para mim. Não é simples. É uma reflexão que tem que ser feita.

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