A ação integrada entre as polícias civis de Mato Grosso e de Tocantins, baseada em informações de Inteligência dos dois Estados, foi decisiva no desfecho rápido do caso do duplo homicídio de pai e filho, procuradores de Estado, no último final de semana. O suspeito José Bonfim Alves Santana foi preso em flagrante, na cidade de Colinas do Tocantins (TO), por porte ilegal de arma de fogo de uso permito, e teve o mandado de prisão temporária (30 dias) cumprido pelo assassinato dos procuradores. Ele vai responder por duplo homicídio qualificado e ocultação de cadáver.

As diligências iniciais foram realizadas pelo delegado de Vila Rica, Gutemberg de Lucena Almeida. Diante da complexidade do caso, a Secretaria de Segurança Pública de Mato Grosso determinou que fossem encaminhadas ao local equipes do GCCO e da Diretoria de Inteligência para dar suporte às investigações.

Durante o trabalho, a polícia de Mato Grosso identificou o gerente da fazenda como suspeito do crime, e iniciou as diligências para localizá-lo.

“Com base nas análises de Inteligência, foi identificado que o suspeito estaria no município de Colinas, no Tocantins. Com a informação, a secretaria adjunta de Inteligência da Sesp acionou a Superintendência de Inteligência do Estado de Tocantins que, junto com a delegada do município de Colinas, Olodes Maria Oliveira Freitas, empreendeu as diligências por toda a cidade, localizando o suspeito”, explicou o secretário adjunto de Inteligência da Sesp, Gustavo Garcia.

Os corpos de pai e filho foram encontrados na manhã desta quarta-feira (14.09), durante buscas que se estenderam desde a noite de terça-feira (13.09), em um trabalho integrado das unidades da Policia Civil dos municípios de Confresa e Vila Rica, além de profissionais da Politec.

O delegado de Vila Rica, Gutemberg de Lucena Almeida, destacou o apoio recebido do Governo do Estado, por meio da Sesp, e também agradeceu o empenho de cada policial de Vila Rica, do GCCO e do Núcleo Especializado de Investigações Criminais (NEIC), da Regional de Confresa.

“Fizemos mais de 14 horas de buscas ininterruptas e logramos êxito em encontrar os corpos. Estavam em uma área de pastagem, encobertos pelo capim um pouco mais alto, na própria Fazenda Santa Luzia, pertencente as vítimas”, disse.

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O delegado informou que as investigações continuam. “Estamos aguardando a chegada do suspeito, para que possamos ter mais informações da motivação do crime”, falou.

O delegado da Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO), Diogo Santana Souza, destacou o trabalho conjunto realizado pelo GCCO, Diretoria de Inteligência e Delegacia de Vila Rica.

“O sucesso da operação foi resultado da rápida intervenção e análise das informações que tínhamos no momento. Infelizmente, tivemos um desfecho trágico com a localização dos corpos das duas vítimas, mas conseguimos a responsabilização criminal pelo fato”, disse.

Conforme o delegado, quando acionados pela Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp), via Diretoria de Atividades Especiais, acreditava-se que as vítimas ainda poderiam estar vivas. “Mas quando chegamos em Vila Rica descobrimos que o gerente tinha fugido e as vítimas poderiam estar mortas”.

Santana ressaltou ainda a participação da Polícia Civil de Tocantins “foi fundamental à agilidade para a prisão. Trataram a informação com a importância devida”, completou.

A delegada da 7ª Delegacia Regional de Colina (TO), Olodes Maria Oliveira Freitas, destacou a ação rápida e a integração entre os serviços de Inteligência dos dois Estados.

“Após a articulação entre as secretarias, recebemos a informação em nossa regional, junto com uma foto do suspeito, e iniciamos as diligências pela cidade”, contou a delegada.

Por volta das 19 horas de desta terça-feira (13.09), José Bonfim Alves Santana foi encontrado na cidade de Colinas com uma arma, supostamente utilizada na prática do crime. “Mato Grosso tinha as informações iniciais e nós complementamos com as investigações e localização do suspeito”, declarou a delegada do Tocantins.

Segundo ela, outras importantes parcerias já aconteceram entre Mato Grosso e Tocantins, especialmente em situações de crimes como tráfico de drogas. “Temos uma cooperação muito boa nas investigações de crimes”, disse.

O Secretário de Segurança Pública, Rogers Jarbas, atribuiu o sucesso das investigações do caso à integração entre as unidades da Polícia Civil de Mato Grosso e do Tocantins com a colaboração do setor de Inteligência das Secretarias de Segurança Pública dos dois estados e da Diretoria de Inteligência da PJC-MT.

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O caso

O procurador aposentado do Distrito Federal, Saint Clair Martins Souto, e seu filho, Saint Clair Martins Souto Filho, procurador do Estado do Rio de Janeiro, estavam na fazenda da família, no município de Vila Rica (distante 1.259 km a Nordeste). Eles deixaram de dar notícias à família desde o último domingo (11.09).

Pai e filho teriam ido à propriedade para esclarecer com o gerente da fazenda, José Bonfim Alves Santana, quanto ao desvio de gado da propriedade e sobre o uso de cartões bancários dos patrões para saques.

Em depoimento à polícia, José Bonfim disse que as vítimas foram executadas com um revólver calibre 38, tendo o suspeito matado primeiro o pai. Em seguida, ele chamou o filho para dentro da casa, falando que o pai havia sofrido uma queda, momento em que matou a segunda vítima.

Ainda em interrogatório, o suspeito revelou que, após as execuções, teria enterrado os corpos em uma região próxima à fazenda, que fica a 90 quilômetros da zona urbana de Vila Rica.

O delegado do GCCO, Diogo Santana, se deslocou na manhã desta quarta-feira (14.09) a Tocantins para buscar o preso.

Parceria

A troca de informações entre os setores de Inteligência policial está prevista no Comitê Integrado de Inteligência.

O Comitê foi instalado no dia 1º de julho deste ano, em Brasília (DF), e faz parte de uma articulação mais ampla, chamada de Consórcio Brasil Central Seguro, que reúne forças de Segurança Pública de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Rondônia, Maranhão, Tocantins, Bahia e Distrito Federal.

“Esse trabalho realizado de troca de informações é resultado dessa aproximação que está sendo feita entre as polícias, por meio do Comitê, interligando as ações de Inteligência dos estados”, disse o secretário adjunto de Inteligência da Sesp, Gustavo Garcia.

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O secretário de Segurança Pública, Rogers Jarbas, acredita que integração que existe hoje entre os estados da Brasil Central Seguro é extremamente importante e tem ajudado não apenas investigações de casos de repercussão, mas também em outros casos de crimes como tráfico de drogas, homicídios e demais crimes graves.

“São casos em que a atuação integrada entre os setores de Inteligência da Polícia Civil dos estados envolvidos na Brasil Central Seguro tem trazido resultados eficientes e positivos para todo o sistema de segurança pública”, declarou Rogers.

Nota

Em nota, a Associação dos Procuradores do Estado de Mato Grosso (Apromat) manifestou condolências à família dos procuradores e enalteceu o trabalho da Secretaria de Segurança Pública (Sesp) e Polícia Judiciária Civil, na elucidação do caso.

“Agradecemos a atuação da Secretaria de Estado de Segurança Pública (SESP), que elucidou o desaparecimento dos Procuradores, identificando a autoria do crime, praticado por um dos funcionários da propriedade das vítimas. E as ações empreendidas pela Polícia Judiciária Civil (PJC), em parceria com a Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO) e o Centro Integrado de Operações Aéreas (CIOPAER) para o esclarecimento, em curto tempo, dos fatos ocorridos”, diz trecho da nota.

A Associação Nacional dos Procuradores dos Estados e do Distrito Federal (ANAPE) também se manifestou sobre o crime de repercussão nacional e agradeceu os esforços empregados para solucionar o caso.

“A ANAPE agradece o Governador do Estado do Mato Grosso, Pedro Taques, a equipe de inteligência da Secretaria de Segurança Pública do Estado do Mato Grosso, ao Procurador-Geral do Estado do Mato Grosso, Patryck Ayala, e a presidente da Associação dos Procuradores do Estado do Mato Grosso – APROMAT, Gláucia Anne Kelly Rodrigues do Amaral, ao Governo do Estado do Rio de Janeiro e ao presidente do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil – CFOAB, Cláudio Lamachia, por, desde a primeira hora em que foram contatados, não terem medido os esforços para buscar auxílio, prestar todas as informações possíveis e solucionar o caso”.

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