O mapa político municipal mato-grossense vai apresentar significativas mudanças a partir de janeiro, com a renovação no comando de dezenas de prefeituras. Dos 66 prefeitos candidatos à reeleição, apenas 31 conseguiram ser reconduzidos ao cargo, menos de 50% dos que pleiteavam um novo mandato. Dos 141 municípios, 110 serão administrados por novos gestores ou por ex-prefeitos que se candidataram para retornar ao comando do executivo municipal.

O presidente da Associação Mato-grossense dos Municípios, Neurilan Fraga, disse que o baixo índice de prefeitos reeleitos deve ser atribuído à crise econômica, política e moral que afetou as administrações, reduzindo a capacidade de investimento dos municípios. Muitas obras em andamento tiveram que ser paralisadas e serviços básicos passaram a receber menos recursos, prejudicando a população e consequentemente a administração dos atuais gestores. “Além disso, o país está um grande desmando, com vários casos de corrupção na esfera pública, como o Petrolão, que afeta a credibilidade da gestão pública. O governo federal se envolveu em muitos escândalos e não deu a devida atenção para os municípios, que em sua maioria depende de transferências constitucionais para executar serviços básicos”, assinalou.

Leia também:  Rico e Lázaro | Lior se surpreende com o retorno de Asher à Babilônia

De acordo com a Confederação Nacional dos Municípios, CNM, de cada R$ 10 do orçamento das prefeituras brasileiras, R$ 8,73 são provenientes de repasses estaduais e federais, como o Fundo de Participação dos Municípios – FPM, que constantemente apresenta quedas.  Fraga disse que o atraso e a diminuição no repasse de recursos afetam as finanças municipais, comprometendo o planejamento das prefeituras. “A crise econômica e a queda de receitas preocupam os gestores municipais, principalmente agora que estamos a poucos meses do final de mandato, onde há uma série de compromissos e exigências a serem cumpridas”, assinalou.

Fraga também citou como agravante para as finanças municipais o atraso no pagamento de recursos que já constam no planejamento das prefeituras, como o Auxílio Financeiro para Fomento às Exportações (FEX) e o ICMS. Há um compromisso do governo federal em quitar o FEX ainda este ano.

Leia também:  Coder vira pedra no sapato de Pátio na Câmara de Vereadores

Embora muitos prefeitos não tenham tido sucesso no projeto de reeleição, muitos optaram por nem tentar novo mandato. De acordo com a CNM, dos 5.568 prefeitos brasileiros, 4.024 estão em primeiro mandato, porém 1.830 optaram por não tentar a reeleição, permitida desde 2000. Em Mato Grosso, 19 prefeitos desistiram da disputa. A decepção com o sistema político e com a forma de distribuição dos recursos, que ficam, na maior parte, com a União, pesou na decisão dos gestores.

 

Advertisements

Comentários

*Os comentários aqui publicados são de responsabilidade dos usuários e não representam a opinião do site.