A culinária mato-grossense e tudo o que se relaciona com ela, como os hábitos alimentares regionais, os conhecimentos tradicionais e os ingredientes típicos, a partir de agora serão oficialmente reconhecidos como manifestação cultural.

O avanço será possível graças à aprovação, em segunda votação, do projeto de lei nº 259/2016 de autoria do presidente da Assembleia Legislativa, deputado Guilherme Maluf (PSDB), que estabelece o marco referencial da gastronomia como cultura em Mato Grosso. O projeto foi enviado para redação final e, posteriormente, será encaminhado para sanção do governador.

O estabelecimento do marco referencial da gastronomia mato-grossense como cultura foi proposto com a finalidade de dar visibilidade e fortalecer os modos de vida e as práticas alimentares das populações tradicionais, os saberes, enraizados no cotidiano, e também as atividades produtivas, comerciais, culturais, educacionais e artísticas, que decorrem da relação com a comida, a sociedade e o território.

Para Maluf, o reconhecimento da culinária local como manifestação cultural irá gerar impactos positivos não apenas na alta gastronomia, mas em diversos aspectos ligados ao cotidiano das pessoas.

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“O reconhecimento da nossa culinária como cultura abre possibilidades de investimentos em projetos e pesquisas no setor e pode ser a base para o surgimento de novas iniciativas e políticas públicas relacionadas à gastronomia regional”, destaca o parlamentar.

Como aspectos culturais da gastronomia são apontados no projeto os hábitos alimentares de grupos familiares, imigrantes, povos e comunidades tradicionais; o conhecimento tradicional, popular e científico; as diversas formas de sociabilidade e de transmissão da cultura dos saberes, dos sabores, dos cheiros, da história, da memória e do afeto; a aproximação do local de produção com o local de consumo; a arte expressada na criação de receitas, combinação de ingredientes e apresentação dos alimentos; o compromisso com a saúde, a nutrição, o uso dos recursos naturais e as práticas agrícolas; e a valorização dos ingredientes e insumos alimentares, naturais ou processados, típicos do Estado de Mato Grosso.

Profissionais da área apoiam iniciativa

Desde que foi apresentada, em junho deste ano, a proposta de Guilherme Maluf recebeu total apoio de profissionais, estudantes e admiradores da culinária regional.

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O pesquisador e professor do curso de gastronomia João Carlos Caldeira relata a dificuldade encontrada por profissionais e pesquisadores para financiar projetos e afirma que a aprovação do projeto proposto por Maluf resultará em grandes benefícios para o setor.

“Hoje temos a Lei Rouanet, que financia projetos relacionados à cultura. Então, se eu quero obter recursos para financiar o lançamento de um livro ou para fazer uma exposição, por exemplo, eu consigo. Mas se eu pleitear recursos para projetos ou pesquisas na área da gastronomia, eu não consigo, porque oficialmente ela não é considerada cultura. Se essa lei for sancionada, facilitará a obtenção de investimentos e também de patrocínios e apoios nas esferas pública e privada”, explicou.

O chef de cozinha, pesquisador e consultor gastronômico Fernando Mack dedica-se à realização de pesquisas e experiências com ingredientes regionais e ressalta a importância da valorização dos produtos mato-grossenses. O item foi incluído no texto do projeto com base em uma propositura de sua autoria.

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“O Estado de Mato Grosso é composto por três biomas e isso nos proporciona um leque de sabores muito grande. Temos diversos ingredientes diferentes que são encontrados somente aqui e possuem sabores característicos da região. No entanto, muitas vezes esses ingredientes estão escondidos em algumas comunidades e tribos indígenas, por exemplo. Nesse caso, além de fortalecer a nossa cultura, a valorização dos produtos regionais também pode fomentar financeiramente uma comunidade”, afirma.

Selo

O projeto de lei apresentado por Guilherme Maluf prevê ainda a criação do selo “Gastronomia Mato-grossense é Cultura”, destinado a iniciativas e projetos gastronômicos de promoção da cultura regional, elaborados por organizações públicas, privadas e da sociedade civil organizada, grupos de pesquisa e coletivos. A escolha dos projetos e iniciativas a serem premiados com o selo será feita por votação popular pela internet.

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