Os sete trabalhadores de uma usina hidrelétrica que eram mantidos reféns por índios da etnia Kayabi, na aldeia Kururuzinho, próxima ao município de Alta Floresta, a 800 km de Cuiabá, foram liberados nesta sexta-feira (25). Os indígenas reclamam da contaminação do Rio Teles Pires após um vazamento de óleo na divisa de Mato Grosso com o Pará. O Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais (Ibama-MT) investiga o vazamento.

Por meio de nota, a Companhia Hidrelétrica Teles Pires (CHTP) informou que os funcionários já deixaram a aldeia.

Para liberar os trabalhadores, os índios pediam uma reunião com os ministros da Saúde e da Justiça para a liberação dos trabalhadores.

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Segundo o Ministério Público Federal (MPF), uma reunião entre representantes do Ibama, dos ministérios da Saúde e da Justiça e os índios foi marcada para o dia 5 de dezembro, em Brasília. A mediação foi feita pela procuradora regional de Sinop, a 503 km de Cuiabá, Flávia Cristina Tavares Torres.

A área onde a mancha de óleo foi localizada fica próxima a uma hidrelétrica em construção e de outras aldeias indígenas. Segundo o cacique Tawai Kaiabi, da aldeia Dinossauro, os índios estão revoltados com a poluição e atribuem o vazamento de óleo à construção da hidrelétrica em construção. “Sabemos que a culpa são deles e, por isso, estamos cobrando respostas”, disse Tawari.

Mancha de óleo

De acordo com o Ibama, a mancha de óleo foi avista por equipes que faziam a fiscalização em áreas de desmatamento na região. Os sobrevoos foram feitos para saber a extensão da mancha de óleo. “Era uma mancha única e foi avistada até uns 5 km da barragem da usina”, disse César Soares, responsável pelo Núcleo de Emergência Ambientais do Ibama.
O órgão ainda investiga a origem do óleo. “Não sabemos se a mancha é proveniente da construção da usina ou se foi expelida de balsas garimpeiras da região”, afirmou Soares. A mancha, ainda segundo o Ibama, desapareceu na terça-feira (15). A Polícia Federal também deve apurar o caso.

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Em um vídeo, o cacique relatou a dificuldade de encontrar peixes para o consumo. Em alguns pontos do rio, segundo ele, foram encontrados peixes, um boto e cágados mortos.

A água potável consumida pelos índios tem chegado de barco até as aldeias. Os galões de água mineral foram disponibilizados pela empresa responsável pela construção da hidrelétrica. A medida já era prevista e faz parte de um estudo de impacto ambiental feito pela empresa.

Segundo a antropóloga Fernanda Silva, do Fórum Teles Pires, existem pelo menos 15 aldeias indígenas ao longo do rio.

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