Imagem: Professora Carmem Lúcia apresentando trabalho na II Bienal
Professora Carmem Lúcia apresentando trabalho na II Bienal – Foto: assessoria

Um grupo formado por sete pessoas, entre professores e estudantes, do Programa de Pós-graduação em Educação (PPGEdu) da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Câmpus de Rondonópolis, participou da II Bienal Iberoamericana de Infâncias e Juventudes, realizado no início de novembro na cidade de Manizales, no estado de Caldas, na Colômbia que teve como tema central “Transformações democráticas, justiça social e processos de construção de paz”.

Os pesquisadores difundiram trabalhos que fazem parte de pesquisas que estão sendo desenvolvidas pelo Grupo de Pesquisa Infância, Juventude e Cultura Contemporânea (Geijc) vinculado ao PPGEdu/UFMT/ROO. Além de apresentar trabalhos, os professores coordenaram uma mesa de trabalho sobre Infâncias, Juventudes e Mídia: discursos do corpo, gêneros e sexualidade no contemporâneo. Os professores e estudantes apresentaram artigos que discutem a temática do evento e da mesa idealizada e coordenada pelo Geijc.

Na Bienal, eles assistiram conferências com especialistas renomados da América Latina, trocaram experiências com outros participantes, fizeram oficinas, participaram de reuniões com instituições que pesquisam infâncias e juventudes em diferentes países do continente, relataram informações e experiências sobre suas pesquisas e conheceram programas voltados para crianças e jovens.

Além disso, lançaram no evento o livro intitulado “Gênero, Sexualidade, Diversidade e Educação”. A obra é uma coletânea produzida por pesquisadores do Geijc com outros da UFMT e de outras universidades do Brasil.

Para Raquel Gonçalves Salgado, coordenadora do PPGEdu/UFMT/ROO, a Bienal é um evento de extrema importância, especialmente nesse momento em que o Brasil e outros países latino-americanos estão passando, por mudanças políticas, econômicas, culturais e sociais. “Precisamos olhar mais para as crianças, os adolescentes e os jovens. Mais que isso, precisamos ouvi-los e considerá-los como sujeitos de direitos, pois eles são cidadãos e como tal precisam estar presentes e serem porta-vozes nas discussões que envolvem as infâncias e as juventudes.”

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O protagonismo infantil e juvenil foi um dos assuntos debatidos em palestras, oficinas e cursos realizados na II Bienal. Entender e respeitar que crianças e jovens sejam atores de suas próprias construções de vida é pensar as infâncias e as juventudes para além das necessidades que esses tempos de vida requerem.

De acordo com Carmem Lúcia Sussel Mariano, professora do PPGEdu/UFMT/ROO, as crianças e os jovens são sujeitos que precisam de proteção, mas também de liberdade e respeito. “Os relatos de experiências na Bienal nos mostraram que a garantia da democracia e a construção da paz passam pelo entendimento que temos sobre o conceito de infância e juventude. O caminho das transformações sociais com equidade, respeito e de forma justa só será construído quando considerarmos, desde já, as crianças e os jovens como cidadãos e possuidores de direitos e respeitos. Há muito o que se falar deles. Eles mesmos têm muito a nos dizer sobre o ser criança e o ser jovem na contemporaneidade.”

Outro assunto muito discutido na II Bienal foi a violência que tem gerado exclusão e afeta principalmente as infâncias e as juventudes. Resolver essa situação é um dos desafios da sociedade moderna. E a história da Colômbia é, de acordo com Jaime Pineda Muñoz, exemplo de que há saídas. Na conferência inaugural da II Bienal, o pesquisador afirmou que a resistência através da reconstrução da memória, da justiça social e da esperança tem permitido que a Colômbia trilhe um caminho de resistências que contribuem para novos processos sociais de crianças e jovens de toda a América Latina. Para Pablo Vommaro, da Argentina, o problema da exclusão não é a pobreza, como muito é difundido. As relações sociais que produzem desigualdades é que privam os direitos de todos de terem direitos. “Precisamos pensar na igualdade da diferença”, disse o pesquisador em uma das conferências da II Bienal.

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O mestrando Bruno do Prado Alexandre, do PPGEdu/UFMT/ROO disse que um dos lugares onde essa violência pode ser combatida é na escola. “A diversidade faz parte da constituição do ser humano e das relações humanas. Mas não basta saber que ela existe, temos que respeitar as diversas formas de ser criança, adolescente e jovem. E a escola tem o papel de contribuir na construção de seres humanos que respeitem todas as formas de ser gente.”

Participaram da II Bienal os seguintes professores do PPGedu/UFMT/ROO: Carmem Lúcia Sussel Mariano, Flávio Vilas-Boas Trovão, Leonardo Lemos de Souza, Raquel Gonçalves Salgado. E os mestrandos: Bruno do Prado Alexandre, Julianne Caju e Rayany Mayara Dal Prá.

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A Bienal – A cidade onde a II Bienal Iberoamericana de Infâncias e Juventudes foi realizada, Manizales, é localizada no eixo do café colombiano. E por uma semana transformou-se na capital cultural e acadêmica da América Latina com a participação de 1.5 mil pessoas. Destas 80 eram do Brasil. Mais de mil trabalhos foram apresentados nas 74 mesas de trabalho e 25 banners foram expostos durante o evento. Os pesquisadores brasileiros apresentaram 74 trabalhos de pesquisa. Os da UFMT, Câmpus de Rondonópolis, difundiram 11 trabalhos de pesquisa. Além de apresentação de artigos, teve também na II Bienal exposições fotográficas, rotas de experiências pelas comunidades da cidade, performances artísticas e rodas de conversas entre os participantes do evento. Uma carta manifesto foi escrita por diversas pessoas durante o evento e lida no último dia da Bienal.

O objetivo do documento foi reconhecer a importância da integração dos países latino-americanos em prol das infâncias e juventudes, posto que a Bienal tem sido uma experiência fundamental para a instalação de vários diálogos e propostas renovadoras. O documento é endereçado para formuladores e operadores de políticas públicas, para acadêmicos e pesquisadores, para docentes e instituições de ensino, para grupos e organizações para crianças e jovens, para organizações nacionais e internacionais. Ao final da carta, há um convite para que todos trabalhem em conjunto para melhorar a qualidade de vida das crianças, das meninas e dos meninos, dos jovens da América Latina e do mundo.

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