Bom dia, boa tarde, boa noite, boa madrugada para vocês nossos leitores, final do ano chegando, tantas coisas feitas, tantas coisas a fazer, esperamos sinceramente que Deus tenha abençoado tremendamente o ano de vocês e que muitas coisas melhores ainda estão por vir.

Esta semana meu contato com as autoridades foi intenso, estive na presença do Dr. Vladimir Perry, juiz de quem eu sou crítico e já fiz considerações públicas muito respeitosas, mas críticas duras, quem critica tem também que saber elogiar, minhas pesquisas mostraram que esse juiz, que eu sempre reputei excessivamente, antes mesmo do Supremo Tribunal Federal (STF) pacificar a questão da possibilidade da desclassificação da Hediondez do Crime de Tráfico de Drogas na modalidade privilegiada (dar uma pena menor e não cadeia direta para a pequena “mula” que trabalha no tráfico, sem nenhuma importância para a organização criminosa).

Antes mesmo do STF dizer esse juiz já aplicava esse conceito o que é louvável, de nada adianta trancar esses pobres miseráveis se no outro dia a organização criminosa já os substituem, por alguém ainda mais jovem ou outro qualquer.

Estive também na presença do promotor, Cesar Danilo, este a quem eu sempre devotei forte sentimento de suspeita, por achar que suas abordagens no Facebook sobre o Tribunal do Júri impediam um julgamento isento pela comunidade, ao me deparar com ele, como sua parte adversária, pude ver forte preparo, o que era esperado, mas também me alegrou o coração que suas perguntas as testemunhas foram amplas analisando outras possibilidades e não apenas tentando condenar o suspeito.

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Digo isto, porque essa semana devido ao caso do senador Renan Calheiros, no feriado do dia da Justiça, comemorado em 8 de dezembro, e por tudo o que o país está passando vem forte o sentimento que não há justiça no Brasil.

Mas o que é justiça?

Penso que com toda a pretensão do mundo posso passar aos senhores exatamente o que é justiça, e ao aprendermos a diferenciá-la nas suas duas formas, (isso mesmo duas formas) a indignação seja menor, e possamos compreender melhor o momento do país.

Primeiro é importante que vocês entendam o momento histórico, o que está acontecendo, nesse exato período. Nesse momento, está acontecendo uma revolução, ou tentativa de revolução, por parte de agentes do Ministério Público e Juízes, que é a tentativa de implantação de algo chamado Realismo Jurídico, nessa modalidade, o papel dos políticos na elaboração das leis diminui muito porque a lei passa a ser o que o judiciário diz que a lei é, e não a vontade do  legislador (políticos), assim se uma lei diz que  um pedaço de pano é verde e o Judiciário diz que é vermelho, mesmo sendo absolutamente diferente do que o legislador queria ( verde) e o resultado não ter sido a vontade dos políticos e sim a vontade dos juízes, valeria a vontade dos juízes.

O Realismo Jurídico tem enfurecido os políticos, porque cria uma superclasse, que não estaria limitada por nada a não ser por seus próprios conceitos do que é certo e do que é errado, nisso os políticos estão tentando criar leis, que seriam aplicadas pelos próprios juízes, e fiscalizadas pelos próprios promotores para que os próprios promotores e juízes não pudessem interpretar a lei como eles bem entenderem.

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Pronto, esta criado a guerra entre políticos e aqueles que dizem representar a justiça para ver quem fará as leis de verdade de agora em diante, se os políticos, ou se os promotores e juízes aplicarão as leis conforme suas convicções, sem consequências práticas, caso cometam algum abuso (mera divergência de interpretação, segundo muito deles).

E então entre essas pessoas que odiamos, os políticos, e essas pessoas que aprendemos a admirar, os juízes e promotores, mas muito suspeito que a lei é o que eles dizem que é, onde está a justiça?

No português, apesar de ser uma linguagem complexa, ela ainda é muito simples perto dos idiomas clássicos latim e grego, portanto algumas palavras foram simplificadas no português, o que as vezes causam confusão, no grego há duas palavras para amor, um amor de amigo, outra amor carnal, por isso, é mais fácil dizer em grego eu te amo para um amigo, porque a palavra amor usada não deixaria dúvida sobre que tipo de amor estávamos falando.

Em Grego e latim também há duas palavras para justiça, vamos usar o grego que é mais antigo, as palavras são Thémis e Díke e é ai que os senhores aprenderão exatamente o que é justiça.

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Themis é a justiça quando ela aconteça de maneira divina, quando o próprio Deus age, quando você sente que Deus agiu na sua vida dando o que você merecia, ou o que outro merecia, seja bom ou mal.

Díke é quando alguém mais forte age, decidindo algo e ele é tão mais forte que nem precisa manifestar violência, porque os outros não ousam desafiá-lo.

Isso é justiça, ela pode vir do além como um sentimento, ou pode ser uma decisão de alguém muito forte, que não tenham adversários, alguém superpoderoso, o fato de dizermos que não há justiça no Brasil é porque confundimos o significado de Justiça com a primeira palavra, Thémis, um tipo de justiça divina, correta, esta não podemos esquecer não é aplicada pelos homens e sim pelo próprio Deus e se aos nossos olhos a justiça tarda, saiba que ela nunca falha.

Agora nós temos que entender que a justiça dos homens, Díke, é falha, não é nem boa nem má, é baseada em uma força, e ela migra de figura, a justiça as vezes é o policial militar, que é o superpoderoso em um momento, depois a justiça já é o delegado que é o superpoderoso em outro momento, depois o promotor que é o superpoderoso em outro momento.

Saiba que a justiça humana é a que é capaz de impor uma vontade por ser tão mais forte que os outros não a desafiarão, não importa se é o juiz, promotor político, policial militar ou banqueiro.

 

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