Desde abril de 2014, o Estado de Mato Grosso não registra nenhum roubo a banco, na modalidade conhecida por “Novo Cangaço”. Os crimes estão caminhando para extinção no Estado e o motivo é a forte atuação das forças de Segurança Pública, na prisão de membros e lideranças dos grupos de assaltantes que se autodenominam “cangaceiros”.

Esses crimes praticados por quadrilhas fortemente armadas, que invadem as agências bancárias do interior, fazendo moradores reféns, ameaçando e enfrentando policiais, não têm ocorrido nos últimos dois anos e quatro meses. Mas outra vertente de roubo a banco, menos danosa e equipada, ganhou força no ano de 2016, a modalidade denominada “Vapor”.

A modalidade foi logo combatida, com prisão de grupos criminosos que agiram em 17 dos roubos a bancos, de um total de 21 praticados no Estado, dos quais 19 foram classificados como “vapor” – nome dado a ação rápida dos bandidos, que agem no calor da situação, demorando uma média de 5 minutos para consumar o assalto.

Conforme o delegado titular da Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO), Flávio Henrique Stringueta, no caso dos roubos “Novo Cangaço”, houve melhoria nas investigações da Polícia Judiciária Civil e a atuação especializada dos policiais do Batalhão de Operações Especiais (Bope) da Polícia Militar, durante as buscas em áreas de mata, passaram a ser referência nacional. E isso, segundo ele, já vem ocorrendo nas investigações dos roubos denominados “vapor”.

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“Essa repressão especializada refletiu na diminuição dos roubos Novo Cangaço. Também acreditamos que as quadrilhas migraram para os defensivos agrícola, devido ao custo-benefício da ação do roubo novo cangaço, que têm um investimento alto. Eles precisam alugar armas, ter mantimentos no mato e o risco de prisão e morte é muito maior, enquanto que nos defensivos a pena é de furto e o ganho na ação passa de milhões”, analisa o delegado titular do GCCO, Flávio Henrique Stringueta.

O último registro de Novo Cangaço foi o roubo a agência do Banco do Brasil do município de Nova Maringá, em 23 de abril de 2014, de onde levaram cerca de R$ 500 mil. O crime foi totalmente esclarecido com 10 bandidos identificados e presos em operação do GCCO.

O delegado também destaca o aprimoramento dos policiais nas técnicas investigativas. “Com o passar do tempo nossos policiais se aperfeiçoaram nas técnicas e nos informações dos fatos. Estão mais especialistas na área de atuação”, concluiu Stringueta.

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Vapor

Praticados por grupos pequenos de bandidos, que entram na agência se passando por clientes, às vezes usando uniformes e portando até armas de brinquedos, os bandidos do “vapor” agiram em 19 agências bancárias usando a técnica criminosa.

“São bandidos que agem no calor da situação e são dinâmicos na ação. Geralmente 2 a 3 entram no banco, rendem primeiramente os vigilantes e levam apenas o dinheiro dos caixas”, explica o delegado.

Foram 10 roubos praticados em Cuiabá, 1 em Várzea Grande, 2 em Sinop, 1 em Lucas do Rio Verde, 1 em Sorriso, 1 em Barra do Bugres, 1 Rondonópolis, 1 Pedra Preta. Também foi registrado um roubo na modalidade “Sapatinho” – quando os criminosos rendem a família do gerente do banco – na cidade de Novo São Joaquim (485,5 km a Leste). O crime foi esclarecido.

O roubo ocorrido na cidade de Novo Mundo, no dia 4 de novembro, à princípio, foi considerado “Novo Cangaço”, mas depois revelado que se tratava de um roubo tradicional, em emprego de bandidos da região. O assalto segue em investigação e caminha para esclarecimento.

Conforme dados do GCCO, em pelo menos 11 das ações registradas os bandidos também levaram a arma dos vigilantes. As investigações apontam que em algumas dessas situações os bandidos portavam armas de brinquedo, para passar pela porta giratória sem ser barrado.

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“Numa das quadrilhas que derrubamos, eles usaram uniformes da CAB e da Prefeitura. Isso diminui a resistência do vigilante, que acaba liberando as portas. Tivemos casos que usaram arma de brinquedo, que naquele calor, o vigilante não distingue e aí ele é desarmado e passa o bandido a estar armado”, explicou o delegado.
Caixas Eletrônicos

Os caixas eletrônicos se mantiveram estáveis no ano de 2016. Foram 23 ataques em terminais de autoatendimento, instalados em agências bancárias de municípios de Mato Grosso, contra 35 arrombamentos registrados em 2015.

Assim como no ano passado, na maioria das ações os bandidos não tiveram êxito em levar o dinheiro, causando apenas prejuízo patrimonial ao estabelecimento bancário ou comércio. Foram 16 tentativas, sem sucesso, com uso de explosivos, maçarico ou disco de corte para metal ou aço.

“Devemos isso a inexperiência das quadrilhas. Outro ponto que consideramos é a diminuição dos caixas eletrônicos, que hoje estão centralizados em locais com mais segurança. Isso dificulta”, destaca Flávio Stringueta.

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