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Foto: Reprodução

Mais de 150 mil estudantes da rede estadual de ensino se beneficiaram este ano com o Projeto Interdisciplinar de Arte na Escola (Prinart), realizado pela Secretaria de Educação, Esporte e Lazer (Seduc) com o objetivo de utilizar a arte para incentivar o estudo, a permanência na escola e, é claro, desenvolver novos talentos.

O Prinart oferece atividades de música, desenho, pintura, entre outras, aos estudantes de 176 escolas da rede estadual de ensino, distribuídas em 59 municípios.

“O estudante fica muito mais produtivo e participativo, adquire noção de conjunto, respeito e ética, valores muito trabalhados nessas atividades”, analisa Guilherme Luís Costa, representante do Prinart dentro da Coordenadoria de Projetos Educativos da Seduc.

Na Escola Estadual Júlio Strubing Muller, em Várzea Grande, 42 alunos são beneficiados com aulas de violão. Valéria de França Silva, que cursa o 3º ano do ensino médio, está nessa turma desde o início do projeto, há dois anos. Ela acabou de fazer o Enem e pretende cursar Arquitetura e Urbanismo. Estudar música, porém, sempre foi um sonho – e a oportunidade de aprender a tocar violão e de cantar, além de ajudar a melhorar a voz, encorajou-a a compor.

“Quando a gente entra no projeto, temos mais prazer em estar na escola e na sala de aula, porque, quem participa do Prinart, precisa ser bom aluno, ter uma ótima frequência e boas notas. É um projeto que faz os alunos se interessarem e se comprometerem com a escola. Estou triste por estar saindo do projeto, mas quero que mais alunos venham a participar, porque é transformador”, disse Valéria.

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Patrick Bryan do Prado Brandão também está há dois anos na turma de violão. “Eu não tinha envolvimento com a música e só tive interesse depois que conheci o projeto; hoje, a música é uma das coisas mais importantes da minha vida”, afirma.

Para o professor do Prinart, Carlos Renato Leite, “o projeto é importante para a comunidade escolar, pois os alunos que participam deixam de estar nas ruas, aprendem a tocar um instrumento e melhoram o comportamento na sala de aula”.

A EE Dione Augusta Silva Souza, localizada no bairro CPA 4, em Cuiabá, oferece aos estudantes duas atividades do Prinart: o balé coreográfico e a banda, mais conhecida como Banda Musical Dione Augusta (Bandi). A banda conta com 42 componentes e o corpo coreográfico com 18, sendo 12 ex-alunos.

Vânia Sales terminou o 3º ano em 2007; hoje, aos 26 anos, é professora de educação física da rede municipal e afirma que fazer parte do corpo coreográfico da Escola Dione Augusta é uma satisfação. “Quando entrei no corpo coreográfico, me apaixonei. Nesses mais de 10 anos, precisei sair, mas há cinco anos retornei e não larguei mais. Ver essa meninada se envolvendo com a escola é maravilhoso, porque a banda é um complemento do estudo, pois para entrar tem que ter boas notas e ser assíduo”, analisa.

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Acompanhamento

O professor Josemar Augusto Castro da Silva é o instrutor da banda e também um ex-aluno que seguiu com sua paixão. Ele conta que há uma relação de amor tão grande com a escola, com a banda e com o corpo coreográfico, que muitos ex-alunos seguem no projeto trocando experiências com os mais novos.

“Através da música, o projeto visa a atrair aquele aluno tímido e fechado, para que ele seja mais participativo e tenha mais presença em sala de aula. Para entrar na banda, o aluno precisa ter interesse, melhorar as notas e não faltar às aulas. E nós acompanhamos esses alunos de perto”, explica.

A estudante do 1º ano, Helena Darling Moura de Andrade, entrou em setembro na banda e está aprendendo a tocar trompete. Ela conta que nunca havia tido experiência com a música e queria aprender coisas novas para ocupar o tempo livre. “A minha rotina mudou; estudo no horário da tarde e, depois das aulas, às segundas, quartas e sextas, a gente tem aula com o professor da banda e ainda pratico em casa. Depois que entrei no projeto, percebo que sou uma aluna melhor, pois passei a ser mais dedicada, tanto na banda quanto na sala de aula”.

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Projeto que inspira

O Prinart se baseia na convicção de que a arte na infância e na adolescência é fundamental para o desenvolvimento, pois dá oportunidade de experimentar, aprender, superar desafios e interagir com outras pessoas de forma lúdica.

O projeto oferece treze atividades artísticas: baliza/balizador, banda escolar, canto/coral, corpo coreográfico/pavilhão de bandeiras, dança, fanfarra/percussão, instrumentos artesanais com materiais reciclados, instrumentos com cordas, instrumentos de sopro, instrumentos com teclados, música/musicalidade/grupo musical, pintura/desenho/ artesanato/escultura e teatro.

“A arte trabalha a percepção das crianças e jovens, coordena expressões e os ajuda a compor e a compreender o mundo, desenvolvendo talentos e oferecendo outras perspectivas”, analisa Guilherme Costa.

Em dois anos, o Prinart promoveu maior engajamento dos alunos envolvidos, aumento da frequência escolar e maior envolvimento da comunidade na escola, além de incentivar a cidadania digital ao fortalecer o aproveitamento das mídias e dispositivos digitais de forma pedagógica e consciente.

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