Imagem: eclipse solar
Foto: ilustrativa

Na manhã do domingo de Carnaval, dia 26 de fevereiro próximo, ocorrerá um eclipse solar parcial no Brasil que será visível em algumas regiões – desde que as condições climáticas permitam.

Um eclipse solar ocorre quando há um alinhamento (ou quase) entre a Terra, a Lua, e o Sol, e a Lua – na fase nova – posiciona-se entre a Terra e o Sol obstruindo a passagem da luz solar e produzindo uma sombra numa pequena faixa da superfície terrestre.

O eclipse solar de 26 de fevereiro será do tipo anular (ou, anelar), quando o tamanho aparente da Lua não permite que o Sol fique totalmente encoberto.  Nesse caso, as bordas da superfície solar não ficam escurecidas e brilham circundando um disco escuro. Por que então dizemos que haverá um eclipse solar parcial – quando apenas uma região da superfície solar é observada obscurecida (ou, escurecida)? Porque no Brasil somente parte do eclipse solar anular poderá ser observado, produzindo “apenas” um eclipse solar parcial.

As cidades brasileiras ao sul estarão favorecidas na observação desse eclipse solar. Em Porto Alegre o obscurecimento do disco solar será de 56,1%; em Florianópolis, 50,9 %, enquanto que em Cuiabá, o Sol estará apenas 8,6% escurecido, ou seja, apenas uma pequena faixa do Sol ficará escura.

Cidades mais ao norte do país como Manaus, Belém, Rio Branco, Macapá, Porto Velho, Boa Vista – entre outras – não poderão observar esse evento.

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Em Mato Grosso, cidades ao norte, como Guarantã do Norte, também não poderão observar esse eclipse solar. Em Guarantã do Norte o Sol estará obscurecido minimamente, 0,2%, o que na prática é zero. Mas, os habitantes dessa cidade poderão observar uma faixa de 9,1% de obscurecimento do Sol na tarde de 21 de agosto deste ano, quando ocorrerá um outro eclipse solar parcial. O eclipse solar parcial em agosto será observável, principalmente, na região norte e nordeste do nosso país, mas, também será visível em algumas localidades do Centro– Oeste e Distrito Federal.

Para um eclipse solar o horário do início, do máximo, e do término, devem ser feitos para cada localidade.  Entretanto, pode- se estimar um valor médio para uma região próxima.

Abaixo estão descritas informações sobre os horários do eclipse solar parcial para algumas cidades de Mato Grosso em ordem decrescente de obscurecimento do Sol. Como em Mato Grosso apenas uma pequena faixa desse obscurecimento será visível, e, como a observação solar é extremamente perigosa sem material adequado – conforme será comentado abaixo – aconselho os interessados – que tiverem equipamento apropriado – a observarem o eclipse solar próximo ao horário máximo. Os dados com precisão em minutos são mais do que suficientes paras as informações sobre esse evento astronômico, com variação de um minuto.  As cidades marcadas com um * estão localizadas na região do Araguaia e seguem o horário de Brasília. Quem for observar o evento deve olhar para o lado direito do disco do Sol.                      

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Cidade Início Máximo Fim Obscurecimento
Barra do Garças* 10h18min 11h23min 12h31min 12,2%
Rondonópolis 9h12min 10h15min 11h21min 11,6%
Barão de Melgaço 9h11min 10h11min 11h14min 10,0%
Primavera do Leste 9h16min 10h17min 11h20min 9,8%
Cuiabá 9h14min 10h11min 11h11min 8,6%
Chapada dos Guimarães 9h15min 10h12min 11h13min 8,5%
Água Boa* 10h27min 11h26min 12h27min 8,2%
Ribeirão Cascalheira* 10h34min 11h29min 12h25min 6,3%

          

CUIDADO: A observação de um eclipse do Sol sem um filtro solar apropriado pode queimar a retina e causar cegueira, ou, a destruição do campo visual. Quem não tiver um equipamento adequado não deve observar o fenômeno! Jamais use telescópios, binóculos e máquinas fotográficas sem um filtro solar para a observação de qualquer evento relacionado ao Sol.

Não use óculos escuros, óculos 3D, radiografias, filmes fotográficos sobrepostos, CDs, vidros negros fumados. E se alguém já tiver visto óculos parecidos com os 3D na observação de eventos solares, saiba que, na verdade, esses são óculos com filtro solar feitos de cromo e alumínio. Parecem, mas não são, óculos 3D.

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A utilização de um filtro solar apropriado para telescópios – mesmo para quem não tem um – permite que a observação solar seja feita com segurança. Existem diversos filtros solares à venda na internet, desde os mais caros até os mais baratos, e que podem ficar mais em conta se forem comprados por um grupo de amigos interessados no evento. Uma outra opção para a observação direta do disco solar – citada por vários sítios de divulgação de Astronomia – é a utilização de um vidro de máscara soldadora número 14, no mínimo. Mas, mesmo com um equipamento apropriado, não se deve observar o Sol por mais de 15 segundos por vez e é necessário intercalar mais de um minuto entre as observações.

Existem métodos indiretos da observação solar que são seguros, entre eles, a projeção da luz solar através de um buraco (“pinhole”) e a projeção dessa luz por reflexão. Na rede há diversos sítios mostrando essa técnicas.

Que as condições climáticas nos permitam observar esse evento astronômico, mas, com as devidas precauções de segurança.

Agradecimento: Os horários locais para o eclipse solar parcial foram obtidos utilizando o programa de Fred Espenak e Chris O’Byrne (NASA’s GSFC).

Texto: Telma Cenira Couto da Silva – doutora em Astronomia (IAG – USP) e professora aposentada da UFMT

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