Imagem: Heloisa Faissol
Foto: reprodução

A vida de Heloisa Faissol foi uma ampla experiência antropológica e social. Nascida em família da elite carioca e criada numa mansão no Alto da Boa Vista, ela transitou pelas artes plásticas, moda e pelo mundo dos bailes funk.

Encontrada morta aos 46 anos no apartamento que morava no Rio, na noite dessa quinta-feira (2), ela deixou um filho de 19 e inúmeras polêmicas e declarações bombásticas como legado.

Ex-participante do reality show A Fazenda, no qual chegou até a reta final, Heloisa era conhecida entre os amigos por confrontar valores tradicionais e o próprio pai, o dentista Olympio Faissol, requisitado por famosos e até pelos ex-presidentes Fernando Collor e Fernando Henrique Cardoso.

Em uma autobiografia lançada em 2012, explicou porque rompeu com familiares, além de revelar detalhes sórdidos e obscuros da elite carioca.

Em um dos capítulos, ela revela que sofreu assédio aos 12 anos quando realizou um curso de férias no Manège (espécie de hípica particular). Heloisa conta que era orbigada a lavar os pênis dos cavalos e a assistir filmes pornográficos com um dos professores.

De acordo com explicações dadas em entrevistas concedidas na época da divulgação do livro Do Luxo ao Lixo, essas experiências teriam causado traumas psicológicos que até hoje refletiam na personalidade dela.

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Em suas declarações polêmicas nas páginas da publicação, Helô sempre deixou claro sua aversão à alta sociedade, que para ela era “podre” e uma “farsa”. Não à toa, era persona non grata nesse círculo social e vivia afastada desse ambiente nos últimos anos e próxima dos bares do Morro da Providência, no centro do Rio.

Com o pai e os irmãos, Heloisa vivia um relacionamento complicado. Quando ela decidiu largar o mundo das artes plásticas e da moda para virar funkeira, foi a gota d’água para os parentes.

Com o pseudônimo de Helô Quebra Mansão, lançou músicas como o hit Dou Pra Cachorro, além de realizar inúmeros shows em bailes da perfieria e de morros cariocas. Mas desistiu quando percebeu que para viver de música teria que abrir mão de certos valores e trocar o dia pela noite, o que ela não concordava. Além disso, os cachês não condiziam com o que a socialite imaginava e o sonho de ser a primeira funkeira proveniente da elite logo foi abandonado.

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A única parente que ainda falava com Helô nos últimos anos era Claudia. A irmã também é dona de polêmicas que abalaram a família Faissol. Ela ficou conhecida por ter um filho fora do casamento com o cantor João Gilberto, em 2004. Foi um verdadeiro escândalo quando o romance secreto com o criador da bossa nova foi revelado na imprensa.

À época, ela era casada com o empresário Eduardo Zaide. Ele só descobriu a infidelidade e que não era o pai da criança ao pedir um exame de DNA. Os encontros entre João e Claudia aconteceram principalmente no Japão, durante uma turnê. Desde então, os vínculos entre Claudia e Eduardo foram cortados e a pequena Luisa frequenta diariamente a casa do pai biológico.

Mas se por um lado Claudia teve um romance real com um dos maiores nomes da MPB, Heloisa tinha uma verdadeira paixão não correspondida por Chico Buarque. Ela chegou a ligar para o músico diariamente durante um período e ir até a casa dele apenas para beijar a porta por onde ele entrava em casa. Após um jogo de futebol, Heloisa esperou o compositor em cima do capô do carro dele e disse que só descia com uma condição: se recebesse um beijo.

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Por meses, Helô subornou garçons de bares do Leblon para que ligassem caso o músico aparecesse. “Eu ligava tanto, e ele me atendia sempre, até o dia em que falou: ‘Pô, Helô, assim não dá! Eu preciso trabalhar!'”, contou ela em entrevista à coluna de Mônica Bérgamo, no jornal Folha de S. Paulo.

A socialite teve apenas um filho, José Artur, com o dentista René Gerdes, que trabalhou com o pai dela. Os dois chegaram a brigar na Justiça pela guarda do menino quando ele tinha 15 anos. José escolheu morar com o pai naquela época, o que Heloísa contestou judicialmente, mas sem sucesso. Apesar disso, ela podia visitá-lo quando quisesse e a realação era boa. Atualmente com 19 anos, foi o própio filho que encontrou a mãe morta na cozinha do apartamento que vivia no Flamengo, área nobre da zona sul carioca.

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