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Delegada Ana Paula de Faria Campos, da Delegacia Especializada de Defesa da Mulher, da Criança e do Idoso de Várzea Grande – Foto por: Ascom/PJC-MT

O número de casos registrados de violência envolvendo mulheres e vítimas menores de 18 anos vem aumentando desde 2014 em Mato Grosso. Por sentimento de vergonha ou medo, por muitos anos, boa parte dessa violência não era levada até o conhecimento da polícia. Mas esse cenário está mudando.

Dados da Coordenadoria de Estatística e Análise Criminal da Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp-MT) apontam que, em 2016, foram registradas 43.804 mil ocorrências envolvendo vítimas femininas de 18 a 59 anos em Mato Grosso. Já em 2015, foram 34.720 mil e em 2014 foram 29.229 mil registros.

Em relação às vítimas menores de 18 anos, em 2016, foram 10.645 mil ocorrências registradas no Estado. Em 2015 foram 8.493 mil casos e 7.451 casos em 2014.

Em todos os anos citados, as ocorrências mais registradas com vítimas femininas e menores de 18 anos foram de ameaça, com 55.016 mil casos registrados na somatória dos anos de 2014, 2015 e 2016, seguido de lesão corporal com 31.107 mil registros, também na soma dos três anos.

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No crime de estupro foram 227 registros em 2016, de vítimas femininas de 18 a 59 anos. Na mesma faixa etária foram levados até a polícia 22 casos de estupro de vulnerável e 151 de estupro tentado.

Em relação às vítimas menores de 18 anos, em 2016, foram registrados 174 casos de estupro e 264 tentativas de estupro. O que mais chama atenção são os casos de estupro de vulnerável, que teve 942 registros.

A delegada Ana Paula de Faria Campos, da Delegacia Especializada de Defesa da Mulher, da Criança e do Idoso de Várzea Grande, atribui o número expressivo de registro de estupro de vulnerável às informações de esclarecimento sobre crimes sexuais, que vem alcançando um maior número de crianças e adolescentes.

“Hoje as crianças e adolescentes estão recebendo mais informações nas escolas, por meio de palestras e cartazes, de como se prevenir de crimes sexuais. São informações educativas para que elas possam compreender em quais situações elas podem se encontrar em risco sexual”, disse.

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Segundo a delegada, muitas pessoas chegam hoje na delegacia dizendo que percebeu mudança no comportamento do filho ou neto, depois de terem visto um cartaz educativo ou recebido alguma orientação. Com essa informação, identificaram que essas crianças ou adolescentes estavam sofrendo algum tipo de abuso sexual.

“Então, a questão educativa e de orientação, tem ajudado no esclarecimento das pessoas e levado às vítimas a procurar ajuda”, acredita Ana Paula.

Para a delegada, outros fatores também estão contribuindo para que as vítimas femininas e menores de 18 anos estejam procurando ajuda nas redes de proteção.

“Hoje temos um número maior de Delegacias Especializadas de Defesa da Mulher no Estado. Isso também contribui para o aumento do registro desses crimes, uma vez que a demanda que estava reprimida começou a aparecer”, destacou a delegada.

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Fora isso, segundo Ana Paula, a confiança da população nos órgãos de Segurança Pública está aumentando.

“As vítimas estão perdendo o medo de procurar a polícia. O conhecimento da Lei Maria da Penha, o esclarecimento de como funcionam as delegacias e toda a rede de proteção para esse tipo de violência, estimulam as vítimas a procurar ajuda e a denunciar seu agressor ”, falou.

A maior parte dos agressores nos casos de violência contra mulheres, crianças e adolescentes são pessoas muito próximas, como parentes e amigos. Por isso, a vítima muitas vezes não tem coragem de ir às delegacias ou procurar ajuda.

A delegada alerta que em casos de violência sexual, a vítima pode comunicar qualquer órgão da rede de proteção, serviço de saúde, delegacia, conselho tutelar (se for menor de idade), para os procedimentos iniciais, que devem ser feitos no máximo em até 72 horas.

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