O ex-governador do estado do Mato Grosso Silval Barbosa (PMDB), deverá depor dia 16 de maio o que pode ser sua primeira audiência após firmar acordo de colaboração premiada com o Ministério Público Estadual (MPE-MT).

O depoimento de Barbosa é referente a quarta fase da operação “Sodoma”, que investiga uma desapropriação fraudulenta da área que corresponde ao bairro “Jardim Liberdade”, feita pelo Governo do Estado, e que teria gerado um prejuízo de R$ 15,8 milhões aos cofres públicos.

De acordo com informações de bastidores do Ministério Público dão a entender que Silval Barbosa, já está prestando há vários dias depoimentos reveladores aos promotores e procuradores sobre esquemas de corrupção no seu Governo. Porém, o depoimento de 16 de maio será a primeira declaração “pública” do ex-governador após os boatos de delação premiada se intensificarem a partir de março, quando foi alvo pela 5ª vez de um mandado de prisão de preventiva.

Segundo informações, o acordo de delação tem sido costurado pelo advogado Délio Lins e Silva, que tem escritório no Distrito Federal, e assumiu recentemente a defesa do ex-governador. Desde sua prisão, em setembro de 2015, a banca jurídica de Silval é liderada pelos advogados Ulisses Rabaneda e Valber Mello, em Mato Grosso, e nas instâncias superiores por Antônio Carlos de Oliveira Castro, o “Kakay”.

Leia também:  Rezende busca construção de complexo da Politec na cidade

Lins, explicou que já atua na defesa do ex-governador em parceria com “Kakay”. Porém, ele nega a intenção de fazer um acordo de colaboração premiada.

Nos bastidores, se comenta que Silval não poupará nenhum dos poderes constituídos e que ele já teria declarado que, quando assumiu o Governo do Estado, em abril de 2010, foi obrigado a manter um esquema de corrupção iniciado em 2003 pelo então governador Blairo Maggi (PP), atual ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.

A posição oficial do ex-gestor, porém, é negar a mudança de estratégia, incluindo a possibilidade de colaboração premiada com o MPE, que mesmo se realizado, ainda precisa passar pelo crivo da juíza da Sétima Vara Criminal, e que conduz os julgamentos da “Sodoma”, Selma Rosane Santos Arruda. Uma fonte ligado ao MPE-MT teria dito que a delação do ex-governador vai vingar e que ele trouxe ”luz aos fatos”, consolidando pontos cruciais da nossa investigação.

Leia também:  Após 30 anos de espera, região do Jardim Atlântico recebe rede de esgoto

Silval teria levado aos promotores e procuradores áudios e vídeos comprovando a veracidade das informações prestadas. Nos vídeos, ele compromete autoridades dos mais variados poderes. Em um deles, efetua pagamento em espécie para um ex-membro da Assembleia Legislativa do estado.

DEVOLUÇÃO E SOLTURA

Um dos entraves para o acordo de colaboração premiada, a devolução de recursos, também já teria sido solucionada entre o ex-governador e o Ministério Público. Silval teria se comprometido a devolver R$ 250 milhões aos cofres públicos.

Do montante, 50% seria através de bens e 50% em dinheiro, parcelados em até 48 meses. Em troca da “colaboração” e da devolução do dinheiro, o ex-governador seria beneficiado com a redução de 2/3 das penas referentes a operação.

Leia também:  Adonias convida diretoria da Energisa para explicações sobre quedas de energia

Além disso, deve deixar o Centro de Custódia de Cuiabá (CCC) logo após a primeira confissão em juízo e passar a cumprir prisão domiciliar. O acordo prevê que, em 2019, o ex-governador será submetido ao regime semi-aberto.

A partir de 2021, ele passa a cumprir eventual condenação em regime aberto. A opção pela delação premiada ganhou força após o ex-governador sofrer sucessivas derrotas jurídicas na tentativa de responder aos processos em liberdade.

O ex-governador tinha como esperança anular todas cinco fases da investigação no Superior Tribunal de Justiça (STJ) com a alegação de que Selma Arruda havia extrapolado suas funções ao ouvir delatores na fase investigatória dos processos. No entanto, os ministros da Sexta Turma do STJ mantiveram as investigações por 4 a 1 no último dia 09 de março. Dias antes, ele foi alvo de um novo mandado de prisão, na 5ª fase da “Operação Sodoma”, acusado de receber propina do “Posto Marmeleiro”.

 

Advertisements

Comentários

*Os comentários aqui publicados são de responsabilidade dos usuários e não representam a opinião do site.