11 de maio de 2021
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    Incubus teve de ‘reaprender a ser banda’ para fazer novo disco com Skrillex, diz vocalista

    Imagem: incubus
    Foto: Reprodução

    “Estar numa banda é, muitas vezes, como uma família, entende?” Não exatamente… “Nós meio que tentamos, juntos, criar filhos. Queremos que nossos filhos sejam felizes e que afetem o mundo de um jeito bom. Mas, às vezes, podemos esquecer como fazer isso…”

    O Incubus, por exemplo, tinha esquecido. Quem admite é o próprio vocalista, Brandon Boyd, em entrevista: “Acho que precisávamos mesmo esquecer, para então termos a oportunidade de lembrar de novo”.

    Pode soar contraditório, mas de repente faz todo o sentido do mundo para o cantor, que no fim das contas está mesmo é explicando a história por trás do oitavo e mais recente disco do quinteto, “8”, que acaba de sair.

    O álbum foi coproduzido e mixado pelo solícito Skrillex, “mago” do dubstep, que mostra uma vez mais não ter restrições no quesito parcerias e vem colaborando com artistas de gêneros nada a ver uns com os outros (Justin Bieber incluso).

    Brandon Boy ‘vibe’ tranquilão

    Conhecido pelas performances e vocais intensos (às vezes, até meio desesperados), que ele gasta alternadamente entre faixas pesadas e baladas, e ainda pelo tipo de galã, Brandon Boyd está agora em casa, em Los Angeles.

    Fala muito relaxadamente sobre o resultado o novo trabalho do Incubus, que surgiu em 1995 justificando rótulos como “metal alternativo”, “funk metal” e “rap metal” (um dos integrantes é DJ, há batidas quebradas, guitarras etc.); foi por um tempo associada ao “nu metal” (injustiça com a banda); e hoje carrega alguns hits entre fãs de rock em quantidade suficiente para tocar no Rock in Rio. O Incubus abre para The Who e Guns N’ Roses no dia 23 de setembro.

    Aos 41 anos, Brandon Boyd do outro lado da linha é tranquilão. Tem pouco a ver com as letras confessionais e eventualmente revoltadas que sempre escreveu. Sem indicar que está interessado em fazer só marketing, soa genuinamente sincero quando diz ter orgulho de “8”.

    Foi o disco do Incubus que mais lhe deu prazer porque, afinal, “me senti mais animado naquele momento do que vinha me sentindo fazia muito, muito tempo”. Por quê?

    “Há inúmeras razões que explicam o porquê de eu ter ficado animado com o disco. Primeiro, tem algo a mais na energia do ‘8’. Foi muito empolgante, para nós, enquanto banda – nós meio que descobrimos de novo como ser uma banda (risos).”

    Brandon Boyd ‘vibe’ #gratidão

    É como se cada comentário de Brandon Boyd viesse acompanhado da hashtag #gratidão. Exemplo: “Algumas músicas têm a tendência a serem mais pesadas e enérgicas. Isso, provavelmente, é reflexo do fato de estarmos mais empolgados por fazer música de novo, por estarmos no estúdio juntos”.

    “Tinha uma atmosfera de celebração no estúdio. Nós nos sentimos muito abençoados, sortudos e felizes por termos a chance de dividir o que fazemos com tantas pessoas ao redor do mundo.”

    Mesmo a presença do requisitado Skrillex é algo que Boyd e cia só têm a agradecer. Tudo aconteceu muito por acaso, garante o vocalista. Nada de tentativa de enfiar uns trechos de eletrônica dubstep “bate-cabelo” no meio das músicas só para atrair um público jovem e/ou moderninho dançante.

    “Foi uma daquelas coisas que podemos chamar de ‘feliz surpresa’, porque não estava no radar de ninguém”, esclarece Boyd. “Nós já tínhamos gravado o disco inteiro, tínhamos até mesmo uma sequência para as músicas e mixado para tocar para algumas pessoas da gravadora.”

    Foi só então que Srillex, que é amigo do guitarrista do Incubus, Mike Einziger, entrou em cena. Convidado somente para ouvir umas faixas no estúdio, quis remixar uma delas, “Family faces”. Boyd ri bastante e esquece a vaidade ao reconhecer a contribuição positiva do (a partir dali) novo parceiro.

    “Sonny [Skrillex] foi para uma sala ao lado no estúdio e voltou uma hora e meia depois, falando: ‘Dá uma olhada’. E ficou tão melhor!”

    O líder do Incubus admite que se impressionou com a velocidade e capacidade de trabalho do novo parceiro. Não quis perder a chance: “Daí, ele acabou remixando o disco inteiro e produziu algumas músicas. Foi uma surpresa de última hora, quase literalmente”.

    A banda Incubus, a partir da esquerda: o baterista Jose Pasillas (de vermelho), o vocalista Brandon Boyd (no alto), o baixista Ben Kenney (sentado, de boné), o DJ Chris Kilmore (sentado) e o guitarrista Mike Eiziger (de azul) (Foto: Brantley Gutierrez/Divulgação)