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Foto: Reprodução

Há cerca de quatro meses o tratorista André Ferreira dos Santos, de apenas 40 anos, teve complicações visuais após contrair malária. A catarata que já o acompanhava há alguns anos, avançou o deixando completamente impossibilitado de enxergar.

Todo o processo levou menos de um mês, causando desespero nele e em sua família. A mãe de André, Maria de Lourdes Ferreira, conta que no anseio de salvar o filho foi até o banco tentar um empréstimo para que ele pudesse realizar a cirurgia, sem saber ainda quanto de fato custaria o procedimento. Na ocasião, ela, que é moradora de Alta Floresta, conseguiu do banco R$ 1.700.

Depois disso pegou André e partiu para a cidade de Sinop, onde descobriu que não seria capaz de pagar pela cirurgia, já que o valor estava muito acima do que ela contraiu com o empréstimo. “Me senti desesperada e tentei fazer o que pude para ele, um rapaz tão novo, não ficar cego de uma vez”, conta a mãe.

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André, muito tímido e quieto, contou com reticência que estava para ficar em depressão. “Eu ouvi um caso na televisão de um rapaz que esperou muitos anos para fazer a cirurgia e quando finalmente conseguiu já era tarde demais, a cirurgia já não adiantava e ele ficou cego. Fiquei com muito medo de que isso fosse acontecer comigo”, relata o pai de cinco crianças.

O tratorista entrou para a cirurgia ansioso e pedindo a Deus que tudo desse certo durante seu procedimento. Ao sair pela escadeira da carreta onde as cirurgias são realizadas na Caravana da Transformação, o sorriso já estava estampado em seu rosto. Para uma voluntária que o atendeu ele disse: “Achei que você era morena”, sorrindo sobre o erro causado pela catarata total que possuía até então.

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“Assim que acabou pedi ao médico se eu podia abrir o olho, lá mesmo, dentro do centro cirúrgico e já arregalei os dois olhos, vendo tudo ao meu redor com o olho que passou por cirurgia”.

Dona Maria se emociona pelo desenganado. “Todo mundo falava que ele não ia voltar a enxergar, mas Deus mandou essa carreta do governo pra cá, para o meu filho voltar a ver. Sem isso ele iria ficar cego”.

Questionado sobre qual a primeira coisa que ele pretende fazer agora que voltou a ver, André não titubeia: “Quero ir para casa e ver a minha menininha de cinco anos. Ontem ela me ligou e perguntou ‘pai, você já tá enxergando’, mas eu disse que não. Hoje vou ligar para ele e contar que já posso vê-la novamente”, diz emocionado.

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Nesta quinta-feira (08.06), a 7ª Caravana da Transformação realizou 300 cirurgias, 830 consultas e mais de 4400 procedimentos.

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