O secretário-chefe e o secretário-adjunto da Casa Militar, coronéis Evandro Lesco e Ronelson Barros, respectivamente, foram presos ontem (23), em Cuiabá, por suposto envolvimento no esquema de grampos clandestinos montado no Núcleo de Inteligência da Polícia Militar, denunciado em maio deste ano.

Imagem: taques lesco
Reprodução: Gcom-MT

Além deles, também foram presos o comandante do 4º Batalhão da PM em Várzea Grande, região metropolitana da capital, tenente-coronel Januário Antônio Edwiges Batista, e o cabo Euclides Luiz Torezan, que estava cedido ao Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco). As prisões preventivas foram determinadas pelo desembargador Orlando Perri, responsável no Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) pela investigação sobre os grampos clandestinos.

Diante das prisões, o governador Pedro Taques (PSDB) determinou o afastamento provisório e não remunerado dos dois secretários, até que as investigações esclareçam a suposta participação deles no esquema.

Em nota, o governo do estado afirmou que os secretários Evandro Lesco e Ronelson Barros “gozam da total confiança do governo” e que, apesar das prisões, as investigações estão em fase inicial e “não há nenhum ato que desabone suas condutas de militares e agentes públicos honrados e probos [íntegros]”. Quanto aos outros dois militares presos, o governo diz que acompanhará as investigações sobre suas atuações.

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O coronel Evandro Lesco teria sido alertado, na manhã de ontem (23) sobre a possibilidade da prisão dele. Em ofício enviado ao presidente do Tribunal de Justiça, desembargador Rui Ramos, o governador do estado afirmou que o corregedor-geral e o diretor de Inteligência da Polícia Militar, coronel Alexandre Corrêa Mendes e tenente-coronel Victor Paulo Fortes Pereira, informaram a secretários de estado sobre a realização de uma operação que poderia resultar na prisão de servidores da Casa Militar.

Segundo consta no ofício, a informação teria sido passada a eles pelo coronel Jorge Catarino de Moraes, responsável pelo andamento do Inquérito Policial Militar (IPM) que apura a existência de uma central clandestina de interceptações telefônicas na PM.

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O governo informou, que a partir do vazamento da informação sobre as prisões, a Secretaria Estadual de Segurança Pública (Sesp-MT) encaminhou a notícia do suposto crime de obstrução da Justiça ao Ministério Público da Auditoria Militar.

Troca de comando

Diante das prisões dos coronéis Lesco e Barros, o governador anunciou a nomeação do coronel da PM, Wesley de Castro Sodré, atual comandante regional de Tangará da Serra, a 242 km de Cuiabá, para responder interinamente pela chefia da Casa Militar.

O vazamento de informação pelos militares também causou a troca do comando da Polícia Militar. O anúncio foi feito nesta sexta-feira pelo governo do estado. O cargo será ocupado, a partir de segunda-feira (26), pelo coronel Marcos Cunha, que atualmente é secretário-adjunto de Segurança Pública.

Central clandestina

Em depoimento à Corregedoria da PM, a sargento da Polícia Militar Andrea Pereira de Moura Cardoso, confirmou a existência de uma central de interceptações fora do Comando Geral da PM e disse ter executado o serviço para cumprir ordens dos seus superiores e citou os nomes dos coroneis Zaqueu Barbosa, ex-comandante da PM, e Airton Siqueira, atual secretário estadual de Justiça e Direitos Humanos.

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No início, as escutas eram feitas em um apartamento no Centro de Cuiabá, nas proximidades do Museu da Caixa D’Água Velha. O local tinha dois quartos que eram usados pelos PMs para os trabalhos. No cômodo em que Andrea ficava havia dois computadores, fones de ouvido e um aparelho que parecia ser uma CPU grande, segundo a policial. No outro quarto, com armários e cerca de 15 aparelhos celulares ligados a um computador, quem ficava era o cabo Gerson Ferreira, que também está preso há um mês.

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