Na manhã do dia 25 de junho de 2017, recebemos a triste notícia da morte de uma travesti em Rondonópolis. Conforme noticiado na imprensa local, Tábata Brandão foi alvejada por quatro tiros disparados por um homem que passava de motocicleta pelo local onde ela estava. Mais uma vida ceifada, mais um número a engrossar as estatísticas dos atos de extermínio contra a população LGBT? Mais uma vida dizimada pela violência de uma sociedade que não suporta outros modos de existir que não sejam os que são vividos conforme normas e padrões legitimados como “naturais”, únicos e verdadeiros? Mais uma juventude interrompida pela brutal necessidade de silenciar vozes, histórias e pessoas cujas vidas não seguem o script que lhes foi imposto a seguir?

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O assassinato de Tábata Brandão nos assusta e revolta por sua crueldade e covardia, assim como nos indigna a constatação da recorrência de tamanha brutalidade no nosso país. Esse estado de barbárie, além de seu nítido efeito destrutivo de vidas, realça a sua perversidade ao instaurar a banalização e a naturalidade da violência que executa e propaga. Quem se importa com a morte brutal de uma travesti pelas ruas da cidade? Quem sofre a dor dessa vida arrancada do nosso convívio? O que essa vida tem a ver com a nossa?

Buscar respostas para estas perguntas convida cada de um nós a pensar bem além de nossa vida privada, exige um esforço de olhar para o que existe do outro lado da muralha que é erguida por uma moralidade conservadora e preconceituosa que decide quem pode e não pode viver, as vidas que importam e as que precisam desaparecer.

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Refletir sobre estas questões é um forte apelo para sair de nossos claustros para podermos perceber, sentir e nos indignar ao ponto de quebrar essa muralha como forma insistente de luta cotidiana contra discriminações, preconceitos e violências que massacram vidas em nome de uma única forma de ser, pensar e existir.

Os/As professores/as do Curso de Psicologia da UFMT, câmpus de Rondonópolis, avaliam que uma das possibilidades de ação diante destas questões é trazê-las para a pauta da educação de crianças, jovens e adultos com urgência, a fim de destruir as muralhas que demarcam, de um lado, quem vive, e de outro, quem está condenado à morte, para a construção de um mundo plural, habitado por pessoas que, em suas vidas singulares, se importam por outras vidas.

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Por Professores/as do Curso de Psicologia

UFMT – Câmpus de Rondonópolis 

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