O ex médico Roger Abdelmassih estava internado desde o dia 18 de maio - Foto/reprodução
O ex médico Roger Abdelmassih estava internado desde o dia 18 de maio – Foto/reprodução

O Ministério Público de Taubaté entrou com um recurso nesta quinta-feira (29) contra a decisão que concedeu a prisão domiciliar para o ex-médico Roger Abdelmassih, condenado a 181 anos de prisão por estuprar pacientes. A promotoria quer que ele volte a cumprir a pena em uma unidade prisional.

O ex-médico, que estava internado desde 18 de maio em um hospital de Taubaté, deixou a unidade no último dia 23 e seguiu para casa, em São Paulo, e usa tornozeleira eletrônica.
O MP contesta a decisão e afirma que o ex-médico não “cumpriu pena suficiente para qualquer espécies de progressão de regime”, diz trecho do pedido do promotor Luiz Marcelo Negrini.

A promotoria afirma também que um laudo médico realizado por um perito nomeado pela Justiça não demonstrou que ele precisava deixar o presídio para receber o atendimento médique precisa.
“Prosseguindo na análise da perícia, é certo que o sr. perito judicial não afirmou, em momento algum, que o sentenciado exige cuidados contínuos que não possam ser prestados no estabelecimento penal”, traz o pedido.

Leia também:  Mais duas crianças morrem após incêndio e 43 pessoas seguem internadas

Ainda segundo a promotoria, o laudo aponta que os riscos de saúde a que Roger está exposto seriam os mesmos dentro ou fora do presídio. A recomendação do médico foi o uso de medicação e, em caso de eventual piora, a internação em UTI.
Simulação
O MP aponta ainda, com base em depoimentos de outros detentos do presídio, que Roger deixou propositalmente de ingerir sua medicação contínua com o objetivo de deixar que seu estado de saúde se agravasse, o que justificaria seu pedido para deixar o presídio.

O ex-médico de 74 anos pediu à Justiça em 2016 o indulto humanitário, que seria o perdão da pena, apontando que sofre de graves doenças, entre elas enfermidades do coração – a defesa pedia que, caso não fosse dado o indulto, a Justiça concedesse a prisão domiciliar, o que aconteceu.

Leia também:  Luciano Huck afirma que não será candidato à Presidência em 2018

Ele cumpria pena na Penitenciária 2, em Tremembé, desde 2014, mas entre abril e junho ficou internado por duas vezes em hospitais de Taubaté para tratamento.

“A prova de que seu estado de saúde se agravou de forma proposital pode ser facilmente explicada com a sua última internação e posterior alta, curiosamente ou ‘coincidentemente’, um dia e meio após o deferimento da medida, quando então rumou, em carro particular – não ambulância, o que seria de se esperar para quem apresenta quadro de saúde extremamente grave – para sua residência”, traz trecho do pedido.
O G1 não conseguiu, na noite desta quinta-feira, contato com a defesa do ex-médico e com a juíza que deu a sentença de prisão domiciliar, Sueli Zeraik.

Leia também:  Motoristas perdem o controle em acidente e invadem creche de SP

Histórico
Roger, que era considerado um dos principais especialistas em reprodução humana no Brasil, foi condenado a 278 anos de reclusão em novembro de 2010. Foram considerados 48 ataques a 37 vítimas entre 1995 e 2008.
Vítimas criticaram a concessão da prisão domiciliar concedida ao ex-médico.

Advertisements

Comentários

*Os comentários aqui publicados são de responsabilidade dos usuários e não representam a opinião do site.