Policial sendo presos por colegas do trabalho tampa o rosto - Foto: Fernanda Rouvenat/G1
Policial sendo presos por colegas do trabalho tampa o rosto – Foto: Fernanda Rouvenat/G1

Laranjas podres”. Assim o delegado Fábio Barucke, da Delegacia de Homicídios de Niterói e São Gonçalo, se referiu aos PMs denunciados na maior operação contra a corrupção na Polícia Militar já realizada na história do Rio. Ao todo, 96 policiais militares tiveram mandado de prisão preventiva decretado, assim como 70 traficantes e outros criminosos apontados como integrantes de esquema de corrupção em São Gonçalo, Região Metropolitana.

A ação é realizada por agentes da Polícia Civil, do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público (MP-RJ), e da Corregedoria da Polícia Militar. Dos 184 mandados de prisão preventiva, por volta das 13h os agentes já tinham cumprido 54 contra PMs (cinco deles já estavam presos) e 22 contra traficantes (15 presos anteriormente).

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Segundo Barucke, armas apreendidas em comunidades de São Gonçalo eram vendidas em outras favelas por policiais corruptos, sem que acontecesse a apresentação dos materiais em delegacias. “Percebemos que essa organização criminosa não deixou de arrecadar os recursos do tráfico de drogas,” destacou o delegado. “Extraímos essas laranjas podres”, acrescentou.

A ação foi deflagrada a partir de uma delação. Segundo Barucke, alguns dos policiais presos já manifestaram a intenção de fazer novas delações sobre o esquema.
“Pela minha experiência profissional, a vida de traficante é uma vida curta. Muitas vezes são presos sem que a gente precise procurar, pela Polícia Militar. Porém, esses maus policiais davam cobertura a eles”, explicou o delegado.

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Segundo o secretário de Segurança do RJ, Roberto Sá, a polícia luta para se renovar e eliminar os agentes que não tem uma postura correta. “Desconheço instituições que cortem na carne como as polícias. Não é simples, mas necessário. A gente segue adiante. A sociedade precisa de nossas instituições”, explicou Sá.

O comandante-geral da Polícia MIlitar, coronel Wolney Dias, falou sobre as prisões: “Essa instituição está sangrando, perdendo a vida em prol do Estado do Rio de Janeiro”, destacou o PM.

“Não compactuamos com qualquer desvio de conduta. Não queremos os maus policiais nas nossas fileiras. Se precisar excluir 90, 900, 9 mil, não importa. Nós não os queremos na nossa instituição. O policial que trai o seu dever de ofício não é digno de vestir a farda da Polícia MIlitar”, explicou o comandante da PM.

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