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Mais de 42 milhões de pessoas já fizeram o teste Real Age (ou “Idade Real”, em tradução livre). Em 1999, quando foi apresentado no programa de televisão da americana Oprah Winfrey, a rede de internet de toda a Costa Oeste dos Estados Unidos caiu — de tanta gente que acessou o site da ferramenta. Mas o que ela tem de tão fenomenal?

“Nós pegamos evidências científicas sólidas do que afeta a longevidade e traduzimos para algo que realmente motiva as pessoas”, resume Michael Roizen, médico da Cleveland Clinic, nos Estados Unidos, e criador do Real Age, à SAÚDE. É simples: após se inscrever e preencher um questionário online, o usuário vê “a verdadeira idade do seu organismo”.

A partir daí, o programa ressalta quais atitudes poderiam, digamos, rejuvenescer o corpo. Mas tem um detalhe: em vez de se concentrar no tempo de vida, o Real Age indica o que cada indivíduo poderia fazer para conquistar a energia de anos atrás. “Sentir-se mais jovem e vigoroso é um desejo comum, que incentiva mudanças saudáveis”, relata Roizen (veja abaixo a entrevista completa com ele).

Embora seja atualizado constantemente com base em novos estudos sobre fatores de risco para a saúde (pressão alta, tabagismo, isolamento social e por aí vai), a iniciativa existe há bastante tempo. A boa nova é que finalmente deve desembarcar no Brasil com uma versão traduzida e adaptada, em parceria com a empresa Healthways. A ideia inicial é disponibilizá-la ainda este ano.

Para quem entende inglês, dá pra matar a curiosidade com a versão americana. Clique aqui, preencha um cadastro e comece a responder as perguntas. Já adiantamos: o questionário leva cerca de 15 minutos, até porque vários fatores entram na conta. Alguns itens, inclusive, nem parecem ter a ver com saúde e bem-estar em um primeiro momento.

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Agora que você entendeu as linhas gerais do Real Age, confira abaixo uma entrevista com seu criador. Nela, Michael Roizen não revela sua idade cronológica exata, mas fala quantos anos ganhou em disposição graças a atitudes saudáveis!

SAÚDE: Como surgiu a ideia do Real Age?

MICHAEL ROIZEN: Tudo começou em 1993, quando estava tentando motivar um paciente que iria fazer uma operação a parar de fumar. Ele me disse que, como tinha 49 anos, o cirurgião havia afirmado que não corria muitos riscos de complicações. Aí eu respondi, com base nos poucos dados disponíveis, que fumando um maço de cigarros por dia, ele na verdade estava com o corpo na casa dos 57 anos.

O paciente parou e me olhou preocupado. Então contou que nenhum homem da sua família tinha chegado a essa idade. Nessa hora, eu puxei outras informações da minha cabeça e falei que, se ele parasse, rejuvenesceria 1 ano em três meses e 2 anos em sete meses. E o surpreendente é que ele parou de verdade.

Daí em diante eu experimentei esse método com outras pessoas e tive bons resultados. Até que um dia fiz o mesmo com um homem que não queria tomar seus remédios para pressão alta. Eu mencionei que, se ele começasse a se medicar direito, ganharia o vigor de alguém tantos anos mais jovem. Depois de conferir comigo as pesquisas que comprovavam isso, perguntou se poderíamos fazer essas contas com outros fatores, tirou um cheque do bolso com 50 mil dólares e me mandou trabalhar. [risos]

Ele disse que nunca tinha se sentido motivado a tomar os remédios até então e queria expandir isso. E daí fomos crescendo aos poucos até chegarmos onde estamos hoje.

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Por que o senhor acha que o Real Age faz tanto sucesso?

Nós pegamos evidências científicas sólidas do que afeta a longevidade e traduzimos para algo que realmente motiva as pessoas. Em vez de se concentrar só no tempo de vida, o Real Age mostra o que a faria ter a energia e o vigor de gente muito mais jovem.
E é bem personalizado. Suas respostas no questionário fazem com que o programa ofereça soluções específicas em pontos que você pode melhorar. Ao colocá-las em prática, dá pra ver sua idade real diminuir.

O que mais influencia a idade no programa?

São várias coisas. Mas o que chama atenção é a quantidade de amigos. Ter uma grande rede de verdadeiros amigos e familiares afeta mais o Real Age do que tomar remédio para reduzir a pressão, por exemplo. E os dados para isso são consistentes. Os relacionamentos sociais, entre outras coisas, amenizam os efeitos do estresse, um problema bem importante.
Além disso, fumar um maço de cigarros por dia envelhece bastante. Aliás, quem fica perto dos fumantes também acaba sendo prejudicado.

Quais as vantagens de essa plataforma chegar ao Brasil?

A tradução e a adaptação ajudam. Lembre-se de que estamos falando de problemas mundiais. Estamos gastando dinheiro demais e perdendo qualidade de vida com doenças crônicas. O Real Age muda o foco para a prevenção e mostra quão significativa ela é.

Isso pode economizar milhões de reais no Brasil, tanto do governo como de cada indivíduo. Mais do que isso, é uma forma de ganharmos vitalidade. O tema se encaixa com sua revista, não? [risos]

O que o Real Age ensinou ao senhor sobre prevenção?

Quando começamos, eu basicamente ficava atento ao tabagismo e à pressão arterial. Não dava tanta atenção para a carne vermelha, o açúcar e a alimentação, por exemplo. Eu mesmo era um amante de manteiga e refrigerante. Inclusive, gostava tanto de refrigerante que pedia para entrega-los em caixas grandes. E ainda comprava mais daquelas máquinas de bebida.
Com o avanço das pesquisas e do próprio Real Age, vi quanto isso influenciava minha disposição e comecei a mudar. Agora só bebo água e café! [risos]

Qual sua idade cronológica e sua “idade real”?

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Eu tenho um pouco mais de 70, mas meu Real Age está na casa dos 51 anos. Estou melhor do que a maioria dos respondentes, mas tem gente que consegue resultados mais impressionantes!

Quais são seus vícios?

[risos] Olha, eu não durmo muito. O sono não é um fator forte se o isolarmos, mas mexe com vários comportamentos, então acaba atrapalhando. Sozinha, a falta de sono envelhece alguém em mais ou menos dois anos.

É difícil convencer alguém a mudar de hábito?

Não vamos conseguir pela força de vontade. Por milhares de anos, viver intensamente cada dia era importante para a sobrevivência da nossa espécie. Ou você matava o mamute que estava entrando na sua caverna e comia toda a sua carne, ou ele faria o mesmo com você. Nós somos programados para aproveitar cada momento.

Para lidar com isso, temos de tornar nossas atitudes saudáveis automáticas. Além de saber que tal hábito não é bom, é importante mexer nas estruturas e no ambiente que o estimula. Por exemplo: não tenha muito daquela comida calórica em casa. Compre alimentos que você ama, mas que amem você de volta.

Nesse sentido, o Real Age mostra o que fazer. Ele instrumentaliza o usuário, além de falar o que é bom e ruim. E isso de maneira bem personalizada.

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