Um relatório do Ministério Público do Piauí (MP-PI) apura o caso de um bebê que teve o corpo guardado em uma geladeira doméstica por ausência de um necrotério na Maternidade Dona Evangelina Rosa, a maior maternidade pública do estado. A foto que foi feita por familiares do recém-nascido mostra o corpo dele enrolado em um lençol dentro do eletrodoméstico. A direção do local reconheceu o problema, mas prometeu soluções.

A direção da maternidade reconheceu o erro do corpo do bebê ter sido guardado na geladeira - Foto: Reprodução/Tv Clube
A direção da maternidade reconheceu o erro do corpo do bebê ter sido guardado na geladeira – Foto: Reprodução/Tv Clube

“Quando eu cheguei logo presenciei exatamente uma geladeira e eu perguntei para que era aquilo ali e me responderam que era para colocarem o corpo do meu neto. No primeiro momento eu não queria aceitar, mas devido ao atraso na documentação para a liberação do corpo nos sujeitamos a aceitar na geladeira”, contou Messias Neto, avô do bebê.
Logo após o registro, a família do bebê procurou o MP-PI que investiga o caso. “Existe a necessidade urgente de respeitar a dignidade de pessoa humana. A família que perdeu seu ente querido se choca ao presenciar determinadas cenas. Na verdade essas pessoas deveriam ser preparadas para receber a notícia da morte e não presenciar cenas chocantes como essas”, afirmou a promotora de justiça Karla Carvalho.

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Além dessa denúncia, outras irregularidades estão sendo investigadas. Em maio deste ano, representantes do Conselho Regional de Medicina do Piauí e do MP-PI fizeram uma vistoria na maternidade. O relatório constatou que a falta de estrutura prejudica o atendimento e pode colocar em risco a vida de pacientes. Além da pouca quantidade de profissionais, faltam aparelhos importantes como o de reanimação cardiorrespiratória usado em pacientes que chegam em estado grave.

“Nós estamos acompanhando. Existe um termo no judiciário no ano passado que ainda está pendente. Mensalmente a gente pergunta o que está acontecendo e o que não ocorreu. Sabemos que a ausência dos equipamentos pode custar uma vida”, disse a promotora.
Além da falta de estrutura, a superlotação também afeta o atendimento do local. Pacientes de várias cidades do Piauí sem complicações graves são encaminhados para a maternidade. Atualmente a Dona Evangelina Rosa funciona com 30 leitos de Unidade de Terapia Intensiva neonatal e 10 UTIs maternas.

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A direção da maternidade reconheceu o erro do corpo do bebê ter sido guardado na geladeira. “Estamos com um processo licitatório para adquirirmos equipamentos para que a gente possa municiar o necrotério da maternidade com locais adequados para guardar os corpos até a liberação para as famílias”, explicou o diretor da unidade, Francisco Macêdo.

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