Após a prisão do mototaxista Elisomar Pereira da Silva, de 32 anos, a Polícia Civil divulgou nesta segunda-feira (24) um áudio atribuído a ele em que confessa ter agredido a mulher em Pirenópolis, na região central de Goiás.

Detido por tortura mediante cárcere privado, o homem havia enviado a gravação a conhecidos por meio de um aplicativo de celular após a suspeita de traição.

“Ela já tomou banho, está quietinha. Só quebrei um facão nas costas dela, pus pimenta no ‘trem’ dela [nas partes íntimas] e tudo. Dei uma sossegada boa nela, mas assim, já está de boa, tomou banho, nós já estamos conversando já”, diz o homem na mensagem.

Agressor tira foto com facão que teria usado para agredir a mulher - Foto: Divulgação/ Polícia Civil
Agressor tira foto com facão que teria usado para agredir a mulher – Foto: Divulgação/ Polícia Civil

A vítima, de 39 anos, foi resgatada na madrugada de sábado (2), na casa do irmão do mototaxista, em Anápolis, a 55 km de Goiânia. Ela estava com hematomas por todo o corpo, um corte na coxa esquerda e lesões nas partes íntimas.
“Ela estava em choque, muito machucada, ensanguentada num quarto com o marido. Já ele estava desorientado, totalmente incapaz, sob efeito de cocaína”, explicou ao G1 o delegado responsável pelo caso, Ariel Oliveira Martins.

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A mulher foi levada à Santa Casa de Misericórdia e, após ser avaliada, recebeu alta médica. De acordo com o delegado, ela está na casa de familiares.
Investigação
O casal morava na Vila Cintra, em Pirenópolis. A investigação começou na última quarta-feira (19), após as polícias Civil e Militar receberem uma denúncia anônima de que um homem mantinha a mulher em cárcere privado.

Logo depois, a PC do Distrito Federal entrou em contato para avisar sobre a mesma denúncia. Além disso, encaminhou o material que recebeu e o endereço do imóvel.
“Ele [suspeito] mandou as fotos da mulher machucada e a gravação para conhecidos do casal em Brasília, que denunciaram a situação à Polícia Civil do DF”, explicou Ariel.

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De acordo com o delegado, policiais se deslocaram à residência do casal, mas não conseguiram entrar no imóvel e os vizinhos alegaram que não tinham desconfiado de nada. Ainda na noite de quarta-feira, o delegado recebeu uma ligação da própria vítima questionado o motivo de a polícia ter ido até a residência do casal.
“Ela falou que estava tudo bem. Então, eu disse que, se tudo tivesse bem, que ela comparecesse na delegacia para esclarecermos a situação e que nada mais seria tratado por telefone”, explicou Ariel.

Fuga
Segundo o delegado, ao perceber a movimentação da polícia, o homem fugiu com a mulher. Na sexta-feira, a polícia descobriu que o casal estava na casa do irmão de Elisomar, em Anápolis. Como estavam com o mandado de prisão, arrombaram o imóvel para resgatar a vítima.
O irmão e a mulher do suspeito foram levados para a delegacia, mas liberados após prestar depoimento. O delegado crê que eles não sabiam das agressões. “Quando ele veio para Anápolis, pediu abrigo na casa do irmão. Ele e a mulher trabalham o dia inteiro e não viram nada. Ele também ligava o som do quarto e ficava com a vítima lá dentro”, afirmou o investigador.

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Elisomar Pereira da Silva é preso por torturar a mulher em Goiás - Foto: Divulgação/ Polícia Civil)
Elisomar Pereira da Silva é preso por torturar a mulher em Goiás – Foto: Divulgação/ Polícia Civil)

Elisomar está detido na Central de Flagrantes da Polícia Civil de Anápolis. Ele deve ficar preso no local até ser interrogado. A corporação tem 10 dias para concluir o inquérito.
“Informalmente, ele isse que não tem nada a ver, que ela vai voltar para ele, mas as imagens, os áudios e todos os elementos colhidos na investigação comprovam que ele cometeu o crime”, concluiu o delegado.

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