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Em publicação na web, jovem contou os abusos sofridos (Foto: Facebook/Reprodução)

Kéllory Medrado Marques, que tem 19 anos e mora em Mato Grosso, guardou para si por quase 10 anos os abusos que sofreu do pai desde os oito anos de idade. Recentemente, porém, ela quebrou o silêncio e relatou em uma publicação nas redes sociais os sucessivos abusos que sofreu e, inclusive, as tentativas de suicídio motivada pelos estupros. “Hoje o sentimento é de raiva por não ter denunciado antes”, contou Kéllory. A jovem também procurou a Polícia Civil e denunciou o caso. A investigação segue sob sigilo.

No post, a jovem narra que os abusos começaram por volta de 2006, quando ela se mudou para a casa do pai, em Barra do Garças, a 516 km de Cuiabá. Antes disso, Kéllory morava com a avó. Segundo ela, o sonho de infância dela era morar com o pai.

Kéllory conta que, à época, o pai se deitou na cama dela e alegou que os dois iriam brincar. Ela diz que fechou os olhos e ele começou a acariciar o corpo dela. No dia seguinte, a jovem narra que a situação voltou a acontecer.

“E todos os dias eu chorei. Eu estava tão assustada para dizer para alguém e eu tinha tanta vergonha de mim mesma e dessa situação. Ele sempre me dava dinheiro depois, ou me deixava sair pra brincar”, conta Kéllory no texto publicado na internet.

A jovem afirma que aos 12 anos chegou a relatar os abusos para a mãe, na esperança que ela se separasse e que as duas fossem embora.

“Ninguém nunca fez nada. Todos ignoraram a minha dor como se eu fosse nada. E continuou. Todos os dias na hora do almoço, ele me levava para dentro do quarto, trancava a porta, me deitava e eu tampava os olhos e chorava ali mesmo. Ele roubou minha infância e minha adolescência”, diz a jovem.

Em outubro do ano passado, segundo a jovem, ela tentou – pela primeira vez – suicídio. “Tomei trinta compridos de um remédio. Me levaram para o hospital e os médicos decidiram me internar em um manicômio. Fiquei lá por quatro dias”, conta na publicação.

Em abril deste ano uma nova tentativa de suicídio. “Comprei lâminas e cortei meus pulsos. Mas acordei no hospital com o médico dando pontos nos cortes. Estava tão desesperada que gritei por ajuda naquele hospital e ninguém mais uma vez fez nada”, narra Kéllory.

Atualmente, Kéllory mora com a avó e pede por Justiça. “Hoje, o sentimento é de raiva, mágoa, tristeza e desespero. Tenho raiva de não ter denunciado antes e dos prejuízos que isso me trouxe. Hoje o que quero é Justiça”, conta.

“Eu escrevi esse texto para tentar ajudar de algum jeito as vítimas de abuso, que vivem o que vivi. Você é forte menina! Você é muito forte, então se levante e não se esconda. É o seu corpo e é você quem decide quem o toca. Se ninguém te ajuda, ajude a si mesma. Você é linda e é digna de amor”, finaliza Kéllory.

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