Com falta de leitos, hospitais estão improvisando UTIs nos centros cirúrgicos - Foto: Reprodução/TV Morena
Com falta de leitos, hospitais estão improvisando UTIs nos centros cirúrgicos – Foto: Reprodução/TV Morena

Mato Grosso do Sul tem na rede pública somente 44 leitos de UTI Neonatal. Todos estão em apenas duas, das 79 cidades do estado e estão ocupados. A superlotação está atrasando os partos de bebês prematuros.

Os gêmeos da dona de casa Edelaine Masais Leite nasceram na Santa Casa de Campo Grande, e ficaram três dias internados em uma UTI improvisada dentro do centro cirúrgico do hospital. “Não tinha vaga. Eles ficaram na vaga zero, esperando uma vaga surgir. Ficaram no centro cirúrgico na incubadora, esperando uma vaga”, comenta a mãe.

No Hospital Universitário de Campo Grande até tem espaço para ampliar a UTI Neonatal, mas falta dinheiro para comprar os equipamentos.

“Nós dispomos de seis leitos de UTI e no momento todos estão ocupados, com bebês graves e sem possibilidade de alta. Nasceram dois gêmeos, um entrou na UTI e o outro ainda está aguardando vaga pela indisponibilidade do momento”, explica a médica neonatologista Janaine Grossi.

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Na Maternidade Cândido Mariano, a maior de Mato Grosso do Sul, outros gêmeos também nasceram somente depois que o hospital conseguiu montar duas incubadoras improvisadas dentro do centro cirúrgico. A instituição tem 26 vagas de UTI Neonatal, mas todas estão ocupadas. Por isso, o parto foi adiado por 38 horas. A tia dos bebês, Joyce Santos, disse que a família ficou muito assustada com a situação.
“Como assim? Como que uma criança não vai ter onde ficar. Foi muito apavorante porque todos os hospitais estão superlotados”, disse.

Maternidade Cândido Mariano desativa 14 leitos de enfermaria do SUS em Campo Grande - Foto: Reprodução/TV Morena
Maternidade Cândido Mariano desativa 14 leitos de enfermaria do SUS em Campo Grande – Foto: Reprodução/TV Morena

A dona de casa Natália da Silva é outra gestante que está tendo o parto atrasado em razão da situação. Ela entrou em trabalho de parto no sexto mês de gestação e está há cinco dias tomando remédio na veia para inibir as contrações. Se o bebê nascesse teria de ir direto para uma UTI, mas não tem leito disponível.
“É muito assustador, né? Para mim é muito diferente acontecer uma coisa dessas. Eu nunca tinha visto uma situação destas”, comenta.

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O hospital tem um rombo de R$ 4 milhões por ano no orçamento. Tem parcerias com o governo do estado e com a prefeitura de Campo Grande, mas os repasses estaduais chegaram a ficar três meses atrasados.
Em decorrência da crise financeira, a direção da Maternidade Cândido Mariano chegou a anunciar na semana passada o fechamento de 10 leitos de UTI Neonatal, mas depois que o governo do estado pagou duas das três parcelas de R$ 200 mil, voltou atrás e decidiu desativar a partir desta segunda-feira, 14 leitos de enfermaria do Sistema Único de Saúde (SUS).

O hospital informou que precisa de R$ 80 a R$ 100 mil reais por mês para manter esses leitos em funcionamento.
O governo do estado disse que vai repassar os valores atrasados ainda nesta semana e a prefeitura que pretende contratar novas vagas em UTI Neonatal em hospitais particulares.

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