O técnido de enfermagem e o motorista do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) flagrados indo embora sem atender o pedreiro Lindomar Alves dos Santos, de 36 anos, foram afastados dos serviço das ruas segundo informou a Secretaria Municipal de Saúde de GO, à TV Anhanguera. O homem precisou ser levado por amigos a uma unidade de saúde e acabou morrendo dias depois.

Lindomar Alves dos Santos não foi socorrido pelos servidores do Samu - Foto: Reprodução/ TV Anhanguera
Lindomar Alves dos Santos não foi socorrido pelos servidores do Samu – Foto: Reprodução/ TV Anhanguera

Um vídeo feito no dia 30 de julho mostra que um deles desceu da ambulância e voltou para dentro do veículo sem se aproximar do pedreiro, que passava mal devido à diabetes. Uma sindicância foi aberta para analisar a conduta dos servidores. A SMS informou por telefone à TV Anhanguera que os atendentes vão fazer apenas trabalhos administrativos até a conclusão das apurações.

Leia também:  Bebê baleado no útero da mãe morre após um mês em UTI

Lindomar foi socorrido por amigos e levado a uma unidade de saúde. Ele precisou ser transferido para uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI), mas a vaga só saiu no dia 2 de agosto. Ele morreu horas depois.

O porteiro David Camargo e a dona de casa Janaína Pereira foram os primeiros a dar socorro ao pedreiro. “Eu peguei a minha blusa de frio, ele estava tremendo, e coloquei em cima dele e ele tentando respirar. O cara estava morrendo mesmo, eu estava vendo o cara perdendo o sangue no rosto, começou a morrer ali deitado na minha perna”, disse o porteiro.

Desesperada com a situação, a mulher chamou o Samu. “Eles falarm que era para eu aguardar que eles estavam mandando a ambulância. Quando eles foram embora, a gente ligou de novo e falaram que a gente tinha jogado pedra neles. E está bem claro que a gente não agrediu e jogou pedra neles”, contou.

Leia também:  Criança de um ano e meio se afoga em balde e é encaminhada para UTI em estado gravíssimo

“Eu quero agora justiça, para não ver outro morrendo naquela situação como eu vi o meu [filho]. Não vai trazer meu filho de volta. Estamos fazendo por outras pessoas, que vão precisar de atendimento e vai cair na mesma situação que meu filho caiu. A gente não quer que isso aconteça. Muito triste ver meu filho desse jeito. Poderia estar com ele lá em casa. Muito triste” afirmou a mãe dele, Hilda dos Santos.

O caso foi denunciado à Polícia Civil. Agentes foram enviados para intimar a equipe do Samu para prestar depoimento. O delegado responsável pelo caso, Jacó Machado das Chagas, avalia que, baseado nas imagens, houve omissão de socorro.
“Estiveram lá, chegou até a descer da ambulância, decidiram ir embora sem prestar a devida assistência. Está mais do que caracterizada a omissão de socorro”, afirmou.
A presidente da comissão de direito médico e defesa da saúde da Ordem dos Advogados do Brasil em Goiás (OAB-GO), Caroline Regina dos Santos, também avaliou o vídeo e considerou inadequada a atitude do socorrista.

Leia também:  TSE lança campanha nas redes sociais para acabar com mitos eleitorais

“De acordo com a legislação, isso jamais deveria ter acontecido. Nenhum socorro foi prestado de acordo com o vídeo que nós evidenciamos aqui e a família, as pessoas estão desesperadas no momento que alguém passa mal. De fato demorou, então as pessoas estavam ansiosas aguardando que o melhor acontecesse. Não que o carro do Samu chegasse e o atendimento não fosse prestado”, afirmou.

Advertisements

Comentários

*Os comentários aqui publicados são de responsabilidade dos usuários e não representam a opinião do site.