Larissa Bandeira foi baleada quando voltava da escola - Foto: Pedro Teixeira / Agência O Globo
Larissa Bandeira foi baleada quando voltava da escola – Foto: Pedro Teixeira / Agência O Globo

Superação é a palavra-chave na vida de Larissa Bandeira, de 17 anos. Depois de ter sido baleada numa das mãos durante um assalto a uma loja de departamentos em Laranjeiras, em junho do ano passado, a jovem ficou traumatizada com a violência e impedida de praticar esportes. Durante cinco meses de fisioterapia, teve que abandonar a equipe de remo do Vasco, para a qual havia entrado três meses antes de ser atingida. Mas agora voltou a sorrir. Foi selecionada para ser a musa do camarote da Global Marketing, na Marquês de Sapucaí. E ainda vai desfilar como destaque da Viradouro e na ala afro da Alegria da Zona Sul, ambas do Grupo de Acesso.

Fui baleada quando havia acabado de sair do colégio. Na época, aquilo me desestabilizou. Três meses antes, havia entrado para a equipe de remo do Vasco. Eu também fazia dança e tive que parar tudo. Fiquei muito traumatizada. Só fazia a fisioterapia e ficava em casa, mas, no fim do ano passado, minha vida voltou a ficar colorida. Fui convidada para esse trabalho por intermédio da minha irmã mais velha, Luana Bandeira, que já era musa da Viradouro e também tinha feito trabalhos para o mesmo camarote — relembra.

Leia também:  Defensores públicos são reféns de bandidos em penitenciária de SP

Moradora de Santa Teresa, Larissa sempre esteve envolvida em projetos sociais com foco em esportes e artes:

— Com dois anos, participei do meu primeiro espetáculo teatral ao lado da minha mãe e dos meus outros três irmãos. Era a peça “Menino no meio da rua”. Isso foi através do projeto Ação da Cidadania, que funciona, atualmente, na Região Portuária do Rio.

A preocupação com o social é algo que sempre envolveu a família da jovem. Desde 2010, o irmão mais velho dela, Marcos Bandeira, criou o próprio projeto, batizado de “Origens’’, que funciona no bairro do Estácio.

— Damos aulas de artes, artesanato, teatro, capoeira e samba, entre outras. Toda a família é envolvida nisso. Até eu dou aulas de dança. Quando lembro que fui baleada por meninos que deveriam ter a mesma idade do que eu, penso mais ainda em continuar participando de ações que possam mudar a vida de outras pessoas — comenta Larissa.

Leia também:  Justiça mantém prisão preventiva de 159 suspeitos de envolvimento com a milícia no RJ

NO LUGAR DE TRAUMA, ALEGRIA

Ex-passista de blocos do Rio, a mãe de Larissa, a assistente social Simone Raz, de 50 anos, acompanha de perto a filha nas apresentações que ela tem feito como musa.

— Tenho muito orgulho de ter criado filhos com essa preocupação social. Quando soube que a Larissa foi baleada, fiquei sem chão. Hoje, respiro aliviada ao ver que ela conseguiu voltar a praticar esporte e teve a oportunidade de brilhar em um camarote da Sapucaí — diz Simone.

Larissa acredita que esse carnaval será “transformador’’:

— Espero conseguir superar todos esses traumas e investir mais em mim, no esporte e na dança, coisas que eu amo fazer.

Leia também:  Mais de 600 mil brasileiros são atingidos por golpes do Bolsa Família no WhatsApp

Comentários

*Os comentários aqui publicados são de responsabilidade dos usuários e não representam a opinião do site.