Norma Maria de Oliveira, de 64 anos, passa bem após o parto - Foto: Reprodução/TV Globo
Norma Maria de Oliveira, de 64 anos, passa bem após o parto – Foto: Reprodução/TV Globo

Uma mulher de 64 anos deu à luz um bebê após fertilização in vitro, na Maternidade Octaviano Neves, no bairro Santa Efigênia, em Belo Horizonte. Norma Maria de Oliveira teve o parto realizado na última terça-feira, dia 10, e sua primeira filha, Ana Letícia, nasceu prematura de oito meses com 1,7 quilo. A menina está na incubadora, mas ambas passam bem.

No procedimento de fertilização feito por Norma, o óvulo utilizado é de uma doadora, e o espermatozoide é do companheiro dela, que tem 45 anos.

A gestação só foi possível porque, desde setembro de 2017, o Conselho Federal de Medicina (CFM) passou a permitir que mulheres com mais de 50 anos fizessem fertilização, desde que o caso fosse avaliado como viável por médicos e desde que as pacientes assumissem os riscos.

DRIBLANDO CRÍTICAS

Procuradora da Prefeitura de Itabira (MG), Norma ressaltou que sentiu muito preconceito por realizar esforços para engravidar aos 64.

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— As mulheres falam assim: tá doida, com essa idade? E eu não ligo pra esse tipo de preconceito, então fiz assim mesmo — contou Norma ao “G1”, dois dias após o parto.

A ginecologista e obstetra Rita de Cássia Amaral, que fez o parto, explicou que toda gravidez de fertilização in vitro já é, por si só, uma gravidez de alto risco. Na idade de Norma, isso se agrava. Foi preciso, por exemplo, que a médica administrasse nela uma substância anticoagulante, que não é comum para mulheres mais jovens.

— O que mais surpreendeu foi que o procedimento deu certo já na primeira tentativa — disse a médica à “Folha de S.Paulo”.

Norma de Oliveira tentava engravidar desde os 34 anos e disse que chegou a ir pra Índia para tentar uma “barriga de aluguel”, mas acabou não fechando contrato lá. Hoje, ela diz que se sente realizada, pois sempre pensou em ter uma profissão e juntar bens justamente para ter como cuidar de um filho.

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Ainda não há data para que Norma e a filha recebam alta.

RISCOS AUMENTADOS

O médico Marcio Coslovsky, especialista há mais de 20 anos em reprodução humana e membro da Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida (SBRA) e da Sociedade Europeia de Reprodução Humana e Embriologia (ESHRE), define o caso de Norma como “muito particular”.

— A posição do Conselho Federal de Medicina de setembro de 2017 coloca um limite de 50 anos para qualquer mãe. Mas, também coloca que exceções podem ser avaliadas conforme as condições de saúde. Só que quando pensamos nessas exceções, imaginamos por volta dos 50 anos, e não mais que 60. Então, este é um caso muito particular — comentou Coslovsky.

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O avanço em técnicas de reprodução assistida têm ampliado os limites da reprodução biológica. Entretanto, o risco de complicações aumenta significativamente à medida que a mulher envelhece.

— Em relação à gravidez dos casos acima de 50 anos, há uma série de complicações previsíveis que precisam ser monitoradas constantemente. Aumentam as chances dos riscos de hipertensão e diabetes gestacional, por exemplo — enfatiza o especialista. — O desejo da maternidade é compreensível, mas isso precisa ser avaliado dentro do bom senso, considerando a saúde da gestante e a capacidade de criar a criança durante um bom tempo, ainda com saúde e pelo tempo que a vida permitir.

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