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O ex-soldado da Polícia Militar (PM), Célio Alves de Souza, foi condenado a 24 anos e oito meses de prisão – Foto: Varlei Cordova / AGORA MATO GROSSO

Um caso que se arrastava na justiça há quase duas décadas, teve sua sentença decretada pelo juiz Wagner Plaza Machado Júnior, às 2h45 na madrugada desta sexta-feira (15), depois de 18h de sessão, no Tribunal de Justiça de Rondonópolis. O ex-soldado da Polícia Militar (PM), Célio Alves de Souza, foi condenado a 24 anos e oito meses de prisão, pela morte dos irmãos Brandão Araújo Filho e José Carlos Machado Araújo que ocorreram em agosto de 1999 e dezembro de 2000.

O denunciado Marcos Divino Teixeira da Silva, que também era apontado como um dos envolvidos, foi absolvido por não existir provas suficientes para a condenação.

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A sessão durou 18 horas e terminou na madrugada desta sexta-feira (15) – Foto: Varlei Cordova / AGORA MATO GROSSO

Dois fatos que chamaram a atenção durante o depoimento de Célio Alves, foram a confissão na participação no assassinato dos irmãos e a acusação contra os empresários do agronegócio Sérgio Marchett e a filha Mônica Marchett. Ainda durante sua fala, o réu contou que teve que ficar por vários dias em Rondonópolis, pois não encontrada o alvo do primeiro crime, o Brandão.

Ele ainda contou que o combinado inicial era que Hércules pilotaria a moto e ele faria o disparo, porém o pistoleiro teria falado “Deixa comigo”. Célio contou ainda que Hércules matava por prazer.

O CASO

O primeiro crime aconteceu no dia 10 de agosto de 1999, onde Brandão foi surpreendido pelo pistoleiro Hércules Araújo Agostinho (Cabo Hércules), e executado a tiros de pistola em pleno centro de Rondonópolis. O segundo crime foi em 28 de dezembro de 2000, onde José Carlos foi executado, também a tiros de pistola 9 mm, no estacionamento da agência central do Banco Bradesco, no Centro da cidade. Nos dois crimes, Célio Alves ajudou o pistoleiro Hércules Agostinho.

De acordo com as provas, os assassinatos foram motivados pela disputa judicial de uma fazenda de 2.175 hectares. O pistoleiro confesso, e já condenado, Hércules de Araújo Agostinho, apontou como mandantes dos crimes os proprietários da Agropecuária Marchett LTDA, Sérgio João Marchett e sua filha Mônica Marchett, a qual inclusive chegou a ficar presa por alguns dias.

Uma das provas que incriminam diretamente os mandantes foi a transferência de um veículo Gol, de propriedade da empresa “Mônica Armazéns Gerais LTDA” para um dos executores, o ex-soldado PM Célio Alves, dado como forma de pagamento pelas mortes, sendo que o pistoleiro reconheceu o escritório da empresa como o local onde foram pegar a documentação do veículo.

CONFISSÃO DO PISTOLEIRO

O Grupo de Atuação Especial contra o Crime Organizado (Gaeco), começou a desvendar os crimes em setembro de 2003, quando o cabo da PM/MT Hércules, preso para responder pelo assassinato de outro empresário e confessou espontaneamente a participação na morte dos irmãos Brandão Araújo Filho e José Carlos Machado Araújo.

‘Cabo Hércules’ não só assumiu os assassinatos dos irmãos de Rondonópolis, como participou da reconstituição dos crimes, apontou como co-executores o ex-soldado da PM/MT Célio Alves, o ex-sargento da PM/MT, José Jesus de Freitas (morto pelos acusados Hércules e Célio), o capitão da PM/MT, Marcos Divino, como também apontou a família Marchett como mandantes dos crimes.

RECONSTITUIÇÃO DOS CRIMES

No dia 25 de outubro de 2003 foi realizada a reconstituição dos dois crimes ocorridos em Rondonópolis, o laudo da reconstituição foi concluído no sentido de que “Não houve divergência em pontos cruciais para elucidação do caso”, possuindo 136 fotos que ilustram a dinâmica adotada pelo ex-cabo Hércules Agostinho para executar os dois irmãos.

O laudo apontou que há compatibilidade entre as informações dadas pelo ex-cabo em seus depoimentos e a reconstituição dos crimes. Da mesma forma, os ferimentos encontrados em ambas as vítimas são compatíveis com a arma usada por Hércules, uma pistola de nove milímetros. Na ocasião, Hércules reconheceu e apontou a Sementes Mônica, empresa da família Marchett, como o local em que ele e o ex-soldado Célio Alves receberam um veículo Gol como pagamento pela execução dos dois irmãos Araújo.

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