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Às vésperas das eleições, o brasileiro se encontra, a cada dia, mais confuso. Com informações vindas de todos os lados, a maioria dos eleitores têm tido acesso a pequenos trechos de discursos, os quais propagam todo tipo de teorias sobre como o país deve ser conduzido.

Muitas vezes nos perguntamos. Como saber se um discurso realmente carrega consigo um bom argumento? Como diferenciar uma argumentação bem construída de um conjunto de falas sem fundamento que visam apenas encantar a grande massa?

Antes de mais nada, uma boa defesa deve conter argumentos. Mas afinal de contas, o que seriam argumentos? Se formos pela etimologia da palavra, chegamos ao termo argu, o qual está conectado a expressão fazer brilhar ou iluminar. De certo modo, a ação de argumentar consiste em fazer brilhar uma ideia, ou seja, torná-la tão bem trabalhada que irá encantar quem a ouvir.

Todavia, a arte de argumentar não se resume apenas numa tarefa estética, isto é, a argumentação não é simplesmente tornar um discurso bem adornado, para que outros possam aceita-lo. A tarefa de persuadir o outro é um trabalho que exige esmero. Apesar disso, há muitos que caem nas armadilhas da má argumentação. Os erros de argumentação são conhecidos como falácias.

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A primeira falácia que cometemos na hora de defendermos um ponto de vista chama-se argumento Ad Hominem (junto ao homem). Nessa estratégia errônea, se foca na pessoa autora da ideia em vez do conteúdo. Assim, se tira o crédito de um argumento com base na pessoa que o proferiu.

Amparado no posicionamento Ad Hominem o outro, simplesmente, não escuta nada que venha de determinada pessoa. Essa atitude faz com que o sujeito se feche ao exercício da troca de ideias e da análise crítica. Com isso, não se interessa, por exemplo, em assistir debates no intuito de ajuda-lo a construir um posicionamento mais contundente.

Outra falácia é o argumento Ad Populum (junto ao povo), o qual é baseado em generalizações. Nesse sentido, a pessoa é compelida a aceitar uma ideia, porque todos aderiram ao tal argumento. Pessoas que fazem uso deste tipo argumento não estão interessadas numa busca por informação. Na realidade adotam uma opinião, meramente porque ela é repetida em larga escala.

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Vemos exemplos de argumento Ad Populum em algumas postagens nas redes sociais. Nesse aspecto, uma mesma ideia é repetida à exaustão de formas diversas, no intuito atingir diferentes públicos. Desse modo, surgem ideias defendidas em mensagens deslocadas de seus contextos, paródias e outras formas em que a ideia possa ser reiterada.

Em vista disso, a mente das pessoas fica em meio a um caótico universo de informações e ideias sem saber o caminho para analisar a qualidade de um argumento proferido. Com base nesse quadro, nos perguntamos, como saber qual é a boa argumentação?

Existem dois pilares que sustentam a boa argumentação: a consistência de raciocínio e a evidência de provas. Esses dois pilares trazem uma lógica para defesa que vai além de atribuições pessoais, conferindo ao discurso uma conexão com problemas reais.

A consistência de raciocínio é construída, normalmente, com uso da análise das causas e consequências de um problema. Ao seguir essa estratégia, a pessoa faz uma verdadeira investigação antes de emitir sua opinião. Com isso, temos uma argumentação que passou por um estudo antes de ser proferida.

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Já a evidência de provas é produzida com base em dados. Estes dados são alicerçados em observações de fenômenos das mais diferentes esferas. O importante, neste caso, é verificar a fonte dos dados e no caso de haver suspeitas da veracidade da ideia apresentada, confrontá-la com outros dados, para, dessa forma, fazer um estudo por comparação. Dessa maneira, a opinião não fica presa apenas a uma linha de raciocínio.

Ao fazer um estudo das argumentações levantadas por um candidato x ou y, temos a certeza que não estamos nos deixando levar por um discurso agradável aos nossos olhos e ouvidos. Desse jeito, conseguimos firmar uma opinião sobre o posicionamento de alguém nos baseando numa análise criteriosa dos fatos. Considerando o atual período histórico pelo qual o país passa é algo essencial.

Quer saber mais sobre argumentação? Acesse: https://www.youtube.com/c/CaminhosdaLinguagem

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