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Quando um professor de língua portuguesa entra em sala e escreve no quadro a palavra gramática, a turma fica logo tensa. A maioria das pessoas lembra do mundo gramatical como um universo cheio de regras monótono e sem graça. Neste texto, mostraremos que o estudo da gramática, ainda, nos oferece muitos caminhos a serem percorridos.

Quando pensamos em gramática, o que vêm a nossa mente é o que os estudiosos denominam Gramática Normativa. O estudo normativo da língua é mais aplicado na escola e tem sempre associado às suas questões textos clássicos de literatura.

A Gramática Normativa se apresenta como um estudo prescritivo da língua. O estudo prescritivo é aquele que aponta o que é o certo e o que é errado. Normalmente, este tipo de estudo gramatical se conecta a uma tradição que sugere que existe um falar e escrever correto e um incorreto.

O segundo tipo de estudo gramatical é conhecido pelo nome de Gramática Descritiva. Diferente da Gramática Normativa, a Descritiva vai buscar o seu material de estudo em jornais renomados, posto que está interessada em analisar a língua em esferas menos artísticas e mais atualizadas. Para diferenciar este estudo do anterior podemos observar o caso do gerundismo.

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Gerúndio é uma forma nominal do verbo utilizada para ações momentâneas como por exemplo “estou lendo um texto sobre gramática”. Entretanto, com o advento do telemarketing no Brasil começaram a aparecer construções que utilizam o gerúndio como uma forma de suavização de futuro, como no exemplo “vamos estar mandando na semana que vem os documentos”.

A Gramática Normativa afirma que o gerundismo é um uso equivocado da língua e constitui-se como um vício de linguagem a ser evitado. Já Gramática Descritiva denomina este uso como um novo fenômeno de comunicação presente no português do Brasil.

O terceiro tipo de estudo gramatical que apresentaremos neste texto é a Gramática Implícita. Esse tipo de estudo se relaciona com capacidade linguística apreendida de forma involuntária. Dessa forma, ela foca muito mais no campo da fala do que da escrita.

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De acordo com Bagno (2004), uma criança de quatro anos já domina boa parte das regras gramaticais de uma língua. Você nunca verá uma criança brasileira dizer “Ontem viajarei com minha mãe”, isto é, ela já percebe que o advérbio ontem deve se conectar com um verbo no passado, no caso, “viajei com a minha mãe”. O que ela ainda não conhece são sutilezas, as quais vão sendo aprendidas ao longo de seu percurso de estudo.

O quarto e último estudo que abordaremos aqui é a Gramática Reflexiva. Esta gramática se une a outros estudos da língua no intuito de conceber uma reflexão meio que holística dos sistemas linguísticos. Para realizar tal atividade, a gramática reflexiva procura aliados que possam ajudá-la no exercício de sua reflexão como: a linguística textual, a sociolinguística, a análise do discurso e a linguística aplicada ao ensino.

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A Gramática Reflexiva busca seu material de estudo em diferentes universos de linguagem como: nas histórias em quadrinhos, nas propagandas e no cinema. O que ela pretende é estudar como o elemento gramatical colabora na construção de sentido das mensagens.

Existem, ainda, muitos outros estudos gramaticais como: a Gramática Universal, a Gramática Histórica, a Gramática Comparada e a Gramática Geral. Cada um desses conhecimentos se envolve com uma circunstância específica da língua.

O que importa é que podemos ver que o estudo gramatical não fica preso apenas ao aprendizado de regras. Mais do que isso, a gramática nos mostra como organizamos nosso pensamento e de que maneira nos relacionamos com os fenômenos que a vida nos apresenta.

Quer saber mais sobre o mundo da gramática? Acesse: https://www.youtube.com/c/CaminhosdaLinguagem

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