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Esse toca batera até debaixo d’água (Foto/Charlotta de Miranda-Divulgação)

Fundada por Robert Karlsson, violista e violinista profissional, e pela cantora e compositora Laila Skovmand, a Between Music é uma organização artística dinamarquesa. O grupo entrega ao público espetáculos que misturam artes visuais, performances ao vivo e novas tecnologias.

Uma das produções mais emblemáticas da Between Music é Aquasonic, uma produção inovadora estrelada por uma banda aquática. Da performance dos músicos à captação do som, tudo acontece debaixo d’água! Todas as engrenagens que dão vida ao espetáculo funcionam submersas em cinco tanques, dispostos lado a lado que, juntos, usam nove mil litros de água e pesam mais de 10 toneladas.

Em conversa com o site Reverb, Karlsson explicou o conceito criativo do Aquasonic. Segundo o idealizador, o espetáculo é a primeira parte de quatro obras inspiradas na evolução humana.

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Como a vida começou na água e nós, como seres humanos, também começamos a nossa vida na água, o espetáculo explora o que todos nós temos em comum. Nossa relação com a água, que vai além de quaisquer diferenças culturais ou religiosas

A orquestra marítima é formada por hidrofones, cristalofones, violinos, arpas magnéticas, percussões e vozes. Os instrumentos são todos adaptados para o ambiente aquático e alcançam sonoridades singulares, inimagináveis e soturnas.

Antes de sair do campo das ideias e ganhar o palcos áquaticos, os músicos do espetáculo Aquasonic passaram meses em processos de treinamentos e ensaios. Em determinados momentos, os artistas chegaram a ficar até sete horas dentro dos tanques. Para criar o canto subaquático, por exemplo, uma das integrantes desenvolveu uma técnica que envolve cantar através de uma bolha de ar que ela mantém em sua boca, e que brota uma nova bolha a cada vez que o ar é puxado.

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O espetáculo é resultado de uma série de experiências em colaboração com mergulhadores, fabricantes de instrumentos e cientistas. Com bastante conhecimento de causa, Robert Karlsson comenta sobre os processos de criação dos equipamentos adaptados para funcionar no modo aquático. Segundo ele, a densidade da água cria uma resistência que “interrompe as vibrações muito rapidamente. Por isso, tem sido um processo muito longo para criar instrumentos que soem bem na água e, ainda mais, descobrir maneiras de fazê-los soar da mesma forma o tempo todo”. Ainda de acordo com os relatos Karlsson, a experiência envolve vários fundamentos da física básica:

Descobrimos que, por exemplo, se você mover um instrumento apenas 10 centímetros dentro do tanque, o som será muito diferente. Ou se a água estiver muito quente ou muito fria. Muitos fatores são essenciais para criarmos, para que possamos fazer a música e os sons que queremos

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A primeira apresentação completa da produção foi realizada na Holanda, em 2016. No ano passado, a companhia estreou na Dinamarca. Em 2018, o espetáculo se espalhou pela Europa, passou pela Austrália e vai desbravar a Ásia. Por enquanto, infelizmente, o lado de cá do planeta não está no itinerário do Aquasonic.

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