Gleicy registrou ocorrência contra o marido um mês antes de ser morta - Foto: Arquivo pessoal
Gleicy registrou ocorrência contra o marido um mês antes de ser morta – Foto: Arquivo pessoal

Um mês antes de ser encontrada morta dentro de casa, em Aparecida de Goiânia, Região Metropolitna de Goiânia, a dona de casa Gleicy da Silva Menezes, de 44 anos, registrou uma ocorrência contra o marido, o aposentado Ademar de Jesus Sales, de 63, preso suspeito do crime. Na ocasião, a vítima foi até a Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam), denunciou que foi espancada, que o marido tinha um “ciúme doentio” e que ele ameaçou divulgar vídeos íntimos dela após tomar seus dois celulares. No entanto, menos de uma semana depois, ela pediu que o inquérito não seguisse adiante.

Gleicy morreu no último sábado (22). A suspeita é que Ademar a estrangulou e depois ligou para o irmão dizendo que havia feito uma “besteira”. A família da mulher foi até a residência onde o casal morava e encontrou a vítima e o suspeito tentando se enforcar. Ele está preso no 1º DP da cidade. O G1 não conseguiu localizar a defesa dele.

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A dona de casa já havia sido vítima do marido, com que era casada havia 23 anos, outras vezes. No último dia 26 de agosto, ela procurou a polícia após um episódio de violência. Na época, segundo ela, após irem a casa de amigos na noite anterior, Ademar estava embriagado, e ela pediu para dirigir o carro na volta para casa.

Nesse momento, ele a xingou e a ameaçou de morte. Gleicy, então, pulou do carro em movimento para tentar fugir. O marido parou o carro, desceu e agrediu a vítima, que estava no chão, com chutes na cabeça. A dona de casa foi salva pelo segurança de uma empresa, que a ouviu pedir socorro. Ademar fugiu em seguida.

Vídeos íntimos
No mesmo dia, a mulher relatou que o marido ameaçou divulgar vídeos íntimos dela na internet. Gleicy contou que gostava de cantar para arrecadar fundos em campanhas beneficentes. Em algumas vezes, fazia imagens de si própria cantando nua em seu banheiro. Ela revelou que Ademar tomou seus dois celulares contendo as filmagens e disse que as divulgaria.

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Além disso, a dona de casa afirmou que era mantida “sob constante vigilância, de maneira doentia”, pelo autor. Que ele escondia o dinheiro dela para evitar que a mesma saísse de casa, mantendo-a isolada de parentes e amigos, ficando o dia inteiro dentro de seu quarto.

Ademar está preso suspeito de ter matado a mulher estrangulada - Foto: Arquivo pessoal
Ademar está preso suspeito de ter matado a mulher estrangulada – Foto: Arquivo pessoal

No início do casamento, segue o relato, o marido cometia “agressões sexuais”, mas depois passou a desprezá-la. Frequentemente, segundo ela, Ademar a agredia, “moral, verbal e fisicamente”. A violência era maior quando ele bebia, o que tinha passado a ocorrer com mais frequência nos oito meses anteriores.

Gleicy disse, na ocorrência, que nunca denunciou o marido por causa dos filhos. Mas que, desta vez, optou por representar criminalmente contra o marido e também solicitou medida protetiva, que foi deferida pela Justiça.

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No entanto, de acordo com a titular da Deam, delegada Ana Elisa Gomes, cerca de uma semana depois, Gleicy procurou a delegacia para pedir que a investigação fosse interrompida, pois já havia feito as pazes com o marido. Ademar chegou a prestar depoimento e alegou que estava arrependido.

“Nós fizemos um termo de declaração complementar, relatando o pedido, mas explicando que pela Lei Maria da Penha, não é possível fazer a retratação e que o inquérito segue a tramitação. Avisei para ela como faço com todas outras vítimas de violência doméstica: ‘vai acontecer de novo e nós estaremos com as portas abertas para atendê-la de novo'”, afirmou ao G1.

 

 

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