Bispo Dom Juventino - Foto: Varlei Cordova/ AGORA MT
Bispo Dom Juventino – Foto: Varlei Cordova/ AGORA MT

O Bispo Juventino Kestering, da diocese de Rondonópolis-Guiratinga emitiu uma carta aos cristãos sobre as eleições de 2018. Na carta o Bispo explica que cada cidadão/a tem o direito de votar, mas também o dever de votar com consciência.

Juventino orienta os cristãos e diz que a Igreja não se sobrepõe à consciência de nenhuma pessoa, mas, à luz da Doutrina Social, dos pronunciamentos do Papa e dos documentos publicados pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil que oferece critérios para o necessário discernimento nesse momento importante da história nacional.

CARTA AOS CRISTÃOS SOBRE AS ELEIÇÕES DE 2018

“Ai daqueles que fazem leis injustas, que escrevem decretos opressores para privar os pobres dos seus direitos e da justiça” (Isaías 10,1).

Caros irmãos e irmãs,

No próximo dia 7 de outubro somos convocados a exercer um direito fundamental do regime democrático: voto. Este ano eleitoral segue marcado por um acentuado desencanto com os políticos e com a política, marcado pela crise ética, pelo clima de ódio e intolerâncias e até ameaças a democracia. “O bem da nação requer de todos a superação de interesses pessoais, partidários e corporativistas. A polarização de posições ideológicas, em clima fortemente emocional, gera a perda de objetividade e pode levar a divisões e violências que ameaçam a paz social” (Nota da CNBB, 13 de abril de 2016)

Diante deste desafio que atinge a todos nós, a Diocese é chamada a dar orientações à luz da fé cristã. Cada cidadão/a tem o direito, mas também o dever de votar com consciência. A Igreja não se sobrepõe à consciência de nenhuma pessoa, mas, à luz da Doutrina Social, dos pronunciamentos do Papa e dos documentos publicados pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, oferece critérios para o necessário discernimento nesse momento importante da história nacional, a saber:

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1- Escolha candidatos (as) que tenham boa índole. Procure informações, em fontes seguras sobre sua vida, sua atuação na sociedade, seu trabalho social, os valores éticos e cristãos que defende. Sendo candidato à reeleição, procure saber como ele votou nos projetos de lei de interesse da população, especialmente dos mais pobres. Anular o voto ou votar em branco favorece o pior político, enfraquece a democracia e põe em risco a oportunidade de melhorar a política.

2- Conheça não apenas a pessoa do candidato, mas também o partido a que ele se afiliou. Compare as propostas que cada partido se propõe a colocar em prática e verifique se correspondem à visão de bem comum coerente com os valores do Evangelho. Evite espalhar noticias falsas, isso atrapalha o diálogo saudável estimula a intolerância e o ódio.

3- Vote em candidatos (as) que estejam comprometidos com políticas públicas que defendam e promovam a dignidade da vida em todas as suas fases, a inclusão dos excluídos e injustiçados, das mulheres, dos idosos, dos jovens, das crianças, das populações indígenas e dos mais vulneráveis. O voto é nossa melhor força para alcançar isso.

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4- Não merecem o voto, os candidatos (as) despreparados, que fazem da política a sua profissão, que se escondem por trás de interesses particulares, que formam grupos de poder ou “bancadas” e que só pensam em si mesmos e como lucrar para seu próprio proveito. Igualmente os candidatos oportunistas, que só aparecem em épocas de campanha ou que fazem promessas exageradas. A situação critica na qual o país se encontra requer a apresentação de propostas realistas para os graves problemas sociais e econômicos do país e não apenas propostas pontuais, de efeito midiático.

5- Não merecem o voto, candidatos (as) que ataquem os Direitos Humanos e incitam à violência como solução para os problemas sociais e que não defendam os valores da vida desde a fecundação até a morte natural; os valores da família, da liberdade religiosa, do respeito, da saúde, da educação, da moradia e da preservação do meio ambiente.

Nas eleições de outubro, deve-se avaliar com seriedade cada candidato, cada candidata, cada partido, seu programa de governo, suas propostas, sua campanha, as alianças de seu partido e sua atuação política passada. “O bem maior do País, para além das ideologias e interesses particulares, deve conduzir a consciência e o coração tanto de candidatos, quanto de eleitores” (CNBB, Eleições 2018: Compromisso e Esperança).

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E ainda: Precisa-se de cuidado na escolha dos senadores e deputados, que constituem o Poder Legislativo. No Congresso Nacional e nas Assembleias Legislativas é que se votam as leis que podem ajudar ou prejudicar o povo. A cidadania, no entanto, não se esgota no voto. É preciso continuar acompanhando os eleitos, cobrando-lhes o cumprimento de seu dever de servir o povo, através de conselhos municipais e fóruns de cidadania, entre outros.

O Papa Francisco lembra que: “Envolver-se na política é uma obrigação para um cristão. Nós, cristãos, não podemos nos fazer de Pilatos e lavar as mãos. Não podemos! Devemos nos envolver na política porque a política é uma das formas mais elevadas da caridade, porque ela procura o bem comum” (Papa Francisco 07/06/2013).

Que o Sagrado Coração de Jesus, patrono de nossa Diocese, ilumine a nós e a todo povo brasileiro, para o bom exercício da eleição, elegendo os nossos representantes, esperança de dias melhores, garantia da democracia, superando a intolerância e dialogar para anunciar o Reino de Deus, sendo “sal da terra e luz do mundo”.

Juventino Kestering

Bispo da diocese de Rondonópolis-Guiratinga

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