Moa do Katendê foi morto a facadas - Foto: Reprodução/Facebook
Moa do Katendê foi morto a facadas – Foto: Reprodução/Facebook

“Meu pai era meu tudo. Eu me preocupava com tudo com ele”, conta emocionada Amonaí da Costa, filha do mestre de capoeira Moa do Katendê, de 63 anos. Ele foi morto a facadas após uma discussão sobre política, na madrugada desta segunda-feira (8), em Salvador.

Outro homem, de 51 anos, parente da vítima, também foi ferido no ataque. Ele foi identificado como Germínio do Amor Divino Pereira e está internado no Hospital Geral do Estado (HGE), com ferimento no braço. Não há detalhes do estado de saúde dele.

A filha do mestre de capoeira disse que o pai era uma pessoa calma e evitava brigas. “Ele não procurava briga com ninguém, era uma pessoa que apaziguava as situações, um historiador que trabalhava com cultura e música. Eu perdi minha mãe tem um mês, e ele estava me acalmando. Uma pessoa que estava me dando força para eu poder vencer”, enfatizou.

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Amonaí contou também que não estava com o pai no momento do crime e que ficou sabendo da situação por telefone. “Eu soube da notícia por volta da 0h30. Já me levantei da cama me tremendo toda, assustada. Quando cheguei aqui, encontrei meu pai desfalecido no chão, todo ensaguentado. Porque tanta violência? Tanta brutalidade, crueldade. Dia 29 de outubro era o aniversário de meu pai, e ele estava todo animado”, disse.

Segundo a polícia, o suspeito identificado como Paulo Sérgio Ferreira de Santana, de 36 anos, confessou o crime. Ele foi apresentado à imprensa na manhã desta segunda-feira, no Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), em Salvador.

Ainda segundo a Polícia Civil, Paulo Sérgio chegou em um bar, na localidade do Dique Pequeno, bairro do Engenho Velho de Brotas, e se envolveu em uma discussão com Moa. Após desentendimento, o autor da agressão saiu do estabelecimento, pegou uma arma branca na casa onde mora e retornou ao bar.

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“Ele [Paulo Sérgio] disse que no momento em que ele voltou para o bar, ele se embolou com a vítima. As testemunhas não confirmam essa versão. Inicialmente eles discutiram por divergência política”, disse a delegada Milena Calmon, que investiga o caso.

No DHPP, o suspeito informou que foi xingado e que estava consumindo bebida alcoólica desde o início da manhã de domingo. Em depoimento, ele comentou ainda que estava arrependido.

“Vamos ouvir outras testemunhas que nos ajudarão a esclarecer totalmente o caso”, informou Milena Calmon. A polícia disse ainda que Paulo tinha envolvimento com outros dois casos de discussões, em 2009 e 2014, mas não detalhou as situações.

Segundo informações da PM, uma guarnição da 26ª Companhia Independente de Polícia Militar (CIPM) foi acionada por conta do crime e, ao chegar no local, testemunhas disseram aos policiais que o autor do crime teria fugido para um beco. Os PMs então iniciaram a procura pelo homem.

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Na busca, os policiais avistaram um rastro de sangue que levava até uma casa. Ao entrarem no imóvel, eles encontraram o suspeito escondido no banheiro e o prenderam. Conforme relatou a PM, o homem já estava com uma mochila, no intuito de fugir.

O homem de 51 anos que ficou ferido foi atingido no braço e levado para o Hospital Geral do Estado (HGE). Não há detalhes do estado de saúde dele.

Paulo Sérgio também foi levado para o HGE para ser medicado, pois estava com um corte no dedo, e depois apresentado no Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).

O corpo de Moa do Katendê foi encaminhado para o Departamento de Polícia Técnica (DPT) e ainda não há detalhes sobre o sepultamento dele.

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