Imagem: depressao
Depressão | Foto: Reprodução/iStock/Thinkstock

A avaliação foi feita por especialistas participantes do programa Ciência Aberta sobre depressão em jovens e adolescentes, exibido em 6 de novembro a partir do auditório da FAPESP. Realizado mensalmente, o programa é produzido pela FAPESP em parceria com o jornal Folha de S.Paulo.

“Se desde crianças as pessoas forem capazes de processar, entender e compreender melhor emoções, como tristeza, raiva e medo, elas terão muito mais clareza e condições para lidar com elas e, provavelmente, serão menos afetadas pelo estresse e outros sentimentos”, disse Adriana Fóz, pesquisadora do Laboratório Interdisciplinar de Neurociências Clínicas da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), em participação por vídeo.
De acordo com Guilherme Vanoni Polanczyk, professor do Departamento de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), a maioria dos casos de depressão e de outros transtornos mentais começa na puberdade, provavelmente por influência dos hormônios sexuais. Segundo ele, nessa fase da vida, o número de casos de depressão aumenta substancialmente, principalmente entre meninas.

“Essa diferença de casos de depressão entre os sexos se mantém ao longo da vida. Já em crianças, a prevalência de depressão está em torno de 1%”, comparou Polanczyk, que coordena o Núcleo de Pesquisa em Neurodesenvolvimento e Saúde Mental da USP e é chefe da Unidade de Internação do Serviço de Psiquiatria da Infância e Adolescência do Instituto de Psiquiatria da mesma universidade.

Em adolescentes, os sintomas de depressão mais comuns são alteração de humor, caracterizada por predomínio de tristeza, melancolia e irritabilidade, juntamente com a perda de entusiasmo por atividades que despertavam interesse e prazer, além de mudanças nos padrões de sono e de apetite, maior sensação de cansaço e a persistência de pensamentos negativos sobre si e em relação ao futuro.

A existência desses sintomas por um período maior do que duas semanas e referências à morte e ao suicídio são sinais de alerta do desenvolvimento de uma quadro de depressão, que pode ocorrer uma única vez ou se repetir ao longo do tempo e resultar em um transtorno depressivo, explicaram os especialistas.

“Esse conjunto de sintomas não necessariamente implica um quadro de depressão, mas é um sinal de alerta”, ponderou Polanczyk.

O desconhecimento sobre saúde mental, a fantasia de que adolescência e juventude são períodos excelentes da vida e, portanto, não é possível estar deprimido nelas, além da opinião deturpada de que a depressão é sinônimo de fraqueza, dificultam o diagnóstico e, consequentemente, o tratamento da doença, apontaram os participantes.

“A depressão é uma vulnerabilidade que algumas pessoas apresentam em razão de um desequilíbrio neuroquímico e que precisa ser identificada e tratada. Quanto menor o tempo em que isso for feito, melhor para o paciente, que terá menos complicações ao longo da vida”, disse Sandra Scivoletto, professora de Psiquiatria da Infância e Adolescência no Departamento de Psiquiatria da FMUSP. A pesquisadora é responsável pela execução da orientação acadêmica do Serviço de Psiquiatria da Infância e Adolescência e pela residência em Psiquiatria da Infância e Adolescência no Instituto de Psiquiatria da FMUSP.

Comentários

*Os comentários aqui publicados são de responsabilidade dos usuários e não representam a opinião do site.