30 de outubro de 2020
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    Lançamento de livro ‘Manifesto da Manifesta’ acontece nesta sexta

    O lançamento do livro ‘Manifesto da Manifesta’ acontece nesta sexta-feira (16), às 19h, no Casario, em Rondonópolis.

    “Manifesto da Manifesta” é o terceiro livro Caio Augusto Ribeiro. O projeto foi premiado pelo edital municipal de cultura recebendo incentivo para publicação. O livro foi construído a partir de pesquisa sobre a tradicional mídia impressa do lambe-lambe – que é basicamente um cartaz com conteúdo artístico e/ou crítico colado em espaços públicos. É uma forma de intervenção criativa na cidade, com o poder de despertar as pessoas para reflexões que em geral não estão presentes no nosso dia a dia. Com participação em um dos estágios da pesquisa a escritora Marília Beatriz Figueiredo, junto com Caio Ribeiro, desenvolveram uma série de lambes que foram fixados pala cidade de Cuiabá. A partir destes processos, efetivou-se a relação que o autor queria que o livro tivesse com as coisas, com a época, com o leitor, com o espaço – especialmente o público.

    Caio Augusto Ribeiro é autor dos livros “Porão da Alma” (Clube de autores, 2015), “Colecionador de Tempestades” (Carlini & Caniato, 2017) e “Manifesto da Manifesta” (Carlini & Caniato, 2018). Dirigiu o vídeo-arte “Réquiem para Flores” (2017). Trabalha com teatro desde 2009 e atualmente flerta com a performance. Fundador do coletivo Teatro Laboratório Experimental, grupo de pesquisas em processos criativos para teatro (mas não só isso). É acadêmico de Ciências Sociais pela UFMT.

    Depois de todas essas ações, o Caio iniciou o processo de montar o livro e a criação das poesias, sempre atento com tudo que estava acontecendo lá fora e aqui dentro. É um livro bem diferente do anterior porque nesse Caio realmente se preocupa com o estudo de um conceito, estudando a construção de um manifesto enquanto passeava pelos principais manifestos do nosso tempo. Durante o processo de construção do texto o autor deu continuidade nos estudos do poema-processo e poesia-visual, especialmente influenciado por Wlademir Dias Pino e Silva Freire, com um pinguinho de Yoko Ono. Desta forma é um livro livre e que foi feito com muito cuidado. A capa é uma criação do multiartista Luiz Marchetti, desenvolvida a partir do conceito do livro.

    Resenhas:

    “Manifesto da Manifesta” põe em movimento desfazimentos e sensações. Aqui, as palavras são entes viventes que querem se despir de um sentido obrigatório, despregar-se do quadrante das páginas, romper a insígnia da poesia, decolar para fora do livro.

    Há um convite-desafio proposto pelo autor: “as páginas serão destacáveis” faça “o que quiser com elas”. Retire, encontre, cole, use. Há uma soltura em jogar com o encadeamento das frases, com o movimento da forma gráfica na sequencialidade das páginas, com a repetição desajustada de morfemas, palavras e rimas.

    Capítulo a capítulo, uma inconstância nos empurra, pretensamente e sem recato, para um espaço de flutuação. Lá, nesse espaço, tomam voz diversos temas, gritos e “nãos” que lucidamente se contradizem, que dão visualidade sem tatuar.

    Se a forma não basta, se o sentido não basta, por entre essas costuras, a obra vai tecendo outro fio, trazendo o experiencial. Criando instantes e propondo vivências de intensidades, nas quais devemos imergir como corpos aprendizes desatando, nó por nó, nós mesmo”

    Ângela Coradini

    Em “Manifesto da manifesta”, a poesia ganha contornos de um lirismo político que leva a existência e suas manifestações a um limite em que linguagem e estrutura se tornam um desafio para o poeta. Na verdade, um desafio para a inquietação do poeta. Um risco calculado e laborado, mas que não se furta a render-se a uma ou outra pulsão.

    Dividido em cinco partes, a poesia manifesta afronta a lei, brinca com o espaço do formato livro. Os poemas são mínimos, alguns outros mais extensos, não se apegam a formatação alguma, criam nuances em que expandem vivências que estão a ponto de explodir ou de se calar. Mas não se calam. Fazem ecoar um grito de greve geral contra as opressões, as angústias artificiais, ao que engendra interdições à poesia e a favor de tudo que nos revele/transforme, seja autoafirmação e gosto da presença do Outro. Em Caio Ribeiro, a esperança é um coração indomável.

    E retornando ao lirismo político. E para essa composição não faltam beleza e veemência. O poeta se abre para o mundo, em imagens, palavras e sons que podem ser colhidos e reverberados por aquela/aquele que lê. E o fazer poético já é um fazer político, um retumbante eco de nossos desejos de ultrapassar cubículos e partilhar toda sorte de experiência. Até mesmo a solidão que nos contagia. Peripécia da qual o poema é capaz.

    Se Antonin Artaud nos disse que “Ninguém alguma vez escreveu ou pintou, esculpiu, modelou, construiu ou inventou senão para sair do inferno”, Caio Ribeiro nos mostra que o paraíso é promessa realizável. Ainda que alcançá-lo seja um convite para um novo movimento para encontrá-lo.

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