É claro que houve (alguns) grandes discos, shows e canções. Como em todo ano, aliás. Contudo, 2018 sai hoje de cena sem deixar marcas na música do Brasil. Fica a impressão de que o ano somente confirmou o que já havia sido apontado em 2017.

Se Chico Buarque foi aclamado ao percorrer o Brasil com Caravanas, show que estreara em dezembro do ano passado, Anitta somente alicerçou o caminho internacional que vem pavimentando desde 2016 – trilha em que avançou em 2018 ao se tornar uma das técnicas da última edição mexicana do programa The Voice.

Se Caetano Veloso celebrou a própria dinastia ao dividir o palco com os filhos em show que já vinha sendo apresentado desde outubro de 2017, Pabllo Vittar – uma das sensações do ano passado – por enquanto não passou com louvor na prova do segundo álbum, Não para não, mais artificial e menos espontâneo do que o primeiro.

No império do Brasil pop sertanejo, Luan Santana e a dupla Zé Neto & Cristiano mantiveram o sucesso de anos interiores. Nada de realmente novo também surgiu no mundo do funk. Jojo Todynho – funkeira transformada em fenômeno do ano já em janeiro por conta do petardo Que tiro foi esse? (DJ Batata e Pitter Correa, 2017), disparado quase ao apagar das luzes do ano passado – parece sair de 2018 com munição e futuro menos certeiros.
Munição mais forte teve Iza, que ascendeu ao longo deste ano com vigoroso primeiro álbum, Dona de mim, confirmando a aposta feita em 2017 na artista carioca. No rap, aliás, Baco Exu do Blues também bisou com o álbum Bluesman a aclamação do ano anterior.
Entre perdas sentidas como as das cantoras Angela Maria (1929 – 2018), Ivone Lara (1922 – 2018) e Miúcha (1937 – 2018), medalhões da MPB provaram que continuam com vigor na casa dos 70 anos.

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Gal Costa lançou um dos grandes álbuns da carreira, A pele do futuro, seguido por show que, mesmo tendo diluído no roteiro as intenções e o repertório do disco, arrebatou público e crítica. Gilberto Gil se mostrou em forma com a safra autoral do álbum OK OK OK e também estreou show.

Já Maria Bethânia confirmou a tendência dos shows gregários e se juntou a Zeca Pagodinho em turnê nacional que celebrou o samba e que, por conta do sucesso, se estenderá até janeiro de 2019.

E por falar em show, os Tribalistas arrastaram multidões para ginásios e arenas em turnê que foi para o exterior e que confirmou Marisa Monte como a líder e a luz do trio. Já Beth Carvalho se manteve de pé no chão, mesmo fazendo show deitada por conta de dores fortes na coluna.
Entre tributos a ídolos do passado, motes de grandes shows de Mônica Salmaso e Teresa Cristina, Elza Soares reiterou com o álbum Deus é mulher que o tempo da cantora de 88 anos é hoje.

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No terreirão do samba, Martinho da Vila celebrou os 80 anos de vida com dois álbuns que não fizeram jus ao talento do bamba, Alô Vila Isabeeeel!!! e Bandeira da fé. Já Moacyr Luz festejou 60 anos com o melhor álbum da carreira, Natureza e fé. Correndo por fora, o grupo Casuarina se firmou sem João Cavalcanti com o álbum + 100.

Mas quem ainda compra álbum na era do single e das edições puramente digitais? Enquanto o CD e o DVD agonizam no mercado fonográfico do Brasil como mídias físicas relegadas a nichos de consumidores, o Skank lançou de forma avulsa uma das melhores canções da carreira, Algo parecido, outra prova da inspiração do craque Samuel Rosa. E Luan Santana apresentou uma das baladas mais bonitas do cancioneiro do compositor hitmaker Bruno Caliman, parceiro de Rafael Torres nessa canção romântica intitulada 2050.

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Em 2018, como nos últimos anos, uma canção teve mais chance de marcar época se foi lançada em single. Talvez por isso poucos tenham prestado atenção na luz melódica de Sol da Barra – belo presente de Marcelo Camelo para o melhor álbum de inéditas lançado por Erasmo Carlos desde os anos 1980, …Amor é isso – e na poesia de Livre do amor, a canção que Adriana Calcanhotto fez para Gal Costa.

E por falar em Calcanhotto, é da antropofágica artista gaúcha o show brasileiro conceitualmente mais impactante de 2018, A mulher do Pau Brasil, banquete servido às massas que abriram os ouvidos para escutar algo além da batida pop funk sertaneja que dominou o Brasil em 2018 como já fizera nos últimos anos.

Até nesse repeteco da supremacia sertaneja 2018 se provou um ano musical pouco marcante, cuja única real revelação foi a superestimada Duda Beat, cantora e compositora pernambucana que deu moderninha roupagem pop eletrônica à sofrência do brega do Recife (PE) no álbum Sinto muito, lançado em abril.

Que venha 2019 com novos discos, shows e músicas porque o show tem que continuar.

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