Manifestantes fazem barricada na avenida Champs Élysées, em Paris - Foto: Geoffroy Van Der Hasselt / AFP
Manifestantes fazem barricada na avenida Champs Élysées, em Paris – Foto: Geoffroy Van Der Hasselt / AFP

O primeiro-ministro francês, Edouard Philippe, anunciou nesta terça-feira (4) a suspensão por seis meses do reajuste do imposto sobre combustíveis que estava previsto para 1º de janeiro, em uma tentativa de apaziguar os ânimos e evitar novos protestos dos “coletes amarelos”.

O governo anunciou também a suspensão temporária de vistorias técnicas mais rigorosas dos automóveis (previstas para o próximo ano) e garantiu que, até maio, não haverá aumento no preço da tarifa elétrica até maio.

O aumento dos impostos sobre os combustíveis, junto com a queda no poder aquisitivo dos franceses, é motivo dos protestos dos chamados “coletes amarelos”, que nasceu no interior no país e chegou às grandes cidades depois que ganhou força nas redes sociais.

“Desde o início do movimento, quatro compatriotas morreram, centenas de cidadãos – particularmente membros das nossas forças de ordem – foram feridos, às vezes gravemente. É por isso, na preocupação de acalmar, que tomamos essas decisões com o presidente da República”, disse.

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“O governo fez propostas. Talvez elas sejam insuficientes ou inaptas. As soluções devem ser diferentes nas grandes cidades e no interior. Vamos conversar, melhorá-las, completá-las. Estou pronto”, afirmou Philippe.

Protestos em todo o país
No último fim de semana, 136 mil pessoas saíram às ruas de todo o país para protestar. No sábado (1º), o confronto dos manifestantes com a polícia na Avenida Champs-Elysées, em Paris, terminou com 130 feridos e mais de 400 detidos.

Carro é incendiado em frente à escola Jean Pierre Timbaud, em Aubervilliers, durante protesto -Foto: Thomas Samson/ AFP
Carro é incendiado em frente à escola Jean Pierre Timbaud, em Aubervilliers, durante protesto -Foto: Thomas Samson/ AFP

Os “coletes amarelos” continuaram suas ações na segunda (3) em diversos pontos do país com bloqueios de rodovias, estradas e acessos a complexos petrolíferos.

Para o presidente Emmanuel Macron, o aumento dos impostos era necessário para combater a mudança climática e proteger o meio ambiente.

Mas o movimento evoluiu para uma revolta geral contra Macron, que muitos criticam por implementar políticas que favoreceriam apenas os membros mais ricos da sociedade francesa.

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Estudantes de ensino médio também protestam contra mudanças em feculdades e universidades, e decidiram bloquear cerca de 100 escolas em todo o país. Em Aubervilliers, ao norte de Paris, sete adolescentes foram presos depois que a polícia de choque foi chamada para o colégio Jean-Pierre Timbaud, onde um carro foi derrubado e lixeiras foram incendiadas.

Macron avaliava a possibilidade de decretar estado de emergência após o pior período de tumultos em anos. Mas, na segunda-feira (3), o secretário de Estado do Interior, Laurent Nuñez, afirmou que o decreto não estava na ordem do dia.

‘Coletes amarelos’
O movimento que tem como símbolo o “colete amarelo”, que é item obrigatório para os veículos franceses, começou em 17 de novembro. A mobilização se espalhou rapidamente pelas redes sociais e os protestos atingiram grandes cidades francesas causando grandes danos nos últimos três finais de semana.

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Ele conta com o apoio de dois em cada três franceses e uma petição “por uma redução nos preços do combustível” que superou o milhão de assinaturas.

O primeiro dia nacional de protesto mobilizou 282.000 pessoas, o segunda cerca de 106 mil (8 mil em Paris). No último fim de semana, foram 136 mil.

Desconcertado, o governo não consegue dialogar com representantes do movimento, que nasceu nas redes sociais, desvinculado de qualquer comando político ou sindical.

Os anúncios feitos pelo presidente Macron – um dispositivo para limitar o impacto dos impostos sobre o combustível, assim como um “grande diálogo” – não convenceram e o clima de tensão prossegue.

O movimento já começou a ultrapassar as fronteiras da França. Uma centena de “coletes amarelos” belgas também se manifestaram na última sexta-feira (30) em Bruxelas.

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