Imagem: como combater a solidao01Essa é uma boa notícia para celebrar o Natal. Ao todo, 126 projetos espalhados pelo Reino Unido receberão, cada um, cerca de 100 mil libras, o equivalente a quase R$ 500 mil, como anunciou o jornal “The Guardian” semana passada. O objetivo: combater a solidão. Num deles, voluntários vão a vilarejos remotos numa van que serve café, chá e bolos caseiros. O veículo se transforma num espaço móvel para levar informações sobre serviços a que os idosos têm direito, mas também proporciona conversa, apoio e calor humano. Há ações voltadas para outros segmentos, como mulheres de origem paquistanesa ou jovens LGBT, uma vez que essa epidemia “oculta” não afeta apenas quem é velho. Outro exemplo é o da entidade The Ramblers, que realiza caminhadas em grupo. Quem participa se beneficia ao fazer exercício e criar laços sociais.

Em janeiro deste ano, a primeira-ministra britânica, Theresa May, havia criado uma secretaria especial, com status de ministério, justamente para lutar contra esse mal que vem ganhando proporções epidêmicas. Atualmente, a solidão é vista como tão nociva para a saúde quanto a obesidade e o hábito de fumar, e está associada ao aumento do número de casos de demências e mortes prematuras. De acordo com a Cruz Vermelha Britânica, numa população de quase 66 milhões de pessoas, 9 milhões dizem viver permanentemente ou frequentemente sozinhas.

No meio de dezembro, pesquisadores da faculdade de medicina da Universidade de San Diego publicaram um estudo mostrando que a solidão pode ser particularmente aguda em três fases da vida: perto dos 30 anos, no meio da casa dos 50 e no final dos 80. No fim da faixa dos 20 porque bate forte a angústia sobre a falta de perspectivas profissionais. Aos 50 chegam a crise da meia-idade e o convívio com doenças crônicas; já mais perto do fim da vida, as limitações físicas e cognitivas são determinantes para minar o bem-estar. Os participantes tinham entre 27 e 101 anos e nenhum apresentava doenças físicas ou psicológicas sérias. A médica geriatra Ellen Lee afirmou que, embora a solidão esteja associada a fatores negativos como o consumo abusivo de substâncias como álcool e drogas, saúde debilitada e prejuízo cognitivo, a pesquisa ajudou a mapear características que “protegem” os indivíduos da solidão. São elas: empatia, compaixão, capacidade de reflexão e controle emocional. Que outros governos se inspirem.

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