06 de fevereiro de 2021
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    Mais um casarão começa a desabar no Centro Histórico da Capital

    Este é o terceiro casarão que desmorona no Centro Histórico de Cuiabá em menos de seis meses.

    Imagem: Casa Fé e Alegria

    Aos 30 dias de abril de 2019, ainda no mês em que Cuiabá celebra 300 anos de história, a cidade amanhece outra vez com semblante fechado. O tempo nublado e a fina garoa que cai sobre a Capital na manhã desta terça-feira simboliza, também, outra queda – a de mais um casarão antigo. E com mais este, o segundo somente neste ano, se vai mais uma parte da identidade do povo cuiabano fundida nos tijolos de adobe das paredes da casa nº 360, da Rua Pedro Celestino.

    De acordo com o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), o casarão é tombado administrativamente pelo Poder Público, que agora também está prestes a vê-lo tombar, desta vez, pela inércia de políticas públicas eficazes, no ritmo contrário do movimento imposto pelas ações do tempo e das chuvas típicas do início do outono. A área já está isolada com ‘gelo baiano’ e a parede da fachada encontra-se escorada apenas pelo poste da rede elétrica, que também corre risco de cair e gerar acidentes.

    O vereador por Cuiabá, Abílio Júnior (PSC), que também é formado em arquitetura e urbanismo, ressalta que a responsabilidade pela preservação do patrimônio histórico é do Poder Público. “Iremos representar a Prefeitura nos órgãos de controle e buscar explicações para este fenômeno que estamos observando, denominado ‘Os Escombros dos 300 anos’. Este é o segundo a cair somente neste ano e terceiro deste o início desta gestão, que já está marcada pela destruição da identidade do povo cuiabano”.

    O casarão serviu por longo período de abrigo a um projeto social, promovido por uma organização ligada ao movimento dos Jesuítas, sem fins lucrativos, que ofertava educação integral e inclusiva, cujo nome era ‘Fé e Alegria’. No entanto, com o término do contrato, o edifício vinha servindo de ponto de encontro de usuários de drogas e de prostituição. E com as chuvas típicas deste período do ano, as infiltrações fizeram as paredes ruir há cerca de uma semana.

    Imagem: Casarão cai 3
    Foto: Casarão já abrigou projeto social.

    De acordo com o secretário de Cultura, Esporte e Turismo de Cuiabá, Francisco Vuolo, a responsabilidade pela conservação do imóvel é, principalmente, do proprietário. Por se tratar de um casarão tombado, está sob a salvaguarda do Iphan. “No entanto, o Município é solidário com o órgão federal e tem buscado unir forças para manter de pé nossa história. Um exemplo é ali, também na Rua Pedro Celestino com a Campo Grande, onde fizemos o escoramento de um casarão prestes a desmoronar”, citou.

    Vuolo ainda afirma que o Município não tem o poder de intervir no imóvel. Embora esteja localizado no espaço urbano, ele afirma que a Lei Orgânica não garante essa prerrogativa. Para que hajam ações efetivas, o secretário está buscando criar uma nova política pública, que deverá envolver, além da própria Prefeitura, os proprietários, a União, o Estado e Ministério Público.

    “O grande desafio não é recuperar o imóvel em si, mas dar ocupação a esses casarões. Enquanto havia ocupação neste edifício da Pedro Celestino, havia manutenção. E o custo não é barato. Por isso é que estamos trabalhando na elaboração de um Plano Diretor para o Centro Histórico, que visa atuar em três vertentes – viés patrimonial, o social e o econômico. Afinal, é lamentável para todos nós ver isso acontecer”, pontou.

    Imagem: Casarão cai
    Foto: Prefeitura estuda a elaboração de um Plano Diretor para o Centro Histórico da Capital.

    Casa Pepe

    No dia 29 de janeiro deste ano, o casarão do final do século XIX que deu origem à primeira gráfica e papelaria de Cuiabá, conhecida como Gráfica Pêpe, na Rua Sete de Setembro, desabou na manhã desta terça-feira (29). O casarão chegou a pertencer ao então governador Generoso Ponce e, posteriormente, foi adquirido pelo coronel da Guarda Nacional, Avelino de Siqueira.

    Após sua morte, em 1916, a esposa Maria Luiza Hugueney de Siqueira abriu a primeira gráfica de Cuiabá, que passou a se chamar Livraria Pêpe. Moradores da região chegaram a frequentar o comércio há 50 anos. Eles relataram que o local era muito movimentado e podia se encontrar desde livros até convites de casamento.

    Imagem: Gráfica Pepe
    Foto: Casarão abrigou uma das primeiras gráficas de Cuiabá.

    Casa de Bem-Bem

    A estrutura da Casa de Bem Bem, na Rua Barão de Melgaço, no Centro de Cuiabá, foi danificada pela chuva no último dia 10 de dezembro. A casa era conhecida pelos cuiabanos como um lugar alegre e receptivo. Em meados dos anos 70 passou a sediar as tradicionais festas de São Benedito. Enquadrada no PAC Cidades Históricas, o casarão passava por restaurações quando desabou.

    A casa abrigou ilustres personalidades, como Constança Figueiredo Palma, “Dona Bem Bem” como era conhecida, foi uma típica cuiabana muito carismática e solidária que nasceu em 1919 e faleceu aos 71 anos, em 1990. Ela é mãe do ex-prefeito de Cuiabá, Rodrigues Palma, e viveu no local.

    Imagem: Casa de Bem Bem
    Foto: Casarão passava por obras de restauração quando desabou parcialmente.

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