Abraham Weintraub ministro de Educação - Foto/Reprodução
Abraham Weintraub ministro de Educação – Foto/Reprodução

Próximo de completar os 100 dias, o governo Bolsonaro na última segunda-feira teve mais uma baixa. Dessa vez, o colombiano Ricardo Vélez foi demitido do cargo de ministro da Educação após consecutivas polêmicas. Assume em seu lugar o economista e mestre em finanças Abraham Weintraub, que já atuava no governo como secretário executivo da Casa Civil.

A escolha de um economista para a pasta, uma das mais importantes do governo e responsável pela política educacional que norteia o trabalho das 184 mil escolas existentes no Brasil, gerou burburinho entre representantes do setor, mas especialistas enxergam com bons olhos a mudança. “Vejo de forma positiva a entrada deste novo ministro. É um grande preconceito achar que um financista não pode ser gestor da Educação. Até porque a grande crítica ao ministro anterior era o fato de que ele entendia pouco de gestão. O atual é um economista, administrador, um financista”, avalia Jailson Silva, professor universitário e especialista em Administração em Educação, que também defende que o novo ministro não precisa ser necessariamente um educador.

Para Silva, Weintraub além de transformar em ação organizacional com planejamento, organização, direção e controle os desafios do Governo Federal para a pasta, terá que trabalhar como um mediador de conflitos. “O clima político e acadêmico não é amistoso. Para isso, ele vai ter que trabalhar nas competências básicas de gestão para conseguir – usando a expressão dele – colocar a bola no chão e tocar para a frente. Sem uma equipe, cada um joga a bola para um lado e o país não avança”, comenta.

 Bola para a frente na educação

Com a movimentação da principal função do Ministério da Educação, o setor educacional mostra-se com expectativas de que as ações sejam melhor articuladas e coesas, algo que não foi demonstrado na curta gestão do ex-ministro. Vélez demitiu 92 pessoas do alto escalão do Ministério da Educação (MEC), sem contar os 20% dos servidores que pediram demissão. As decisões e declarações polêmicas do ex-ministro só demonstravam o pouco tato político para a função que assumiu.  Cargos importantes, como o comando do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) ficaram vagos. “Como líder, Vélez não conseguiu pacificar as diferentes correntes, o que gerou uma paralisia no MEC. A saída dele vai permitir que o órgão comece a se desenvolver”, declara otimista o professor Carlos Monteiro, fundador e diretor presidente da CM Consultoria, especializada na área educacional.

Como o novo comando da pasta, o setor de educação privada espera “que o MEC dê condição para as instituições trabalharem e se desenvolverem, evite ao máximo enxurrada de leis, portarias e decretos comuns a todo governo”, sinaliza Carlos Monteiro. Maior agilidade nos processos de andamento dos pedidos das instituições, quanto à criação e aos reconhecimentos de cursos, é outro ponto citado pelo especialista. “Os processos precisam ser mais rápidos e menos burocráticos na sua tramitação”.

Outra questão de grande relevância é o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), um dos principais programas do Ministério da Educação. Dados do Sindicato das Entidades Mantenedoras de Estabelecimentos de Ensino Superior no Estado de São Paulo (Semesp) apontam que cerca de 1.300 entidades que têm alunos beneficiados pelo FIES ainda não receberam repasse de recursos neste ano. A estimativa é de R$ 3 bilhões em atraso, em todo o país.

A equação deveria fortalecer o programa, já que a instituição de ensino precisa da matrícula dos alunos da nova classe média e, os estudantes, do financiamento. “Mas o que a gente está vendo é uma queda acelerada de matrículas. Muitas instituições, principalmente as de menor porte, estão em uma situação financeira difícil”, acrescenta Monteiro. A esperança do setor é que, sendo da área da economia, o novo ministro possa entender melhor essa conta. “Como ele vem da Casa Civil, a expectativa é que tenha bom trânsito para conseguir as aberturas necessárias para que o FIES volte a funcionar”, conclui.

 

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