Ícone feminino da Jovem Guarda, Wanderléa se reencontrou com Martinha, cantora e compositora também projetada no movimento pop que eletrizou boa parte da juventude do Brasil entre 1965 e 1968.

O reencontro aconteceu na noite de anteontem, 16 de abril, no palco do Teatro Itália em show feito em São Paulo (SP), cidade-sede do programa comandado por Roberto Carlos.

Organizado pelo produtor Thiago Marques Luiz em tributo a Martinha, o show Minha história foi gravado ao vivo para gerar álbum previsto para ser lançado em junho pelo selo Discobertas.

Cantora apelidada de Queijinho de Minas por Roberto Carlos por ser das Geraes, assim como Wanderléa (a Ternurinha), Martinha teve 19 músicas do cancioneiro autoral interpretadas por time eclético de convidados.

Além de Wanderléa, o elenco do show incluiu os cantores Agnaldo Timóteo, Ayrton Montarroyos, Cida Moreira, Claudette Soartes, Erika Martins, Flávia Bittencourt, Gilliard, Helio Flanders, Maria Alcina, Sérgio Reis, Silvio Brito e Wanessa Camargo, entre outros nomes pouco vistos como a dupla Célia e Celma, intérprete da canção Ele (1980).

Wanderléa encerrou o show, dando voz ao maior sucesso de Martinha, Eu daria a minha vida (1967). Após o número de voz & violão, feito pela Ternurinha com o músico Norberto Vinhas, Wanderléa chamou Martinha ao palco.

Com a carreira de cantora momentaneamente paralisada por conta de problemas nas cordas vocais, Martinha declamou o poema Sendo filha de quem sou com o toque do piano de Miguel Briamonte.

O tributo Minha história entrega em flores em vida – mais precisamente, 72 anos de vida a serem festejados em junho – a uma compositora que construiu obra simples e por vezes sedutora, erguida em torno dos pilares da canção sentimental do Brasil. O que facilitou a migração da artista do reino encantado da Jovem Guarda para o universo sertanejo, geralmente com músicas em parceria com o compositor César Augusto.

Wanessa Camargo, por exemplo, cantou uma música dessa parceria, Queixas, lançada em disco pela cantora paraguaia Perla em 1985 e regravada pela dupla Chitãozinho & Xororó em 1986.

Outra música da parceria – Não está sozinho quem tem Deus do lado (1981), ouvida no show na voz de Silvio Brito – foi composta com a adesão de Gilliard, cantor que subiu ao palco do Teatro Itália para reviver Pouco a pouco (1982), grande sucesso da parceria de Martinha e César Augusto lançado pelo próprio Gilliard.

Embora Claudette Soares tenha gravado canção recente de Martinha, Tudo (2000), composta para Roberto Carlos a pedido do cantor, boa parte do repertório vem dos anos 1960.

Cida Moreira deu a voz maturada a um dos maiores sucessos de Martinha na era da Jovem Guarda, Eu te amo mesmo assim, lançado em 1967, mesmo ano da gravação original de Barra limpa, música confiada a Erika Martins.

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